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Há exatas duas décadas, em 14 de outubro de 2005, o mundo do cinema era pego de surpresa com o anúncio de que Daniel Craig seria o sexto ator a interpretar o icônico espião James Bond.

A revelação, feita em uma coletiva de imprensa em Londres, encerrou meses de especulação, mas deu início a uma das mais intensas e controversas reações de fãs na história da franquia.

Hoje, com a aclamada era de Craig já concluída, é quase difícil imaginar a onda de ceticismo que marcou sua escalação.

A escolha de Craig para suceder Pierce Brosnan foi recebida com hostilidade por uma parcela significativa do público e da mídia.

As críticas se concentravam principalmente em sua aparência física, que se desviava radicalmente da imagem estabelecida por seus predecessores.

Com seus cabelos loiros, olhos azuis e uma estatura considerada mais baixa (1,78m) para o padrão do personagem, Craig não se encaixava no molde do “alto, moreno e classicamente bonito” que o público esperava.

A reação negativa foi tão forte que apelidos pejorativos como “James Blond” se popularizaram rapidamente.

A internet, em uma de suas primeiras grandes mobilizações de fãs contra uma decisão de elenco, viu o surgimento de sites como craignotbond.com, que clamavam por um boicote a 007 – Cassino Royale (2006), o filme de estreia do ator no papel.

Os detratores argumentavam que Craig tinha uma aparência mais “bruta” e “rústica”, sendo comparado a um “capanga” em vez do sofisticado agente secreto.

A falta de um perfil de galã tradicional e seu currículo, até então mais voltado para filmes independentes e papéis coadjuvantes em Hollywood, alimentavam a desconfiança de que ele não conseguiria carregar o peso do smoking de 007.

O próprio ator, anos mais tarde, admitiu que a intensidade das críticas o abalou.

Em entrevistas, Craig revelou que, embora tentasse ignorar o barulho, era impossível não se sentir pressionado pela responsabilidade de provar que os céticos estavam errados.

Toda a desconfiança, no entanto, começou e terminou na porta do cinema.

Lançado em novembro de 2006, 007 – Cassino Royale não apenas foi um sucesso de bilheteria, mas também foi aclamado pela crítica como um dos melhores filmes de toda a saga.

A direção de Martin Campbell trouxe um tom mais sóbrio, realista e violento para a franquia, algo que o Bond de Daniel Craig personificou com perfeição.

Craig entregou uma interpretação visceral, apresentando um Bond no início de carreira, mais impulsivo, vulnerável e fisicamente imponente.

A sua performance foi elogiada por trazer uma profundidade emocional inédita ao personagem, mostrando um agente secreto falível e assombrado por suas ações.

A crítica especializada e, eventualmente, o público, renderam-se à sua reinvenção do espião.

O filme obteve uma aprovação de 94% no Rotten Tomatoes, com o consenso dos críticos afirmando que o longa “se livra da tolice e dos gadgets que atormentaram as recentes aventuras de James Bond, e Daniel Craig entrega o que fãs e críticos esperavam: uma reinvenção cáustica, assombrada e intensa de 007”.

Vinte anos depois do anúncio que chocou o mundo, a era Daniel Craig é lembrada como um ponto de virada crucial e de grande sucesso para a franquia 007.

Seus cinco filmes (Cassino Royale, Quantum of Solace, Operação Skyfall, Contra Spectre e Sem Tempo para Morrer) arrecadaram bilhões em bilheteria e solidificaram seu lugar no panteão dos grandes intérpretes do personagem, ao lado de Sean Connery.

A história da escalação de Craig serve como um poderoso lembrete de que, no cinema, a primeira impressão nem sempre é a que fica.

Vale lembrar que um novo reboot da franquia 007 está em desenvolvimento na Amazon MGM Studios, com um novo James Bond ainda a ser definido.

David Heyman (Harry Potter) e Amy Pascal (Homem-Aranha) são os novos produtores, com Denis Villeneuve (Duna) como diretor e Steven Knight (Peaky Blinders) como roteirista.

Embora uma data de lançamento oficial ainda não tenha sido anunciada, acredita-se que o novo reboot chegará aos cinemas em algum momento de 2028.

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