
E a sétima temporada The Walking Dead chega ao seu terceiro episódio, sem que mais uma vez encontremos Rick e seu grupo após as traumáticas mortes de Glenn e Abraham. Se o segundo episódio foi focado no Reino, trazendo Morgan e Carol conhecendo o caricato Rei Ezekiel, dessa vez conhecemos o destino de Daryl, o braço direito de Rick, que acabou sendo levado por Negan e seus Salvadores.
Apesar de “The Cell” não focar exatamente em como o Santuário funciona, conseguimos ter uma boa ideia ao longo do episodio, já que ele se passa quase que inteiramente no local. Isso porque, pelo menos aqui, ainda não é importante entender o funcionamento da comunidade (dá pra chamar assim?) de Negan, mas sim trabalhar uma trama que será revisitada futuramente, que é o relacionamento entre Daryl, Dwight e Negan.
Desde que Dwight roubou as coisas de Daryl na temporada passada e depois voltou a encontrá-lo, era mais do que óbvio que teríamos algum desenvolvimento entre esses dois. Desenvolvimento este que já começa a ser trabalhado aqui. Apesar de não trazer exatamente a história de Dwight, é correto afirmar que ele estrela o episódio ao lado de Daryl, servindo até mesmo para o público criar uma empatia com o personagem, por incrível que pareça. Enquanto vemos Daryl ser psicologicamente torturado como uma tentativa de fazê-lo se juntar a Negan, começamos a entender pelas atitudes de Dwight que algo semelhante aconteceu a ele, com a diferença de que o mesmo acabou se dobrando.
É interessante como o episódio trabalha essa dualidade, trazendo Daryl e Dwight não como dois lados de uma mesma moeda, mas com uma certa reverência do segundo pelo primeiro, quase como uma inveja por sua força e resistência. Isso fica reforçado para o espectador pelo simples fato de Dwight passar a se vestir com as roupas de Daryl e usar sua moto e sua besta. É quase como se ele quisesse ser outra pessoa.
O objetivo de Negan, conforme fica bem claro ao decorrer do episódio, é exatamente fazer com que Daryl decida trabalhar para ele, como uma forma de dar fim ao seu sofrimento. No entanto, o mais novo dos irmãos Dixon – que ainda está se martirizando bastante pela morte de Glenn – não se dobra facilmente, e prefere continuar em sua cela a dobrar seus joelhos em troca das regalias oferecidas por Negan.
E por dobrar os joelhos, eu quero dizer realmente dobrar os joelhos. No que se refere à forma como os Salvadores se dirigem a Negan, a série de TV possui algumas liberdades em relação aos quadrinhos, e o personagem é reverenciado quase como um deus, seja por meio do medo ou simplesmente da adoração doentia. Os membros da comunidade se ajoelham quando seu líder passa por eles, e existe um bizarro senso de onipresença, onde todos se referem como sendo Negan (algo que já havíamos visto na sexta temporada), para passar a ideia de que ele pode estar em todos os lugares.
Próximo do final do episódio, temos um breve resumo do que aconteceu com Dwight após ter roubado as coisas de Daryl na temporada passada, e como ganhou a seu queimadura no rosto. A história é bem semelhante aos quadrinhos – apesar de alguma romantização em seu percurso – mas a ideia é a mesma: tornar Dwight um personagem relacionável, criando empatia com o público ao mostrar que ele não passa afinal de mais uma vítima de Negan. O que obviamente, nem de longe, o perdoa de todos os seus pecados.
Só mais uma coisa… quem ainda está com Easy Street tocando sem parar na sua cabeça? Pobre Daryl…
https://www.youtube.com/watch?v=JoQ4GidQP-k