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Em fevereiro de 2020 estreia no Netflix a série Locke & Key, de criação de um dos mestres do terror atual, Joe Hill, filho de ninguém mais ninguém menos, que outro mestre das histórias apavorantes, Stephen King. Recentemente, Hill recebeu um selo de quadrinhos próprio, o Joe Hill Comics, dentro do selo adulto Black Label da DC Comics. Neste selo ele coordena roteiristas e desenhistas em por volta de seis títulos diferentes, todos eles enveredando pelo caminho do suspense e do terror. Mas antes do filho de Stephen King ter ganhado tamanha notoriedade no circuito dos quadrinhos, em 2008, ele começou a fazê-los na Editora IDW, ao lado do desenhista Gabriel Rodriguez. Tratava-se da série de Locke & Key, uma das histórias de terror em quadrinhos mais inventivas e divertidas que eu já tive a oportunidade de ler. 


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A série acompanha os três irmãos Locke e sua mãe, que, após a morte trágica do pai, vão morar em uma antiga casa. Lá eles encontrarão chaves que lhes concederão os poderes mais diversos.Um enredo tão fantástico com esse não ficaria por muito tempo longe de uma adaptação audiovisual e Hill vem negociando essa transição de mídias desde que a séire começou a sair nos Estados Unidos. Mas isso não impediu que a série de TV de Locke & Key, passou por diversos percalços até que sua produção chegasse ao Netflix. Entre 2010 e 2011, ela seria produzida pela Fox Productions através da Dreamworks, mas acabou sendo abandonada depois que o episódio piloto não atingiu às expectativas do estúdio. Já entre 2017 e 2018 foi produzido outro piloto, dessa vez pelo canal de streaming Hulu, o mesmo que faz a série dos Fugitivos da Marvel, mas que também acabou desistindo da série e oferecendo-a a outras redes. Foi então que o Netflix assumiu a primeira temporada.

Agora vamos falar sobre o conteúdo da série em si. Quem não gosta de uma boa história de suspense? É como este tipo de história que Locke & Key se apresenta a princípio. Um assassino volta para acabar de matar toda a família. Nas últimas páginas, da primeira edição, entretanto, o pequeno Bode descobre uma chave que, ao passar por uma porta, permite que ele se torne um fantasma. Assim a diversão começa. O garoto passa a procurar todas as outras chaves mágicas escondidas na casa. Claro, não sem antes passar por grandes perigos e libertar um mal ancestral que os assombrará durante as edições vindouras. 

A imaginação de Hill nos leva a conhecer chaves com poderes mais comuns, como aumentar de tamanho a coisas incríveis como a chave que abre nossa cabeça e dentro dela enxergamos nosso relevo mental. Desse jeito, aquele que possui essa chave pode tirar ou colocar coisas dentro da sua cabeça. Uma grande maneira de decorar aquela receita, ou a lição de inglês. Ou ainda, tirar da memória aquele ex chato. E a cada chave descoberta, abrem-se não apenas portas, mas novas possibilidades, dependendo sempre de quem tem as possui. Os personagens são bem desenvolvidos e até mesmo os coadjuvantes tem espaço para se expressar, garantindo uma trama bem construída.

A série tem bons argumentos, bons desenhos, e não é feita apenas de instantes de suspense e horror. Tem um lado psicológico bem desenvolvido, principalmente depois que a poeira assenta. Para exemplificar como o roteirista consegue extrair instantes singelos em meio ao terror, há uma hora em que a mãe da família descobre um armário que, colocando um objeto quebrado dentro dele, fechando o com uma chave especial e abrindo-o novamente, este objeto se restaura. Ela começa a consertar tudo que tem de estragado na casa. Até que ela coloca as cinzas do marido no armário. Mas ele não volta. A mãe começa a brigar com todos os filhos e acaba quebrando as louças da casa e a urna funerária. No fim da história a família está em pedaços, assim como as louças, e não há chave que consertará isso. 

Locke & Key, originalmente nos quadrinhos, não é feita de números contínuos, mas de pequenas minisséries de seis edições cada. São, no total, até aqui, três atos. Esses atos, ao que aparenta, serão transformados nas três temporadas da série de televisão. No Ato Um constam os arcos Welcome to Lovecraft e Head Games, o Ato Dois contém os arcos Crown of Shadows e Keys to the Kingdom, e o Ato Três é composto por Clockworks (que em sua concepção original teria o título de Time & Tide), e Alpha & Omega, originalmente lançada como dois arcos diferentes, – com esses mesmo nomes, Alpha, e Omega – e por isso é o único arco com sete edições. Além dos três Atos principais, a série conta com uma série de seis one-shots, intitulada The Golden Age, que se passa no passado. Hill anunciou também outras continuações no passado que tratariam da World War Locke, que traria one shots das chaves em diversas situações bélicas pelas quais passaram os Estados Unidos. 

O trailer da série de Locke & Key saiu na internet no começo de janeiro de 2020 e, pelo que pude conferir, e você pode conferir no link abaixo, teve muitos elementos visuais e narrativos bastante fiéis aos quadrinhos publicados pela IDW. Se pelo trailer ele parece uma série mais fantástica que lembra Jumanji, Zathara ou ainda Desventuras em Série, mas não se engane, a história possui muitos elementos assustadores e mórbidos, ficando bem próximo de trabalhos do pai de Joe, Stephen King, como O Iluminado, It, a Coisa e Carrie, a Estranha. Se a série televisiva de Locke & Key seguir o ritmo e conteúdo dos quadrinhos certamente será muito empolgante de acompanhar. E, quem lê os quadrinhos vai saber antes o que pode vir por aí e tomar mais ou menos sustos no processo. Locke & Key está sendo publicado no Brasil pela editora Geektopia e pode ser encontrado à venda neste link para o primeiro volume e neste outro link para o segundo volume, que está em pré-venda. Lembrando que os dois fazem parte da adaptação para a primeira temporada. Divirta-se!




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