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A grande novidade no mundo dos quadrinhos dos X-Men essa semana foi a revelação de que o Homem de Gelo é gay, nas páginas de All New X-Men #40.

A polêmica surgiu imediatamente, até porque os X-Men sempre tem sido usados como alegorias metafóricas para as minorias no Universo Marvel. Este status metafórico também esteve presente nos filmes do diretor Bryan Singer, que é abertamente bissexual, e a Entertainment Weekly conversou com ele a respeito de sua opinião sobre o Homem de Gelo sair do armário e como isso se relaciona com seus filmes.

“Bem, eu acho que é algo interessante que nos primeiros filmes ele desenvolve um relacionamento com uma garota que ele é fisicamente incapaz de tocar” disse Singer. “Há algo subtextual nisso.Eu não tenho certeza se eu necessariamente pensava nisso no momento, mas há algo irônico sobre isso no primeiro e no segundo filme, estou me referindo ao seu relacionamento com Vampira, interpretada por Anna Paquin. E no terceiro, que é o filme que eu não dirigi, o Homem de Gelo começa a desenvolver um relacionamento com Kitty Pryde, algo que eu dei continuidade em ‘Dias de um Futuro Esquecido’, e que é ainda mais coincidência, porque Ellen Page recentemente se declarou gay. Então, isso dá um tom ainda mais bem-humorado na coisa toda.”

Singer continua dizendo que ele não necessariamente acredita que seus filmes preparavam um Homem de Gelo homossexual, mas que ele não gosta de ver seus filmes e histórias em quadrinhos da Marvel sendo espelho uns dos outros.

“O importante a se lembrar nas histórias em quadrinhos é que você está sempre lidando com universos”, Singer explicou. “Em uma encarnação um personagem pode voar e em outra ele pode ser mal, em outra ele pode ser gay, e em outra pode ser hétero. Mas nesta encarnação eu estou me divertindo com a ironia de tudo isso e como se relaciona com meus filmes, especialmente com uma menina que quer ter mais intimidade com o cara mas não pode. Estou animado e é bem divertido que essa ideia tenha sido capaz de surgir.”

Singer também comentou sobre a cena onde Bobby “sai do armário” metaforicamente falando, ao se revelar a seus pais como um mutante em X-Men 2.
“Como um cara gay ou bissexual, que é o que eu sou, eu não sei se estava preparado naquele momento da minha carreira para tocar nessas questões em um filme” disse Singer. “Assim, a cena em que ele se revela para seus pais era apenas uma cena de humor. E isso sempre foi algo muito específico, no que diz respeito à comunidade LGBT. Você nasceu em uma família ou bairro que você pode se identificar. Uma pessoa de uma determinada religião ou raça é nascida em uma comunidade com fé e atributos físicos semelhantes. Mas uma pessoa LGBT é nascido em um mundo – usando o exemplo dos X-Men – como um mutante. E é claro que que seus pais não são mutantes, os irmãos e irmãs podem não ser mutantes. E eles sentem um tipo único de solidão. Eu sempre senti que isso fazia sentido de ser inserido no universo dos quadrinhos.”

Apesar de tudo, Singer esclarece que ele nunca escreveu o Homem de Gelo com qualquer coisa escondida.

“Não, não. Não era como ‘Okay, Bobby Drake é o meu personagem gay’. Talvez inconscientemente eu possa ter pensado que era uma possibilidade. E isso porque há alguma lógica nisso. No cinema, ele desenvolveu afeição por uma garota que ele sabia que não poderia ter uma verdadeira intimidade. Então é claro que é um a alegoria a ser feita, e sempre foi.”

Bryan Singer volta ao universo dos X-Men em X-Men: Apocalypse, que estreia em 27 de maio de 2016

 

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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