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O crime organizado não se importa com os meios e tende a buscar alternativas criativas para lavar dinheiro sem ser detectado. No Japão, criminosos têm apelado para um item cada vez mais valorizado no mercado por nostálgicos colecionadores: Cartas Pokémon.

Conforme destaca uma matéria da Shunkan Gendai, criminosos, incluindo ladrões de bancos e golpistas, têm recorrido a esse meio pois as cartas são fáceis de esconder e transportar para o exterior.

Entre os golpistas que aplicam o golpe do bilhete premiado, não são poucos os que estão trocando o dinheiro roubado por cartas de Pokémon em grande quantidade. Dinheiro sujo não se pode depositar no banco, ou carregar em espécie. Há o risco de ser roubado. Já as cartas de Pokémon são fáceis de esconder, e se levar para o exterior e trocar por dinheiro no local, é difícil serem rastreadas.“, disse um ex-líder de um grupo criminoso organizado.

Existe todo um processo organizado para garantir a eficiência da operação. Os criminosos recorrem a revendedores que utilizam detectores de metais e dispositivos de pesagem altamente sensíveis, que determinam se um pacote fechado contém uma carta Pokémon rara. Em seguida, abrem os pacotes contendo as cartas valiosas e as vendem individualmente a preços elevados para recuperar o dinheiro de forma limpa.

Cartas raras de um certo valor possuem um revestimento de alumínio, então, passando os pacotes por detectores de metal e balanças de alta precisão, é possível identificar, sem abrir, os pacotes com maior probabilidade de conterem cartas raras“, revelou um revendedor à reportagem. “Além disso, usando um método secreto, podemos até mesmo estimar o nível de raridade da carta dentro do pacote.

Aliás, é importante ressaltar que existe uma distinção entre revendedores comuns e criminosos. Nem todos os que lucram com esse negócio estão envolvidos em lavagem de dinheiro do crime organizado.

Jornalista que assina a matéria, Yuki Okukubo presenciou um revendedor e seu parceiro levarem uma hora e meia para analisar cerca de 1.200 pacotes. As cartas raras foram recolhidas e vendidas individualmente. Os packs não abertos foram colocados à venda fechados em plataformas de e-commerce, ou direcionados a empresas que os utilizam como prêmios em máquinas de pegar pelúcia.

Segundo o revendedor, cada caixa com 30 pacotes gera um lucro de cerca de 5.000 ienes (R$ 198,60 na cotação atual). Tendo trabalhado com 3.000 caixas, ele estima ter lucrado cerca de 15 milhões de ienes (R$ 595.799,70 na cotação atual).

Você deve estar se perguntando: onde as cartas raras são vendidas? Os revendedores comuns usam plataformas digitais, incluindo populares sites de leilões online japoneses. Para os criminosos, a situação pode ser um pouco mais complexa, pois o não rastreamento é mais garantido quando as cartas são transportadas para o exterior.

Agora, resta saber qual será o impacto desse movimento nas autoridades globais, que não vão ficar de braços cruzados enquanto criminosos usam do mercado do colecionismo para limpar dinheiro sujo.

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Fonte: Shunkan Gendai

Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.