A série de One Piece vem sendo muito bem recebida tanto pelo público quanto pela crítica, e os motivos para isso são óbvios: já é considerada a melhor adaptação live-action de um mangá/anime. Respeitando a obra original de Eiichiro Oda e sem qualquer vergonha de abraçar todos os aspectos mais fantasiosos de One Piece, a série demonstra em cada cena que tem pessoas apaixonadas por trás da produção.
No entanto, mesmo com toda a sua fidelidade, é claro que existem algumas situações que precisam ser resumidas e personagens cortados, em prol de uma narrativa mais fluida para outra mídia – algo que acontecia até mesmo em Game of Thrones. Mas o que mudou em One Piece? Quais são as maiores diferenças que a série oferece em relação ao original? É sobre isso que vamos falar no vídeo de hoje. E se você lembrar de outras mudanças que eu não citei aqui, deixa aí nos comentários.
10 – Garp na execução de Roger

Algumas das maiores mudanças de One Piece para o live-action têm a ver com Garp, cuja primeira aparição no mangá aconteceu no Capítulo 92 (episódio 68 do anime). Na série live-action de One Piece, Garp é quem conduz a execução de Gold Roger. Isso é referenciado novamente no final da 1ª temporada de One Piece, quando Garp se lembra da risada moribunda de Roger enquanto olhava para Luffy.
É compreensível a tentativa da produção em dar mais agência para Garp e colocá-lo em momentos importantes da história de One Piece, mas essa é uma decisão meio estranha, levando em consideração o que sabemos sobre o mangá. Não chega a ser algo impossível de resolver, mas impacta um pouco quando descobrirmos a conexão que havia entre Garp e o Rei dos Piratas.
9 – Garp e Luffy
Além de aparecer no flashback da execução de Gold Roger, Garp desempenha um papel significativo ao longo da primeira temporada de One Piece. O Vice-Almirante serviu como uma espécie de antagonista abrangente dos Chapéus de Palha na adaptação da Netflix, perseguindo o bando de Shells Town até a Vila Cocoyasi, o que não acontece no mangá.
A propósito, hoje em dia todo mundo sabe que o Vice-Almirante Garp da Marinha é o avô de Luffy. No entanto, esta informação não foi revelada aos leitores de mangá até o capítulo 431 e aos espectadores do anime até o episódio 313. Se a adaptação live-action tivesse revelado esta informação no mesmo ponto que o mangá/anime, o público poderia ter esperado até o final da quarta temporada. Porém, a Netflix optou por adiantar esse encontro entre neto e avô e a revelação de seu parentesco.
8 – O Circo de Buggy
O arco de Buggy, o Palhaço, é um dos pontos altos da adaptação da Netflix. Mas também conta com várias mudanças em relação à obra original, a começar pela sua redução. Esse arco dura cinco episódios no anime, envolvendo batalhas com a tripulação de Buggy e um canhão especial que o Palhaço tem em seu navio, capaz de destruir uma cidade.
No mangá/anime, a ocupação de Orange Town por Buggy resultou na fuga dos moradores da cidade, e somente o prefeito ficou para trás, bem como o cachorro Chouchou. Na série, Buggy montou um circo, onde aprisionou todos os habitantes com correntes, que eram obrigados a rir de suas piadas. Essa ideia do circo tornou o personagem muito mais perigoso do que no original, o que foi reforçado pela excelente performance de Jeff Ward.
7 – Arlong captura Buggy
Arlong captura Buggy no episódio 3 de One Piece e leva a cabeça do palhaço para o Baratie. Lá, é revelado que Buggy colocou uma de suas orelhas dentro do chapéu de Luffy, e é por isso que Arlong sabia onde encontrar os Chapéus de Palha. Nada disso acontece no mangá.
Na história original, quando Luffy usa o Gomu Gomu no Bazuka no que restou do corpo de Buggy, ele vai parar em outra ilha, onde tem uma bizarra jornada com Gaimon, um cara que acabou ficando preso dentro de um baú. O Palhaço demora até recuperar os pedaços de seu corpo, e no caminho acaba conhecendo e se aliando à pirata Alvida.
6 – Kaya e Kuro
O plano de Kuro de assumir o controle da propriedade de Kaya foi um pouco diferente no live-action em comparação com o mangá/anime. No original, a doença de Kaya se deve ao luto pela morte de seus pais. Na série, ela foi envenenada lentamente por Kuro, disfarçado como seu mordomo, nos últimos três anos.
No mangá, sua tripulação, liderada pelo primeiro imediato Jango, estava esperando pacientemente pelo início do plano de Kuro, mas na adaptação Jango sequer aparece. No original, a luta entre os Piratas do Gato Preto e os Chapéus de Palha também acontece na praia, não na casa de Kaya.
5 – Koby e Helmeppo
Não apenas Garp teve bastante tempo de tela no live-action, como isso se estendeu também para o treinamento de Koby e Helmeppo. No mangá, isso é visto apenas nas capas de alguns capítulos, adaptados no anime nos episódios 68 e 69. Na obra original, Luffy só reencontra Coby 400 capítulos depois, quando o garoto tem até um upgrade de design.
Já no live-action, Luffy e Koby se reencontram duas vezes depois que o pirata do Chapéu de Palha deixa Shells Town. Koby encontrou Luffy na Vila Syrup, e depois no final da temporada na Vila Cocoyasi. Koby teve um papel muito maior nesta parte da história no na adaptação em comparação com o mangá, o que indica que isso deve seguir ao longo das próximas temporadas.
4 – Don Krieg e Arlong
Don Krieg está na primeira temporada de One Piece da Netflix, mas em um papel muito menor em comparação com o mangá, onde é o vilão do arco do Baratie e tem um confronto com Luffy após citar que suas embarcações e tripulação foram massacradas por Mihawk Olhos de Gavião.
Na série, vemos a cena de Mihawk encontrando os piratas de Don Krieg e destruindo tudo, como foi apenas citado no material de origem. No entanto, aqui Mihawk mata Don Krieg antes mesmo de Luffy chegar ao Baratie. Em vez de enfrentar Krieg no restaurante, Luffy luta contra Arlong naquela que foi uma das maiores mudanças do mangá de One Piece. Substituir Krieg por Arlong simplificou a história e fez de Arlong uma presença maior antes dos episódios do Arlong Park.
3 – Deixados de fora
Alguns personagens bastante lembrados pelos fãs do arco East Blue acabaram sendo deixados de fora. Por exemplo, Johnny e Yosaku, amigos caçadores de recompensas de Zoro, não estão na adaptação de One Piece da Netflix. Originalmente introduzido antes do arco Baratie, Johnny e Yosaku permaneceram próximos dos Chapéus de Palha até o segmento Arlong Park. A série preferiu focar exclusivamente nos Chapéus de Palha originais.
Da mesma forma, uma mudança significativa em relação ao arco da Vila Syrup foi que Ninjin, Tamanegi e Piiman – as crianças que formam os “piratas Usopp” – não apareceram. Os companheiros de Usopp também não foram mencionados ou referenciados sequer como easter-eggs.
2 – Usopp e Kaya
Eiichiro Oda não costuma explorar romances em One Piece. Ele já falou várias vezes que o foco está na aventura e na ação, embora fique bem claro para os fãs que existem personagens feitos para se tornarem casais. Como por exemplo, Usopp e Kaya.
A dinâmica de Usopp e Kaya em One Piece da Netflix é próxima do material original, com as histórias do Grande Capitão Usopp animando Kaya. No entanto, há uma grande diferença em relação ao mangá. Usopp e Kaya se beijam no final do episódio 4 do live-action, o que não acontece no mangá e confirma seu relacionamento como romântico na adaptação.
1 – O Segredo de Nami
O segredo de Nami e o motivo pelo qual ela trabalhava para Arlong permaneceram inalterados na adaptação de One Piece da Netflix. No entanto, no live-action, nem Nojiko nem Genzo estão cientes do acordo de Nami com Arlong. Ambos acreditam que Nami escolheu trabalhar para a pessoa que matou Bell-mère.
Nojiko só descobre a verdade no episódio 7 de One Piece, pouco antes do dinheiro de Nami ser roubado. No mangá, Nojiko e o resto da vila já sabem o que Nami está fazendo o porque está fazendo pouco tempo depois dela se juntar a Arlong.
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One Piece é uma criação de Eiichiro Oda e começou sua serialização pela Weekly Shonen Jump da Shueisha em 1997.
Desde então, se tornou um sucesso comercial e crítico em todo o mundo, com muitos dos volumes quebrando recordes de impressão no Japão.