Comentários
battle scenes

1- Como surgiu a ideia de criar Battle Scenes?

R.: Isso aconteceu há tanto tempo e foi um processo tão traumático que eu consegui esquecer da maior parte dos detalhes, kkkk. O que posso dizer é que houve uma conjunção de ideias e interesses, envolvendo a mim e minha empresa MagicJebb, a Copag e a própria Marvel, e tudo isso acabou resultando em Battle Scenes.

2- Com praticamente 5 coleções, o trabalho de criar cartas e testar deve ser bem maior, o prazo de 4 meses para cada coleção não acaba ficando meio corrido pra vocês?

R.: Nem queira saber… E existe uma porção de outros problemas que os fãs e jogadores sequer imaginam, envolvendo pesquisa, seleção de imagens e temas, área jurídica, etc. Acreditem, mesmo depois de termos ganhado alguma experiência e desenvolvido métodos e práticas que agilizam as tarefas, criar um card game colecionável está longe de ser uma tarefa fácil.

3- Na coleção Poderes Ocultos tivemos um novo tipo de poder, Magia, de acordo com a Copag nas perguntas em que foi revelada Invasão Cósmica, teremos uma nova habilidade. Podemos esperar novas habilidades a cada 2 expansões?

R.: Não. Chegará um momento em que não haverá porque desenvolver novas habilidades ou poderes, quando os poderes existentes serão suficientes para acomodar todos os personagens Marvel. A partir desse ponto, é bem provável que o jogo não tenha novos poderes… o que não impede que outras coisas novas e diferentes surjam.

4- Desde o início, temos 4 tipos de cartas, personagens, suportes, cenários e habilidades. Há algum novo tipo de carta? Ou, pelo menos, algo como tivemos com as cartas EVs?

R.: Por enquanto não há previsão (e se houvesse, meu contrato me impediria de revelar, kkkk), mas, como eu disse na resposta anterior, novas ideias podem acabar surgindo.

5- Há rumores de que seu contrato com a Copag vai até 2015, isso é verdade? De acordo com o que está estipulado nele, o que aconteceria com o Battle Scenes neste caso? (Pergunta enviada por Kleber Kennedy)

R.: Não posso responder essa pergunta de forma direta, revelando informações contratuais, mas posso garantir que investimentos relacionados a BS foram e continuam sendo feitos, o que garante o interesse da Copag em continuar o jogo a longo prazo. De minha parte, Battle Scenes é um de meus maiores sonhos transformado em realidade, e não tenho nenhum motivo para querer que esse sonho (ou essa realidade) acabe.

6- Algumas cartas levantam discussão sobre as suas afiliações. O Patriota de Ferro e o cenário Convocar Mercenários trouxeram a possibilidade de mudar a afiliação de vilões e o Patriota ainda transforma vilões em heróis (seguindo a ideia do Reinado Sombrio). Podemos esperar algo assim para os heróis? Visto que alguns, como o Soldado Invernal e o Demolidor levantam discussões sobre isso (o Demolidor por ser isolado como “Aliados do Demolidor” e o Soldado Invernal por não ter afiliação nenhuma).

R.: É certo que sim. Ainda há muito o que explorar dentro do que nos oferece a mitologia Marvel em relação a afiliações e alinhamentos, e mesmo em relação a personagens solitários como o Demolidor. O tempo dirá como irão acontecer estas e outras interações.

7- BS é um jogo que tem uma dinâmica própria e uma grande relação de sinergia entre as cartas. Qual a ideia base para invasão cósmica? Como sua chegada deve interferir no metagame?

R.: Como você mesmo disse, Battle Scenes possui uma dinâmica própria, que pode e será mais e mais explorada pelo nosso time a cada nova coleção. Cards esquecidos sempre podem acabar ressurgindo graças a outros cards, e Invasão Cósmica certamente irá estabelecer novas tendências de decks, influenciando o metagame. Aliás… se me permitem, tenho plena confiança de que Invasão Cósmica deverá interferir e muito com o metagame. Fiquem de olho!

8- Todas as coleções trouxeram 2 decks (um de heróis e outro de vilões), será que existiria a possibilidade de uma coleção no estilo “Guerra Civil” ou “Vingadores vs. X-men” com decks temáticos de Heróis contra Heróis? Ou vilões contra Vilões?

R.: Estamos sempre de olho em possibilidades deste tipo, mas é difícil definir se algo assim irá acontecer, quando e com que frequência. Há diversos fatores que são considerados durante a confecção dos decks, e um dos principais atualmente envolve agregar os resultados do planejamento da própria Marvel. Como a temática de herói contra vilão é o que norteia os filmes e a grande maioria das sagas dos quadrinhos do mundo Marvel – ainda são poucos os casos em que heróis e vilões repensam seus papeis morais – é bem provável que continuemos seguindo este padrão, pelo menos durante o futuro próximo.

A propósito, uma novidade neste sentido vai poder ser vista já nos decks de Invasão Cósmica. Aguardem!

9- A Marvel vem fazendo um trabalho espetacular no cinema e nos quadrinhos por ter sempre um propósito maior, tudo graças ao planejamento prévio. Enquanto isso, a DC vem pecando justamente por ter uma visão de curto prazo, aproveitando o momento, mas ignorando o quadro todo, o que resultou em fiascos como o filme do Lanterna Verde e Mulher-Gato, mas também em sucessos pontuais como Batman (de Nolan) e Arrow. Seguindo este tipo de pensamento, como você imagina o Battle Scenes em alguns anos? Há um propósito maior no lançamento de cada coleção? (Pergunta enviada por Valclemir Costa)

R.: É impossível de se prever com absoluta certeza o que será feito no futuro. Lá no início, quando Battle Scenes estava começando, tínhamos uma porção de ideias malucas para o jogo que acabaram sendo abandonadas justamente porque o tempo passou, o futuro (hoje!) chegou, e esse futuro acabou nos oferecendo planos e ideias novas e mais coerentes. Enfim… as coisas mudam, e o tempo trás experiência e muitas, mas muitas mudanças de ideia. Acredito que estejamos sabendo aproveitar essa experiência, e isso tende a melhorar o jogo cada vez mais no futuro.

O fato é que, quando se trabalha em um produto envolvendo grandes companhias, qualquer “propósito maior” de um produto acaba se perdendo. O objetivo de cada novo produto ou coleção acaba sendo tão somente e na medida do possível conciliar os diversos interesses que giram em torno dela: corrigir os erros, explorar os acertos, proporcionar a melhor experiência de jogo possível para os fãs, atender os prazos, coisas assim. Pode parecer cruel de minha parte, mas é assim que o mundo corporativo funciona, mesmo em relação ao entretenimento. Por mais que os fãs achem o contrário, mesmo a publicação de quadrinhos, filmes e produtos pela Marvel não segue nenhum “propósito maior” que não seja seguir cronogramas e planejamentos envolvendo marketing, contratos, clientes, negócios e afins. Graças ao talento das equipes e também à sorte de apostas corretas terem sido feitas, tanto a Marvel quanto Battle Scenes conseguem cumprir estes seus papeis de atender o interesse corporativo sem deixar de nos oferecer produtos divertidos que estimulam nossa imaginação.

10- Como você pretende equacionar o uso de algumas habilidades que tem pouco uso? Por exemplo, os ataques mentais são pouco usados, havia a esperança de que eles fossem mais valorizados no deck dos X-men. Achamos, por exemplo, que o ataque mental deveria ter dano penetrante, principalmente contra super força, salvo contra personagens que possuam resistência a eles. Visto que não existe um “escudo” para isso. (Pergunta enviada por Valclemir Costa)

R.: Houve épocas em que o poder de Telepatia teve seu auge, com decks como The Wall, que envolvia muitos cards e esquemas telepáticos. Hoje em dia, as táticas envolvendo Voo – um poder menor, até algum tempo atrás – estão no seu auge. Quer dizer… novas coleções surgem, e reviravoltas no predomínio dos poderes acontecem, e não acho que isso possa ser impedido ou evitado, mas sim manipulado de alguma forma. Sempre examinamos e procuramos definir as características e funções mais coerentes em relação a cada poder, mas este é um processo contínuo, que envolve testes e novas ideias. O que pode ser dito é que novas reviravoltas devem ocorrer – afinal isso é um dos fatores que renova o interesse do jogo e o deixa mais divertido.

11- A Marvel possui vários universos: o tradicional (também conhecido como 616), o Ultimate (onde temos o Homem-Aranha Miles Morales) e alguns outros menos desenvolvidos, como é o caso de Zumbis Marvel, Marvel Noir, Marvel 1602, Marvel 2099, além de outras terras, universos e realidades. Em cada um deles existe uma versão de cada personagem. Em algumas dessas versões há uma diferença gritante entre o personagem original e sua contraparte (como é o caso do Norman Osborn Ultimate e o 616). Apesar de já existirem cenários que falem de universos paralelos, você já pensou em lançar personagens com nomes de universos diferentes? Por exemplo, “Homem-Aranha Ultimate, com alter-ego Peter Parker”, para que assim eles possam coexistir em cena?

R.: Confesso que, quando começamos a desenvolver o jogo, em 2012, não havia qualquer planejamento neste sentido, e nosso foco girava quase exclusivamente em torno do aprimoramento da mecânica de Battle Scenes. Hoje em dia, os tantocentos universos Marvel são uma realidade com a qual estamos começando a travar contato, algo do que pretendemos tirar cada vez mais proveito nas coleções futuras do jogo.

12- Alguns personagens também levantam discussões sobre suas habilidades (Gambit, apesar de ser um dos mais ágeis dos X-men não possui agilidade ou o Homem-Aranha, que segundo a Marvel tem força de 20 tons – mais do que Cyber que tem 10 tons – não possui super força), em alguns casos isso acaba fazendo com que eles sejam pouco usados. Outro cenário seria alguma coleção trazer uma habilidade natural de certo personagem e suas versões antigas não a possuírem. Há a possibilidade de uma reimpressão/upgrade para esses dois casos?

R.: Quando se trabalha com um jogo temático, é impossível ignorar os parâmetros das regras do jogo no desenvolvimento de seus componentes. No caso dos card games, ainda existem parâmetros extras, como prazos e equalização de características, que muitas vezes vão contra a temática Marvel. Além disso, não posso negar que diversos cards mais antigos seguiram critérios de desenvolvimento que se tornaram obsoletos, e que, se tivessem sido desenvolvidos hoje em dia, tais cards seriam diferentes. Também não posso negar que um dos critérios que ainda usamos na definição das raridades dos cards é o simples corte ou acréscimo de poderes. Enfraquecer um card o torna mais comum e fortalecê-lo eleva sua raridade. Em suma, há diversos detalhes que temos de levar em conta ao desenvolver o jogo, incluindo o “flavor” Marvel, e é impossível acomodar todos eles.

Impressões e revisões de cards acontecem seguidamente nos decks, e temos planos para lançar em breve um site-catálogo de Battle Scenes, que vai disponibilizar os cards e centralizar todas as correções e atualizações dos textos e mesmo os FAQS de cada card. Em relação ao upgrade e mesmo ao downgrade de certos cards, por enquanto não há planos em relação a isso, mas acredito que este site-catálogo sirva como referência e norteie nossas ações também nesse sentido.

13- Sobre os personagens, qual o critério para escolher a raridade da carta? Pergunto porque personagens com relativo destaque no Universo Marvel (como Nimrod e Raio Negro) saíram como Ultra e Super, enquanto que outros mais poderosos, ou ao menos mais conhecidos do grande público (como o Surfista Prateado) saíram como comuns.

R.: E Wolverine saiu como ultra-rara e também como comum, kkkk… Falando no carcaju, certa vez eu me deparei com uma história crossover Marvel vs. DC em que o personagem Lobo enfrentou o Wolverine e acabou derrotado. Quem conhece estes dois personagens sabe o quanto o Lobo é mais forte que o Wolverine, mas isso não impediu que as editoras colocassem o confronto em votação e os fãs de Logan “ganhassem” a luta pra ele. Muita gente discordou e achou absurdo, mas a história foi publicada mesmo assim.

Há diversos parâmetros que podem definir o grau de força dos personagens em BS. Um dos mais simples envolve a própria raridade dos cards – cards mais raros tendem a ser mais fortes, mesmo representando personagens aparentemente mais fracos. Um segundo critério poderia envolver o próprio temperamento do personagem, o que justificaria a falta de poder do Surfista Prateado BSUM, que corresponde à versão mais pacífica e reclusa de Norrin Radd.

Algum tempo atrás (quando ainda tinha tempo, kkk) eu costumava jogar Marvel Avengers Alliance no facebook, e meu time sempre tinha um Wolverine, que acabava ganhando as batalhas praticamente sozinho. Já quando eu tentava usar uma Mulher-Hulk ou um Coisa, eu perdia porque eles eram muito “fracos”. Quem viu o ótimo filme dos Guardiões da Galáxia deve ter estranhado que um personagem fortíssimo como Drax tenha levado a sova que levou de Ronan, e mesmo de Korath. Assim como acontece com Avengers Alliance, e com tantos outros jogos, filmes e desenhos que há por aí, o que deve ser considerado em primeiro lugar é que Battle Scenes é um jogo, e justamente por ser um jogo nem sempre irá refletir exatamente o que acontece nos quadrinhos. Isso pode ser visto em cards de personagens como Pyro e Homem-de-Gelo, cujos poderes (Ataque Energético, Elasticidade, Voo) pouco ou nada têm em comum com fogo e gelo, mas que cumprem bem seus papeis dentro da mecânica de Battle Scenes.

14- Como você encara as cartas feitas por fãs? (Pergunta enviada por Cleriston Oliveira)

R.: Acho sensacionais as criações dos fãs, mas não gosto de sentir que copiei as ideias de ninguém em meu trabalho, por isso tenho procurado manter distância dessas criações. Acredito que iniciativas como concursos de criação de cards são excelentes desde que contem com o aval jurídico da Copag, permitindo que possamos avaliar os resultados, e mesmo usá-los no jogo, de uma forma legalmente correta, que beneficie tanto Battle Scenes quanto os criadores de cada ideia.

15- Qual o motivo da decisão de traduzir alguns nomes? O Hipérion, por exemplo, no Brasil é Mark Milton, mas na carta dele vem “Marcus Milton”. (Pergunta enviada por Cleriston Oliveira)

R.: Durante o desenvolvimento de BS, consultamos informações e publicações da Marvel tanto dos EUA quanto do Brasil, e nem sempre conseguimos acesso completo ou coerente às referências brasileiras para os personagens e eventos Marvel. Dedico bastante tempo à pesquisa, mas, dado o volume de material já publicado pela Marvel em português, nem sempre encontro a referência correta para o que estava procurando. E não se pode esquecer que as próprias versões em português dos quadrinhos e até dos filmes podem apresentar erros ou discrepâncias que podem atrapalhar nosso trabalho. Ou será que ninguém aí percebeu que a Nebula virou Nebulosa nas legendas do filme dos Guardiões da Galáxia? Pois é, isso acontece bastante – inclusive com a gente!

Obrigado pelo tempo e saiba que somos grandes fãs do jogo, espero que goste do conteúdo que postamos aqui sobre o game.

Agradeço a vocês pelo apoio. Abração e boa jogatina! 😉

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.