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A Nintendo passou os últimos anos avançando dentro do mercado brasileiro – um avanço lento, mas que em 2024 parece indicar que a empresa está mais e mais investida por aqui. Durante a BGS 2024, tivemos a chance de conversar com Romina Whitlock, graças à uma colaboração com o jornalista Victor Ferreira através de um convite da própria empresa.
“Os fãs estão gratos – e o que acho que é a melhor parte de ter jogos localizados, como vocês bem sabem aqui, é quase uma nova experiência de jogo quando você lê na sua própria língua”, disse Romina Whitlock, diretora de marketing para a América Latina da Nintendo of America, em entrevista com O Vício na BGS 2024. “E também estamos tentando ser bem autênticos ao jogo – como ele foi escrito e o que acontece nele –, mas também à língua e cultura brasileiras. E isso é muito importante, acho, quando alguém está jogando.”
Depois de trazer seus principais lançamentos do ano – inclusive o recém-lançado e aclamado The Legend of Zelda : Echoes of Wisdom – com localização em português do Brasil, a perspectiva é de que a Nintendo continue a expandir cada vez mais sua presença.

Especialmente graças ao trabalho de adaptar esses jogos à cultura e linguagem locais.
“Temos brasileiros nativos fazendo [a localização]. Não usamos pessoas que nasceram nos EUA e estudaram [português] e até talvez sejam fluentes”, explicou. “Tem algo sobre fazer a tradução com as referências culturais que só um brasileiro poderia entender, que façam o jogador pensar ‘nossa, eles estão falando para mim’.
Whitlock reforça que isso deve se seguir durante os próximos meses, já que o restante dos jogos da Nintendo de 2024 – Super Mario Party Jamboree, Mario & Luigi: Brothership e Fitness Boxing 3 – vão ser localizados em PT-BR. Presumivelmente, o mesmo deve acontecer em 2025 com jogos como Metroid Prime 4.
A grande exceção, por enquanto, são os remasters e remakes de jogos antigos lançados para o Switch, como Paper Mario: The Thousand-Year Door e Luigi’s Mansion 2 HD. Mas, pelo menos neste caso, o público brasileiro não é o único.
“O jeito que a localização funciona para nossos jogos é que temos uma equipe bem pequena, e a Nintendo não terceiriza isso”, indicou Whitlock. “Por isso seria extremamente difícil para a equipe trabalhar em lançamentos contínuos, e de repente fazer um do passado.”
Ainda assim, há várias lacunas quanto ao que a Big N oferece ao público brasileiro comparado a mercados da América do Norte e Europa, especialmente em relação aos seus produtos físicos – sejam consoles ou merchandising.
“Nosso modelo é um de distribuição – o que significa que vendemos a um distribuidor local, e ele redistribui via lojas de varejo.”
Isso significa que a Nintendo conta com uma presença direta bem mínima no país, não contando com armazéns ou lugares para estocar seus produtos.
Por isso, por exemplo, as recompensas do programa MyNintendo por aqui estão limitadas ao espaço virtual, e não conta com itens físicos como acontece nos EUA e Canadá, por exemplo. E, pelo menos por ora, muito disso ainda deve se manter.
“Estamos bem no começo, e eu entendo que já faz quatro anos. Mas somos uma empresa de movimentos conservadores, que gosta de fazer as coisas lentamente e com precisão para garantir que elas sejam bem feitas. Então fazer algo assim seria pular vários passos.”
A longo prazo, porém, essa situação pode mudar.
“[…] Pessoas que têm cargos bem mais altos do que eu estão sempre olhando bem mais longe, de cinco a dez anos”, diz Whitlock. “E posso te dizer que a América Latina, e especificamente Brasil e México, são bem estratégicos para esta empresa. Então alguém em um nível bem mais alto com certeza está pensando nisso”, termina rindo.
Isso se estende tanto ao público quanto aos desenvolvedores brasileiros: ao ser perguntada se é possível que um estúdio local tenha uma parceria tão forte com a Nintendo quanto uma produtora como a MercurySteam, de Metroid: Samus Returns e Metroid Dread, Romina Whitlock parece bem otimista.
“Temos um departamento inteiro dedicado a isso, o PDR: Product Development Relations [Desenvolvimento de Produtos e Relacionamentos]. Eu não faço parte desse departamento, mas estou sempre em contato com eles sobre desenvolvedores latino-americanos.”
“E acredito que sim, existe essa possibilidade”, disse. “Ouvimos coisas maravilhosas sobre o desenvolvimento de games por aqui. Eu conheci pessoalmente vários desenvolvedores, eu sei que há muita paixão dentro deles, e existe uma vontade de trabalhar [juntos] vindo da Nintendo.”
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O desenvolvimento, supostamente, ficou sob responsabilidade da ILCA, de Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl.
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