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Após um longo período em desenvolvimento, Final Fantasy VII Remake está finalmente entre nós, e o aguardado game tem um resultado digno da espera. Foram 3,5 milhões de unidades vendidas apenas nos primeiros 3 dias do lançamento, além de uma nota de 88 no Metacritic e uma rara pontuação 10/10 no GameSpot.

E quem jogou pelo menos até o capítulo 17 (são 18 no total), sabe que esse resultado é fruto de um remake feito com amor, para nenhum fã colocar defeito, que traduz exatamente todos os momentos do original, mas expandindo onde acha necessário, de uma forma extremamente satisfatória e que só enriquece o universo.

E então, chega o Capítulo 18

Ok, vamos pelo início. Bem cedo no jogo, somos apresentados à primeira novidade do remake, os Murmúrios (Whispers no original). Essas criaturas fantasmagóricas parecidas com os Dementadores da franquia Harry Potter aparecem em momentos pontuais do game, deixando uma aura de mistério ao seu redor. Na reta final, finalmente entendemos o que são os Murmúrios.

Basicamente, eles são os “árbitros do destino”, seres que fazem de tudo para manter a linha cronológica do remake intacta – isto é, seguindo exatamente os passos do jogo original. Um exemplo prático é quando Barret é empalado por Sephiroth e acaba sendo curado pelos Murmúrios; afinal, ele não morre no original e precisa seguir em frente para as coisas serem iguais.

Outro exemplo é Wedge, um dos soldados do Avalanche. No original, ele morre caindo de um prédio, mas aqui ele sobrevive. Porém, quando tem a oportunidade, os Murmúrios cercam Wedge e o jogam de outro prédio. Ele precisa morrer. Para que o remake siga os passos do original.

Metaforicamente falando, os Murmúrios basicamente representam a nós, os jogadores. Os fãs puristas. Aqueles que querem que os acontecimentos sejam idênticos ao do original.

Livres das Amarras do Destino

No último capítulo do Remake, temos uma mudança drástica em relação ao original (além de ser a pior sequência de gameplay do jogo inteiro, pobre e pouco inspirada) onde Aerith explica a Cloud e cia que eles podem ir até a dimensão dos Murmúrios, eliminar a entidade que os lidera, e assim se verem livres da necessidade de seguir um caminho predeterminado.

Aliás, é importante observar aqui que, embora não fique exatamente claro, parece que Sephiroth e Aerith estão cientes dos acontecimentos do jogo original. Aerith sabe que vai morrer, e inclusive pede a Cloud que não se apaixone por ela. Já Sephiroth parece ser aquele mesmo Sephiroth derrotado no filme Advent Children, que prometeu que “nunca seria uma memória“, e que agora pretende mudar os acontecimentos do original para sair como vencedor. Ele inclusive parece incitar memórias em Cloud durante todo o jogo, como quando diz que o rapaz é “fraco demais para salvar alguém” (Sephiroth mata Aerith no jogo original).

Pois bem, o fato é que Cloud e seus amigos destroem a entidade responsável pelos Murmúrios, e assim estão livres do destino, com o jogo inclusive terminado com a singela mensagem: “A Jornada Desconhecida Continua“.

No fim, fica parecendo que tudo foi uma tentativa dos produtores em conseguir respaldo para… seguir um caminho completamente diferente do original. Ou não?

O problema Zack Fair

Porém, não precisamos esperar até o segundo jogo para entender as implicações da destruição dos Murmúrios no remake. Existe uma cena muito importante de flashback que pode ser crucial para o futuro dessa franquia.

Aqueles que jogaram Crisis Core – o derivado de Final Fantasy VII que se passa antes do jogo original – seguiram a trajetória de Zack Fair, o “mentor” de Cloud, e sabem muito bem como ele morre.

O remake reproduz a cena final de Zack, onde ele é cercado por uma infantaria da Shinra e acaba sendo assassinado. É a emocionante cena final de Crisis Core, onde ele morre nos braços de Cloud. Porém, não é isso que acontece aqui. Naquela que parece ser a primeira mudança drástica em relação à destruição dos Murmúrios, Zack sobrevive ao ataque da Shinra.

Hoje sim?
Hoje NÃO.

Porém, existe um pequeno detalhe na cena de Zack, que pode (e deve) ser levado em consideração. Vamos lá:

Durante o jogo, somos apresentados ao Totó (Stamp, no original), um simpático cãozinho da raça Beagle com capacete de soldado, que serve como mascote da Shinra.

Porém, na cena onde vemos que Zack Fair está vivo, uma lufada de vento levanta um pacote de salgadinhos vazio – absolutamente do nada – onde vemos que Totó está bem diferente. Aqui ele não é um Beagle, e sim um Border Terrier que usa boné ao invés de capacete.

Eu não sei se você entendeu onde eu quero chegar, mas sim… isso implica que, muito provavelmente, trata-se de uma linha temporal alternativa esta onde Zack Fair permanece vivo. Será então que a destruição dos Murmúrios mudou uma outra linha temporal, e o destino de nossos heróis no remake continua selado?

Sephiroth lançou uma pista sobre isso.

7 segundos, Cloud

Como já disse anteriormente, algo que fica implícito no remake é que esse Sephiroth, de alguma forma, é o mesmo Sephiroth derrotado por Cloud no game original e mais tarde no filme Advent Children. Ele sabe tudo que vai acontecer, dá pequenas pistas a Cloud (que tem até mesmo uma visão de Aerith morta) e meio que induz o protagonista a eliminar os Murmúrios.

E quando os Murmúrios são eliminados, temos uma interessante cena, onde Sephiroth transporta Cloud e a si mesmo para a Edge of Creation, local onde eles tem seu confronto no game original.

Aqui, após tentar trazer Cloud para seu lado e os dois lutarem brevemente, Sephiroth dá uma dica a Cloud, que precisamos prestar muita atenção.

“Sete segundos até o fim. Tempo suficiente para você, talvez.

Mas o que você fará com isso? Vamos ver.”

Como você deve imaginar, esses 7 segundos não estão aí de forma leviana. Aqui, Sephiroth demonstra o seu conhecimento de tudo o que vai acontecer, e se refere diretamente à morte de Aerith por suas mãos.

Sete segundos é o tempo exato que leva para Sephiroth cair dos céus e assassinar Aerith com sua espada, a Masamune, no jogo original. A dica dada a Cloud é clara: sem os agentes do destino interferindo, sem os Murmúrios, ele tem a chance de impedir que Aerith seja morta desta vez. E ele tem exatos 7 segundos para isso, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Então, dessa vez Aerith sobrevive?

Essa é uma pergunta difícil de responder. Sephiroth falou dos 7 segundos, mas ao mesmo tempo temos os indícios de que, o que mudou foi uma linha temporal alternativa, e não aquela onde o remake se passa. E de qualquer forma, plantar essa dúvida provavelmente foi o plano da Square desde o início.

Afinal, a morte de Aerith é o principal acontecimento do Final Fantasy VII original. É o momento mais marcante do jogo e quiçá um dos mais marcantes da história dos videogames, além de surpreendente (para quem jogou na época). E esse é o ponto: surpresa. Com essa narrativa dos Murmúrios e com as dúvidas geradas sobre a suposta liberdade que o remake tem daqui em diante, a Square conseguiu algo que parecia inicialmente impossível para um remake: deixar os fãs criando teorias. E isso não deixa de ser genial.

São muitas questões levantadas pelo final do jogo. Existem apenas duas linhas temporais? Essas linhas temporais interagem e se cruzam uma com a outra agora que os Murmúrios foram destruídos? E o mais importante para você, o jogador: isso vai afetar a história do próximo capítulo de Final Fantasy VII Remake positiva ou negativamente?

Devemos também lembrar que tanto Final Fantasy VII Remake quanto Kingdom Hearts são dirigidos por Tetsuya Nomura. E viagens no tempo, múltiplas dimensões e linhas temporais alternativas são elementos muito interessantes, mas que se mal trabalhados podem arruinar uma história. E os fãs de Kingdom Hearts sabem disso muito bem, com muitos considerando a história praticamente incompreensível atualmente.

Simplesmente não sabemos o que vem por aí. E isso pode ser bom. Ou pode ser muito ruim.