
O termo “robô” foi introduzido e popularizado pelo famoso escritor tcheco Karel Capek, que utilizou a palavra para chamar os trabalhadores artificialmente criados de sua peça R.U.R., cuja tradução livre é “Robôs Universais de Rossum”.
Escrita em janeiro de 1921 e precursora da ficção científica distópica de autores como Orwell e Huxley, a peça contava com servos criados de maneira artificial, mas praticamente, indistinguíveis dos humanos – os robôs – que realizavam trabalhos manuais para os seus mestres humanos.
Assim como diversas obras do gênero, como as aclamadas “Matrix”, “O Exterminador do Futuro” e “Westworld”, a produção escrita gira em torno da revolta das máquinas contra seus criadores e o possível início de uma nova era tecnológica puramente robótica.
A evolução da discussão sobre humanos e máquinas
Entretanto, nos últimos anos, temos visto uma evolução da simples discussão entre robôs como meros servos das necessidades humanas e do arco revolucionário para passar a temas mais profundos, como os diversos outros tipos de relações entre pessoas e máquinas e até mesmo o que significa ser humano quando é possível criar um ser indistinguível do “real”.
O diretor Denis Villeneuve já vinha explorando reflexões deste tipo desde o recente clássico “A Chegada” e foi a escolha perfeita para avançar o debate com o filme “Blade Runner 2049” já que o original é provavelmente o melhor exemplo da exploração deste tópicos.
Sem entrar no campo de possíveis spoilers, na continuação, o protagonista K, que diferentemente de Deckard no filme original é apresentado como um androide sem qualquer ambiguidade, é acompanhado durante sua jornada por uma assistente, companheira holográfica e melhor amiga, chamada Joi, ela mesma outra espécie de inteligência artificial.
O fato de ser possível se identificar com K e levar em conta suas emoções como reais sem qualquer dificuldade ou pausa para consideração – mesmo sabendo que ele é uma máquina – e o fato dele mesmo ter um relacionamento com a Joi, por vezes similar ao apresentado em “Her”, trazem à tona todo um novo nível de profundidade que trata sobre quão humanas estas máquinas realmente podem ser.
Os paralelos entre as relações de Deckard e Rachel no primeiro filme e K e Joi no segundo, apesar dos possíveis problemas que já foram discutidos em outros artigos, demonstram uma evolução nas possíveis interações e considerações entre “humanos e máquinas” e “máquinas e máquinas” que atualmente são aceitas e consideradas como válidas e sinalizam um potencial de integração ainda maior.
Novas possibilidades
Grandes fãs da série irão se recordar que o lema da extinta empresa Tyrell no primeiro filme era “More Human Than Human” (“Mais Humano que Humanos”), e parece que é aí que reside a verdadeira chave para o futuro das relações humanas com máquinas que realmente tem a maior possibilidade de acontecer.
Após o estabelecimento de que, pelo menos, algumas inteligências artificiais mais avançadas são tão válidas quanto inteligências “naturais”, o próximo passo lógico é a combinação entre os dois tipos similares de organismos inteligentes.
Já foram apresentadas conexões e fusões deste tipo em filmes como “Chappie” e “O Homem Bicentenário“, o anime “O Fantasma do Futuro” (Ghost in The Shell) e o livro clássico “Neuromancer” – apenas para citar alguns – e ideia de combinar as partes com as melhores características para criar um todo imbatível é muito explorada em diversos segmentos.
No momento, a união entre seres orgânicos e artificiais inclusive saiu da ficção e vem sendo explorada nos últimos anos por alguns dos grandes expoentes da tecnologia, especialmente o bilionário visionário Elon Musk, que é conhecido como o Tony Stark da vida real ou a fusão perfeita entre Thomas Edison e Nikola Tesla para o século XXI.
O desenvolvimento do “neuralink”, que pretende integrar um cérebro humano comum com as capacidades de computadores conectados à internet e futuras inteligências artificiais, é a sua mais nova tecnologia e o maior passo na direção entre a integração completa entre humanos e máquinas e representa um dos maiores passos em direção a chamada “singularidade” – a união perfeita entre humanos e máquinas.
Esta e outras tecnologias que estão sendo criadas trarão em breve os dilemas sobre existência e identidade destas obras diretamente para o mundo real e assisti-las e debater sobre estes tipo de tema antes do surgimento delas é uma das melhores maneiras de estar preparado para o que eventualmente pode acontecer.




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