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Com a chegada do novo Superman de James Gunn aos cinemas, o público finalmente pôde conhecer a primeira peça do reboot completo do universo da DC. Estrelado por David Corenswet, o longa traz uma abordagem mais otimista, leve e fiel às raízes do personagem nos quadrinhos.

Naturalmente, as comparações com O Homem de Aço, de Zack Snyder, são inevitáveis. As duas versões têm estilos completamente diferentes, e isso fica evidente em cada detalhe — do tom à construção do universo, passando pelos personagens coadjuvantes e até mesmo pelas motivações do Superman. E no vídeo de hoje, destacamos as 10 maiores diferenças entre as duas versões do herói.

De semideus distante a herói humano

Uma das mudanças mais marcantes entre O Homem de Aço, de Zack Snyder, e o novo Superman, de James Gunn, está na maneira como o herói é retratado em relação à sua humanidade. A versão de Henry Cavill foi construída como uma figura quase divina, um salvador messiânico que mudava o curso da história humana apenas com sua presença. Ele era reverenciado, temido e tratado como algo separado do mundo — uma força maior que pairava sobre a humanidade. Esse peso existencial o tornava mais distante, trágico e quase inatingível.

Já o Superman de David Corenswet abraça exatamente o contrário. Inspirado diretamente nas raízes clássicas dos quadrinhos, o personagem de Gunn valoriza toda forma de vida, chega a salvar um esquilo e tenta impedir a destruição causada por um kaiju sem precisar matar a criatura. Seu maior poder não é a força kryptoniana, mas a empatia construída por sua criação na Terra.

Um universo já em andamento

Em O Homem de Aço, Zack Snyder escolheu apresentar o Superman como o primeiro herói do mundo, focando totalmente em sua jornada de origem. Não havia outros super-heróis em ação, e o universo cinematográfico da DC começava ali, do zero. Era uma história mais contida, centrada exclusivamente na descoberta dos poderes de Kal-El e na maneira como a humanidade reagia a essa nova presença quase divina.

Já no filme de James Gunn, a proposta é totalmente diferente. O Superman de David Corenswet já vive em um universo estabelecido, onde heróis como Supergirl e Lanterna Verde já existem, e metahumanos são algo comum há 300 anos. Não se trata mais de um mundo que precisa se adaptar à chegada de um alienígena poderoso — e sim de um herói tentando encontrar seu lugar em meio a outros seres extraordinários.

Menos Krypton, mais Terra

Enquanto O Homem de Aço dedica boa parte do seu tempo explorando Krypton e sua cultura, o filme de James Gunn escolhe pular essa etapa completamente. A única conexão direta com as origens kryptonianas de Kal-El é uma mensagem holográfica de seus pais biológicos, Jor-El e Lara. Não há cenas de abertura no planeta, nem o tradicional momento do bebê sendo colocado em uma nave rumo à Terra. O foco está no presente, e não na origem.

Já Snyder mergulha fundo na mitologia de Krypton, mostrando uma civilização avançada, cheia de conflitos internos e decisões desesperadas. O embate entre Jor-El e o Conselho do planeta, além da ameaça representada por Zod, constrói uma base sólida para o dilema de Kal-El na Terra. Além disso, a consciência digital de Jor-El continua influente ao longo do filme, ajudando o filho em sua jornada. É uma abordagem que valoriza o legado kryptoniano de forma muito mais direta e visual.

Do realismo sombrio ao colorido dos quadrinhos

Zack Snyder optou por uma abordagem mais realista em O Homem de Aço, mostrando como o mundo moderno reagiria diante de um ser com poderes quase divinos. Era uma proposta séria, sombria e com peso dramático, que refletia as preocupações políticas e filosóficas que a presença do Superman despertaria na humanidade.

Por outro lado, James Gunn abraça totalmente o lado fantástico e exagerado dos quadrinhos. Seu Superman enfrenta kaijus gigantes, lida com universos de bolso, interage com outros heróis e até conta com a companhia do adorável Krypto, o Supercão. É tudo mais colorido, vibrante e repleto de elementos clássicos das HQs, como vilões excêntricos e aliados improváveis.

Clark Kent finalmente tem destaque

Uma diferença importante entre as duas versões está no tempo dedicado à identidade secreta do herói. Em O Homem de Aço, de Zack Snyder, Clark Kent praticamente não existe como personagem. Tirando os flashbacks da infância, só vamos ver Kal-El assumir o disfarce de repórter no fim do filme, quando ele chega ao Planeta Diário. Ou seja, nunca temos a chance de ver Clark em ação como jornalista — um aspecto fundamental da mitologia do Superman.

Já no filme de James Gunn, isso muda completamente. O Clark Kent de David Corenswet é parte ativa da história, com cenas no ambiente de trabalho, interagindo com colegas e lidando com os desafios de manter uma vida dupla. Essa abordagem resgata um lado essencial do personagem: o homem comum que tenta se encaixar no mundo, mesmo sendo o ser mais poderoso do planeta.

Lex Luthor já é o vilão principal

Reprodução/DC Studios

Uma diferença importante entre os dois filmes é que Superman, de James Gunn, já começa com Lex Luthor como o vilão principal. Interpretado por Nicholas Hoult, o personagem assume o papel de antagonista logo de cara, sem enrolação. Já em O Homem de Aço, o inimigo central foi o General Zod, com Lex Luthor sendo deixado para aparecer apenas em Batman vs Superman, três anos depois.

Essa inversão pode indicar que o novo DCU seguirá um caminho diferente, focando primeiro em ameaças mais humanas antes de escalar para perigos cósmicos.

Jonathan Kent está vivo no novo filme

Em O Homem de Aço, Jonathan Kent morre tentando salvar pessoas durante um tornado. Ele recusa a ajuda do filho para que Clark não revele seus poderes ao mundo. Essa cena controversa espelha a morte de Jonathan Kent também no filme clássico de 1978, dirigido por Richard Donner.

Já no Superman de James Gunn, o destino do personagem é diferente. Jonathan Kent não morre, e ainda compartilha um momento comovente com Clark pouco antes do clímax do filme. É uma mudança significativa que reforça o tom mais caloroso e otimista do novo universo.

Clark e Lois já estão juntos

Em O Homem de Aço, o relacionamento entre Superman e Lois Lane está apenas começando. Eles se conhecem durante os eventos do filme, mas não chegam a formar um casal de fato até Batman vs Superman — e grande parte do envolvimento entre eles acontece fora de cena, entre um filme e outro.

Já em Superman, de James Gunn, Lois e Clark já estão namorando há alguns meses quando a história começa. O romance ainda está no início, e os dois tentam entender se essa relação pode funcionar no meio da vida dupla de Clark. Ao final do filme, o vínculo entre eles ganha mais profundidade e se estabelece de vez como parte importante da nova fase do herói.

Ele sabe que não é o único sobrevivente de Krypton

Em O Homem de Aço, Kal-El começa sua jornada acreditando ser o último de sua espécie. À medida que descobre suas origens kryptonianas, ele acaba enfrentando Zod e outros criminosos vindos do planeta natal — mas todos são destruídos, reforçando sua solidão como único sobrevivente.

No filme de James Gunn, a situação é bem diferente. O Superman de David Corenswet já sabe que não está sozinho. Krypto, o Supercão, vive temporariamente em sua Fortaleza da Solidão, e sua prima, Kara Zor-El, a Supergirl, aparece no final do filme. A existência de outros kryptonianos faz parte do novo status quo, ampliando desde cedo o universo do herói.

Motivações bem diferentes de Jor-El

Em O Homem de Aço, Jor-El envia seu filho à Terra acreditando que ele poderia ser uma força de esperança para a humanidade. Ele explica que, sob o sol amarelo, Kal-El seria fortalecido, mas seu papel principal seria inspirar os humanos — oferecendo a eles um ideal a ser seguido, alguém que os ajudasse a “realizar maravilhas”.

Já no filme de James Gunn, a motivação dos pais kryptonianos é bem mais sombria. Jor-El e Lara teriam enviado Kal-El com a missão de conquistar a Terra e transformá-la em uma nova Krypton. A revelação dessa mensagem ocorre de forma dramática, quando Lex Luthor invade a Fortaleza da Solidão e expõe tudo ao mundo. Ainda assim, mesmo que o filme diga o contrário, alguns fãs acreditam que a mensagem original possa ter sido mal traduzida — o que deixa um ar de ambiguidade no ar.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.