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Volta e meia, os fãs especulam diretores para o filme do Batman do DCU, como se Andy Muschietti já não estivesse contratado para o cargo. O motivo é que o trabalho mais recente do diretor, The Flash (2023), foi muito controverso.

A imagem do diretor argentino está arranhada, e os chefes da DC Studios tanto sabem disso que evitam falar o nome dele quando The Brave And The Bold é citado.

No entanto, há realmente razão para toda essa histeria? Honestamente, não acredito.

Dificilmente vão encontrar alguém melhor

James Gunn
Reprodução/EW

Reconheço que há um problema quando colocamos Andy Muschietti ao lado de Matt Reeves, pois é como se um Kadett Gsi precisasse alcançar um Legacy 500 na corrida.

Esse problema da comparação, no entanto, vai acontecer com qualquer diretor, pois The Brave And The Bold será um filme de estúdio. Seja quem for dirigir, essa pessoa não terá autonomia criativa. Com sorte, vai conseguir colocar sua visão em cima do material que for entregue no roteiro.

Nomes como Matt Reeves e Zach Cregger, por exemplo, jamais topariam fazer um filme do Batman se não pudessem ter total controle criativo. O James Gunn nunca vai ceder esse controle. Ainda digo que é arriscado ele acabar dirigindo esse filme, no final das contas.

Mas veja bem, um Kadett Gsi 2.0 não alcança um Legacy 500, mas ainda é potente. Andy Muschietti não é um mal diretor.

Um contexto diferente de The Flash

Reprodução/Warner Bros. Pictures

A rejeição a Andy Muschietti nasce da falta de compreensão do público geral do que realmente é o trabalho do diretor. Para as pessoas, esse tipo de profissional é o autor absoluto de um filme. No entanto, quando estamos falando de cinema blockbuster de Hollywood, isso quase nunca é verdade.

Há centenas de pessoas envolvidas nesse tipo de produção, e a interferência dos produtores é algo decisivo.

Além da falta de entendimento da profissão, muitas fãs esquecem ou ignoram, que, para Andy Muschietti, fazer The Flash (2023) foi como desarmar uma bomba atômica.

Quando o argentino assumiu o projeto, o roteiro estava mais mexido que motor de Chevette. A produção aconteceu em uma Londres bloqueada durante uma crise sanitária global, as construções de set atrasaram pela logística complicada e ele só pôde usar os principais cenários práticos por uma janela muito curta.

Some isso às trocas de comando da DC, que alteraram a montagem várias vezes e forçaram mudanças em cima da hora durante e depois das filmagens. E não esqueça que, quando o filme finalmente ficou pronto, o protagonista zerou a cartela de crimes do Havaí e o público ficou sabendo que o filme seria rebootado antes mesmo do lançamento.

Houve várias tentativas de Warner e DC para impedir o naufrágio, o anúncio da contratação de Andy Muschietti para The Brave And The Bold claramente foi uma delas. Entretanto, é inegável que The Flash (2023) estreou condenado.

Particularmente, acho The Flash (2023) um bom filme, que até poderia ter sido melhor recebido se tivesse sido lançado em outra época.

A produção deu o azar de estrear quando o mundo todo estava pré-disposto a odiá-la por diferentes motivos. Como também não é nenhuma obra-prima, caiu no imaginário popular como um filme péssimo.

Caso faça The Brave And The Bold, Andy Muschietti não enfrentará esse contexto catastrófico. O DCU está em alta, e o desenvolvimento do filme está sendo conduzido muito cuidadosamente por James Gunn.

Não dá para prever o quanto, mas o cineasta certamente terá mais paz para fazer seu filme do Batman.

Andy Muschietti é um bom diretor de estúdio

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Só pelo fato de ter matado o conturbado projeto de quase 10 anos de The Flash (2023) no peito, e entregue o filme sem reclamar ou falar mal da Warner, Andy Muschietti não precisaria mais provar a ninguém que é um bom diretor de estúdio.

Andy se cerca de bons profissionais de departamento como o diretor de fotografia Henry Braham (Superman; O Esquadrão Suicida) e o montador Paul Machliss (Em Ritmo De Fuga), e não atua como um básico “Yes, Man!“, pois gosta de colaborar com suas próprias ideias visuais.

É ainda um cineasta inspirado, que não tem medo de correr riscos para criar movimentos de câmera dinâmicos.

A abertura de The Flash (2023) até o herói chegar em Gotham, por exemplo, mostra o diretor se arriscando a emular um movimento de quadrinhos que parece até ter sido extraído de um desenho animado.

Saindo de The Flash (2023), você pode lembrar de como Andy constrói atmosfera nos filmes de IT, seus maiores sucessos até agora.

Andy Muschietti lida com a relação estúdio vs. criador de forma similar à que Sam Raimi faz com seus blockbusters. Ele negocia as ideias com os produtores, mas não abre mão de evocar os sentimentos da forma que acredita ser necessário.

Não faço ideia de se Andy ainda vai dirigir The Brave And The Bold, mas não é um filme controverso que atesta que ele não é o homem para o trabalho.

No fim, James Gunn e Peter Safran vão tomar o que acreditam ser a melhor decisão para o projeto.

Como já disse aqui uma vez, um diretor de cinema é o profissional que assume a responsabilidade de manter todas as engrenagens de uma complexa máquina girando em harmonia, mesmo quando ele não tem controle algum sobre elas.

Tendo isso mente, você vai perceber que Andy Muschietti talvez realmente seja um dos melhores nomes para The Brave And The Bold.

Se ele entregou The Flash (2023) com todas as dificuldades que teve, vai conseguir entregar The Brave And The Bold sem muito sacrifício.

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The Brave And The Bold ainda não tem data de estreia. O roteiro do filme está atualmente sendo desenvolvido por um roteirista misterioso, com supervisão integral de James Gunn.

O filme vai apesentar Damian Wayne como Robin, contando uma história maluca de pai e filho, com o Batman tendo que lidar com a conturbada descoberta de um filho que vai contra uma de suas principais regras morais: não matar.