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CEO da Epic Games, Tim Sweeney criticou a política da Valve que obriga desenvolvedores a informar quando utilizam inteligência artificial generativa durante a produção de jogos publicados na Steam.
A exigência, na visão do executivo, prejudica os estúdios ao criar um estigma em torno do uso da tecnologia e dificultar o sucesso comercial de seus projetos.
Desde 2024, a plataforma realmente solicita que desenvolvedores informem se utilizaram IA generativa na criação de seus jogos. Essas informações aparecem na página do título na loja, em uma seção chamada “AI Generated Content Disclosure”.
A política foi atualizada em janeiro deste ano para esclarecer que a divulgação é necessária principalmente em dois casos:
- quando a IA é utilizada para gerar conteúdo presente no jogo;
- quando conteúdos produzidos por IA podem ser criados durante a jogabilidade.
Por outro lado, ferramentas baseadas em IA voltadas para produtividade, como assistentes de programação, não precisam ser declaradas.
Em entrevista ao PC Gamer, Sweeney afirmou que a política coloca os estúdios em uma posição difícil, principalmente aqueles que desejam alcançar o maior público possível.
“É lamentável que estejamos nessa situação. É lamentável que tantos desenvolvedores agora sejam colocados nessa posição.”
Segundo ele, informar a utilização de IA acaba incentivando parte da comunidade a atacar determinados jogos.
“Se você quer lançar um jogo e obter a maior divulgação possível, precisa colocá-lo na Steam para que as pessoas possam adicioná-lo à lista de desejos. Mas, para isso, você precisa carregar essa ‘letra escarlate’ da IA anexada ao seu produto, e então surge uma comunidade de pessoas tentando destruí-lo,” acrescentou.
“Acho isso muito irresponsável por parte da Valve. Eles não deveriam fazer isso, porque torna muito, muito, muito mais difícil para um desenvolvedor ter uma chance de sucesso. Você acaba tendo que escolher entre não usar ferramentas que podem torná-lo muito mais produtivo ou correr o risco de fracassar diante da concorrência que as utiliza,” completou.
As declarações de Sweeney acontecem em um momento em que a Epic vem reforçando sua estratégia de integração entre inteligência artificial e o futuro da Unreal Engine 6.
Durante a State of Unreal, realizada recentemente em Chicago, a empresa demonstrou como grandes modelos de linguagem, como Claude e Gemini, poderão ser utilizados diretamente dentro da nova versão da engine.
Em uma das demonstrações, a Epic utilizou comandos em linguagem natural para decorar automaticamente um apartamento virtual com objetos da biblioteca de assets. Em outra apresentação, a IA alterou a iluminação de uma cidade ao modificar o horário do dia por meio de um simples comando de texto, além de usar uma fotografia estática como referência para transformar o cenário.
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Fonte: PC Gamer