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E finalmente estreou ontem (26/10) no canal americano CBS, a tão previamente comentada série da Supergirl, que já havia tido o seu episódio piloto vazado na internet em Maio, dando um vislumbre do que viria a ser o programa que contará as aventuras de Kara Zor-El, a prima do Superman. Lembrando que outras séries recentes da temporada passada também sofreram esses “vazamentos”, como Flash e Constantine. No caso da segunda, as críticas foram tão contundentes que serviram para que o episódio piloto fosse praticamente refilmado, além de ter ocasionado a demissão da atriz que serviria como protagonista ao lado do personagem título. Algo que só reforça a minha teoria de que esses supostos vazamentos nada mais são do que uma espécie de termômetro para medir a receptividade do material exposto, dando tempo ao estúdio para trabalharem em possíveis problemas apontados nas críticas dos fãs. Bem, sendo isso verdade ou não, cá estou eu fazendo a minha parte e contribuindo com esse belo quadro social.

Produzida por Greg Berlanti (Arrow, The Flash), a série conta com a atriz Melissa Benoist (Glee, Whiplash) no papel principal e havia dividido os fãs quando o seu primeiro trailer foi divulgado, por conter claramente um teor mais teen e voltado para o público feminino. Oras, realmente não sei o que esperavam de uma personagem chamada SUPERGIRL, afinal. Pescoços sendo quebrados e muita testosterona exalando da tela?

Mas vamos  falar sobre o episódio em si. Como se sabe, o recém estipulado universo cinematográfico da DC Comics será completamente separado das séries (o que inclusive inclui um outro Flash nos cinemas, à parte do apresentado na série da CW), e portanto uma das perguntas mais cruciais a respeito da série da Supergirl era como a personagem seria introduzida, sem citar o seu primo (que nas telonas é interpretado pelo ator Henry Cavill) visto que a sua história de origem é completamente conectada à do Homem de Aço. A solução encontrada para a série acabou sendo bem lógica e efetiva, pois Superman é sempre citado e referenciado, servindo como uma inspiração legítima para Kara, ainda que o personagem em suas aparições esteja envolto em sombras. O importante é que ele está lá, é citado dezenas de vezes ao decorrer do episódio e inclusive influencia diretamente na decisão de Kara em agir como uma heroína em National City.

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Ainda sobre a origem da Supergirl, o roteiro é bem fiel à versão pós-crise apresentada pelo escritor Jeph Loeb nos quadrinhos, na qual Kara é uma criança já crescida cuja nave é enviada em sequência à do bebê recém nascido Kal-El, para proteger o primo quando chegassem à Terra. Porém, enquanto que nos quadrinhos é seu pai, Zor-El, quem a envia na nave, a série optou por dar uma importância bem maior à mãe da menina, Alura Zor-El (interpretada pela atriz Laura Benanti). Mais uma prova de que as personagens femininas terão um grande destaque e importância dentro do roteiro da série.

Assim como nos quadrinhos, a nave de Kara acaba não seguindo a trajetória imediata de seu primo, deixando a menina em animação suspensa e só vindo a pousar na Terra quando Kal-El já é um adulto e atende pelo icônico nome de Superman. A missão de Kara então se reverte completamente, sendo seu primo quem a protege, ao deixá-la para ser criada com o casal Danvers. O interessante aqui é a homenagem feita a partir dos pais adotivos de Kara, pois assim como Berlanti colocou o antigo Flash da década de 90 John Wesley Shipp como pai de Barry Allen na nova série da CW, algo semelhante foi feito em Supergirl. Os pais de Kara são interpretados pelos atores Helen Slater e Dean Cain, que para quem não sabe, são respectivamente a Supergirl do filme da década de 80, e o Superman da série As Aventuras de Lois e Clark, bastante popular nos anos 90.

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Sim, a experiência que fica ao assistir a série é que ela é muito voltada para o público feminino. Mas não apenas para o público feminino em si, pois estamos falando de uma super-heroína dos gibis afinal, então é algo voltado principalmente para as meninas leitoras de quadrinhos. É uma série muito agradável para esse público feminino que tem aumentado e tido tanta representatividade nos quadrinhos principalmente em gibis como Batgirl e Capitã Marvel.

Ainda que existam todos os clichês possíveis em uma série teen, a dose cavalar de carisma exalado pela presença da atriz Melissa Benoist faz com que tudo seja bem divertido. Kara trabalha na CatCo, uma potência global de informações e notícias comandada pela megera Cat Grant (Calista Flockhart) e funciona como uma espécie de assistente da mulher, em uma relação que é impossível não ser comparada com a de Anne Hathaway e Meryl Streep no filme O Diabo Veste Prada. A menina é ainda interesse amoroso de seu colega de trabalho Winslow Schott (Jeremy Jordan), o qual acaba lhe servindo de confidente e amigo colorido, e se mostra claramente interessada em J̶i̶m̶m̶y̶ James Olsen (Mehcad Brooks) o fotógrafo de Metrópolis e amigo do Superman que vem morar em National City e trabalhar na CatCo para ficar próximo de Kara a pedido de seu primo.

Em resumo, existem sim uma série de clichês apresentados na série, mas a forma como o roteiro é apresentado faz com que o espectador crie uma simpatia pela protagonista, a ponto de todo o resto servir apenas como meras construções narrativas para o desenvolvimento da personagem. É uma fórmula que se demorar muito tempo pode sim vir a se tornar cansativa, mas para um episódio piloto foi apenas ok.

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Um dos maiores receios dos fãs era que – pelo teor exageradamente teen apresentado no trailer – a série não possuísse o apelo necessário para fazer jus a uma série de super-heróis. Ou seja, nego queria porrada.

E nesse quesito, a série não decepciona. Na trama, Hank Henshaw (David Harewood), chefe do Departamento de Operações ExtraNormais, uma organização que monitora e protege a Terra de ameaças extraterrestres, revela a Kara que quando sua nave se desprendeu da Zona Fantasma e veio para a Terra, acabou arrastando consigo a prisão de segurança máxima de Krypton, Fort Ros, liberando em nosso planeta alguns dos piores criminosos da galáxia. Planejando secretamente por anos, os criminosos começam a agir agora, e ficam ainda mais empolgados em obter vingança quando descobrem que Kara é filha de Alura Zor-El, a mulher que os mandou para a prisão. Não falei que as mulheres tem um baita importância na série?

Nesse primeiro episódio, Supergirl enfrenta o reptiliano Vartox (Owain Yeoman) e as duas batalhas entre os personagens são sensacionais. Resultado do custo de 14 milhões de dólares gastos apenas na produção desse episódio piloto. Com efeitos dignos de Hollywood e sequências de ação de tirar o fôlego, esses momentos ditam o equilíbrio da série, caminhando confortavelmente de algo light e simples à ação alucinante e porradaria frenética, respeitando aquilo que todo leitor de quadrinhos quer ver.

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A única coisa que talvez tenha me incomodado é a velocidade com que as coisas acontecem apenas nesse episódio piloto. Em cerca de 40 minutos vemos a origem de Kara, sua vida adulta, a confecção do uniforme, o surgimento da Supergirl, e ao final do episódio ela já derrotou o seu primeiro super-vilão trabalhando em equipe com uma organização militar super secreta. É muita informação para pouco episódio, e é preciso ter a mente bem aberta para aceitar tantos acontecimentos em um curto período de tempo. Porém, esse método narrativo utilizado na série vem se tornando algo usual, pois foi a mesma coisa no episódio piloto de The Flash. Se por uma lado ficamos com a impressão de que tudo foi mostrados às pressas, pelo menos é melhor do que ver o personagem “se descobrindo” por DEZ temporadas e só virando um herói de fato no último episódio, como foi o caso de Smallville.

E por falar em The Flash, o produtor Greg Berlanti não descarta a possibilidade de que as séries venham futuramente a ter um episódio crossover com o velocista escarlate e a prima do Superman se encontrando, e inclusive os atores já posaram juntos para a revista Variety caracterizados como seus personagens. Porém, isso muito me preocupa, pois acredito que a confirmação de que os dois universos são um só acabaria por desconsiderar muito do que já foi estipulado no roteiro de The Flash. Afinal, na série da CW foi o acidente que deu poderes a Barry Allen justamente o catalisador de poderes “impossíveis”, sendo o Flash o primeiro super-ser conhecido pela mídia. Portanto seria no mínimo estranho ele fazer parte de um mundo onde a persona do Superman já é um herói consagrado e conhecido pela população mundial.

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De uma forma geral, muito me agrada ver que essa popularidade das personagens femininas nos quadrinhos vem ganhando cada vez mais representatividade, e que agora elas tem uma força bem maior trazendo isso para a TV.  Uma tendência que só tem a crescer, afinal a Warner ainda tem o filme da Mulher-Maravilha engatilhado com a atriz Gal Gadot no papel principal, e a Marvel (que já representa uma fatia desse mercado com a Viúva Negra de Scarlett Johansson) já anunciou que um de seus filmes para a chamada “fase três” do estúdio nos cinemas é justamente a Capitã Marvel, que ganhou popularidade recentemente com as leitoras ao ter uma reformulação pelas mãos da roteirista Kelly Sue DeConnick, esposa do também roteirista Matt Fraction.

Obviamente, a Supergirl ainda sofrerá algumas barreiras, e não me refiro apenas aos super-vilões e alienígenas que a heroína enfrentará no decorrer da série. Acontece que por ser uma espécie de precursora nesse momento crucial em que acontece a explosão de leitoras femininas vindo para esse atrativo universo dos quadrinhos, a personagem acaba recebendo uma cobrança bem maior. Portanto é muito claro que a série sofrerá críticas quando Kara se mostrar o mínimo que seja como uma mulher frágil ou que faz bobagens por amor. Porque como sabemos, há extremismos em todo lugar.

Mas eu torço pela Supergirl. E quem assistiu a esse primeiro episódio também vai torcer. Porque é isso que Melissa Benoist  conseguiu evocar de todos nós: Simpatia.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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