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No fim de outubro foi lançado a sexta edição da longeva série Sid Meyer’s Civilization. O jogo, que já conta com mais de 25 anos de história (leia aqui a nossa resenha para mais informações), trouxe várias novidades em relação à sua edição anterior, apresentando novas mecânicas, novas civilizações e, claro, uma melhora em seus gráficos. Para trazer novidades, Civilization VI também alterou algumas coisas no funcionamento de suas cidades, na guerra e em outras questões. No entanto, uma coisa permanece a mesma: existe mais de uma forma de ganhar o jogo.

Diferente de dos jogos de estratégia ao estilo Real Time Strategy, como e o caso do saudoso Warcraft – não confundir com o muito bem sucedido MMORPG World of Warcraft – guerra e pancadaria não são as únicas formas de se sobressair sobre os inimigos. Civilization, assim como muitos jogos 4x (eXplore, eXpand, eXploit, eXterminate) influenciados por eles, oferece a possibilidade de se jogar com líderes pouco belicosos, que são mais voltados para vitorias de cunho mais pacífico e que podem ser tão interessantes quanto massacrar todos inimigos, destruir suas casas e salgar as suas terras.

Se o Civilization I oferecia três formas de vitória – por Dominação, por Corrida Espacial e por Tempo/Pontuação – esse modelo foi expandido no III para incluir também a vitória Cultural e a Diplomática. Este quinteto foi mantido até a quinta edição do jogo, mas, apesar de ter mantido sua estrutura geral, sofreu uma pequena alteração. No Civilization VI, a vitória Diplomática deixa de existir e dá lugar a algo muito mais dominatório, com real potencial de subjugar os adversários: Religião.

Cada tipo de vitória, obviamente, possui as suas próprias necessidades e preocupações. Além de ser importante também saber como contra-atacar os outros jogadores ou a IA. Não saber como funciona as condições de vitória podem levar a situações vexaminosas, como achar que está perto de alcançar o sucesso e nem perceber que um adversário está muito mais perto de se sair vitorioso.

Abaixo, listamos as formas de vitória e uma série de coisas para se ter em mente no caso de partir atrás dela.

guerra

1) Vitória por Dominação

A vitória por dominação é a mais óbvia e, em geral, mais simples de se conseguir quando a dificuldade do jogo está em níveis médios. De todas as condições de vitória, ela é a que pode ser alcançada mais cedo no jogo, no entanto, a conquista militar é demorada e, mesmo que tacapes rudimentares possam servir para derrotar as unidades inimigas, ainda assim terão se passado algumas eras até que seja possível explorar todo o mapa e acabar com todos os inimigos.

Não é necessário conquistar todas as cidades inimigas para chegar à vitória. Dominação é alcançada ao capturar todas as capitais do jogo. No entanto, é bom não ignorar as outras cidades encontradas pelo caminho. Capturá-las pode fornecer um novo posto avançado no qual os exércitos poderão se recuperar, além de ser mais uma cidade produzindo unidades para a sua grande máquina de guerra. Mas é preciso tomar cuidado. Cidade capturadas são cidades infelizes. Por muito tempo e, principalmente durante o período de guerra, mas cidades inimigas estarão extremamente improdutivas, provavelmente trazendo custos em ouro para a sua civilização.
E ouro é o maior inimigo de um grande exército. Não basta se preocupar apenas com os seus soldados e suas armas. Cada unidade militar tem uma taxa de manutenção que é descontada de seu tesouro todos os turnos. É preciso ter uma economia forte e produtiva para ir expandido os exércitos. O importante é saber quando parar de criar novas unidades e se concentrar em outros aspectos da civilização. Claro que você vai precisar de um exército poderoso, mas uma vez que tenha conseguido uma quantidade respeitável de unidades, talvez seja a hora de parar e pensar em fortalece-las.

É importante lembrar que suas unidades podem ser atualizadas. Focando-se em tecnologias militares, não é difícil conseguir novas ferramentas de morte antes de seus inimigos, desde que você não tenha ignorado completamente o ganho de Ciência, claro. O próprio uso de seus exércitos vai fazer com que seja mais fácil de pesquisar novidades. Assim que conseguir uma nova unidade militar, é uma boa ideia gastar o ouro que você conseguiu acumular para dar upgrade nas antigas, transformando seu antiquado em uma máquina de destruição que usa tecnologia de ponta. Esse vai ser o melhor momento para atacar, principalmente em grandes mudanças como a invenção da pólvora.

ciencia

2) Vitória por Ciência

Este tipo de vitória não é algo que se consegue de uma hora para a outra. Necessariamente terão se passado vários turnos antes dela ser alcançada, mesmo por um jogador muito competente que consiga se focar exclusivamente nela. Para alcançar uma vitória por Ciência, é preciso conseguir o que ainda está no horizonte do progresso científico da humanidade: estabelecer uma colônia em Marte.

Para se sagrar campeão usando este tipo de vitória é necessário, obviamente, ter um enfoque no ganho de Ciência. Isto é conseguido principalmente através da construção de Distritos Científicos e suas subsequentes construções: bibliotecas, escolas, universidades, laboratórios e tudo mais que possa ajudar a desenvolver o conhecimento científico de sua civilização.

É importante também dar atenção aos Grandes Cientistas, conseguindo personalidades famosas para a sua civilização, como Einstein ou Newton, você poderá ativar momentos de “Eureka” para diminuir muito o tempo de pesquisa para uma série de tecnologias ou então ganhar tecnologias completamente de graça, o que avançará bastante o seu cronograma. Apesar do foco não ser Maravilhas, é bom ficar atento, pois algumas, como a Universidade de Oxford ou a Grande Biblioteca são importantíssimas para este tipo de vitória. Não absolutamente necessárias, mas você vai querer construí-las antes de seus inimigos.

E falando em construção, a verdade é que não basta pesquisa científica para conseguir esta vitória. Para conseguir criar sua colônia em Marte é necessária a construção de uma série de projetos. Primeiro construir um satélite e lança-lo ao espaço. Depois construir o projeto de fazer uma nave para pousar na lua, e então construir os módulos de reator, habitação e hidropônica, que são usados para efetivamente criar a primeira colônia marciana.

Todos eles demandam uma grande quantidade de produção, então é bom investir bastante em Distritos Industriais. É importante notar também que esses projetos só podem ser construídos em cidades que possuam espaço-portos. Portanto é uma boa ideia possuir pelo menos três cidades com espaço-porto, para poder construir os três módulos da colônia de uma vez só. Não fazer isso significa um atraso de dezenas de turnos em um momento em que possivelmente os inimigos já estarão se aproximando da vitória.

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3) Vitória por Cultura

Outra vitória demorada de alcançar, e em geral considerada a mais difícil do jogo. Para conquistar a vitória por cultura é necessário gerar grandes quantidades de Cultura e Turismo para conseguir Turistas das outras civilizações. O seu triunfo final chegará quando você tiver mais turistas visitando a sua civilização do que a quantidade de turistas domésticos de todas as outras civilizações. Sendo turistas domésticos uma parcela da população que não está viajando para lugar nenhum, mas dentro dos limites de sua civilização.

O investimento básico para se alcançar uma vitória por cultura é óbvio. Construa teatros, anfiteatros, museus e tudo o mais que gere Cultura em todas as suas cidades. Além disto, sempre que puder faça maravilhas, elas também tem o potencial de atrair turistas para a sua civilização. Mas cuidado na hora de escolher, algumas maravilhas são melhores que outras para este tipo de vitória, como é o caso da Torre Eiffel e do Cristo Redentor. E cuidado pra não menosprezar as rotas comerciais. Ter rotas comerciais internacionais aumenta a taxa de turistas, podendo ser o diferencial para ganhar uma partida mais rápido.

O uso de grandes personalidades é mais importante aqui do que em outros tipos de vitória. Com o acúmulo de Cultura eventualmente você poderá recrutar um grande artista, podendo ser um escritor, um pintor ou um compositor. Estes grandes artistas podem ser usados para criarem obras de arte para a sua civilização, no entanto, é preciso primeiro ter locais para abrigar estas obras, como museus de arte. Cada museu possui uma quantidade de “espaços” para abrigar obras e os maiores – normalmente maravilhas – dão bônus na Cultura a depender da disposição das obras em padrões temáticos. É bom sempre tentar alcançar os temas.

Existe outro fator a se levar em conta. Quando conseguir desbloquear arqueólogos através da tecnologia apropriada, você poderá utilizar esta unidade para escavar sítios arqueológicos – um novo tipo de recurso que aparecerá no mapa. Estes sítios, quando escavados pelo arqueólogo, irão prover peças históricas que funcionam da mesma forma que obras de arte, sendo guardadas em museus e fornecendo mais cultura para a civilização. Outra coisa de importância vital é tentar construir resorts. Os resorts são aprimoramentos realizados pelos construtores que podem ser construídos apenas em locais específicos e que sejam muito atrativos. A recompensa vale a pena, no entanto, e juntos com a Torre Eiffel os resorts realmente são um investimento que dá uma grande ajuda neste tipo de vitória.

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4) Vitória por Religião

A novidade no rol de vitórias. A vitória por religião consiste em fazer com que mais da metade da população de todas as civilizações sejam adeptos da religião criada por você. Isso pode ser conseguido em eras anteriores ao que seria a vitória por ciência ou por cultura, mas depende do quão agressivo na religiosidade o jogador vai ser – o que pode acabar trazendo uma série de vulnerabilidades.

Esta vitória segue a premissa básica das vitórias por cultura e ciência. Existe um recurso chamado fé, então você vai querer gerar o máximo disso que for possível. No início do jogo sua civilização não terá desenvolvido nem mesmo uma religião rudimentar. Isso mudará quando você conseguir juntar uma certa quantidade de fé, momento no qual será possível a criação de um panteão, algo como uma “pré-religião”. A religião propriamente dita, a coisa que você vai precisar pra começar a pensar em uma vitória por fé, necessita de que você consiga um Grande Profeta, usando a habilidade de uma dessas Grandes Personalidades, você poderá escolher os fundamentos (bônus para a civilização!) da sua religião.

A partir daí é necessário ir aumentando a quantidade de ganho de fé. A forma mais óbvia é a construção de um Local Sagrado, o distrito relacionado a coisas religiosas. Algumas cidades estados, Jerusalem e La Venta, dão bônus para o ganho de religiões e produzem alguns efeitos interessantes, sendo uma boa ideia tornar-se suserano delas. É claro que algumas maravilhas também vão ser do agrado de quem busca dominar o mundo com religião, como o Stonehenge e o Mont. St. Michel.

No entanto, apenas gerar fé não basta. É preciso usar esta fé para fazer produções massivas de Missionários e Apóstolos. Ambos podem ser utilizados para espalhar a palavra, usando a ação “espalhar religião” para promover a sua fé. No entanto, existe uma espécie de “guerra religiosa”, pois Apóstolos podem realmente entrar em combate com Apóstolos e Missionários de outras religiões, desta forma impedindo que os inimigos consigam converter as suas cidades e espalhar a própria fé. Em algumas circunstâncias, também é possível recrutar inquisidores, que são baratos e, assim como apóstolos, podem entrar em combate com religiosos inimigos. É importante lembrar que esta unidades são adquiridas se gastando o recurso da fé, cujo acúmulo será sua meta principal.

É através deste confrontos religiosos entre apóstolos e missionários e do uso da habilidade de “espalhar religião” que você irá pouco a pouco se aproximar da vitória.

5) Vitória por Tempo/Pontuação

Há de se convir que esta é mais um desempate do que uma vitória de verdade. Não há muito o que se dizer. Quando o jogo chegar ao ano de 2080, passados 500 turnos na duração média, será contabilizada a pontuação dos jogadores caso não haja nenhum vencedor real. Uma série de fatores são levados em conta, entre eles a construção de Maravilhas, o tamanho da população, e o quanto foi pesquisado nas árvores de tecnologia e cultura, em especial a tecnologia “Tecnologia Futura” que serve justamente para pontuar mais.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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