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A newsletter sem título do O Vício chega à sua sexta semana! Nesta edição, trago conteúdo inédito: uma descrição não comprometedora da trama de Behemoth!, longa que promete chegar forte na corrida do Oscar. Além disso, compartilho dicas sobre o que sei de Lanternas e o que esperar do painel da Marvel na San Diego Comic-Con deste ano.
Esta é mais uma edição editada e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). Mais uma vez, muito obrigado pela recepção ao formato, que segue sendo um grande sucesso.
Ainda nesta edição: por que a Globo está tendo problemas com a CazéTV e uma dica cultural de mais um dos melhores filmes de Michael Mann. Ele tem aparecido com frequência por aqui, já reparou?
Nenhum mal escapará ante a minha presença

Um grupo muito seleto de pessoas já assistiu aos quatro primeiros episódios de Lanternas. Elas devem participar da primeira etapa da junket da série, que deve ocorrer na semana da San Diego Comic-Con (de 23 a 26 de julho). Bastou isso ser revelado publicamente para que começassem a surgir supostos vazamentos sobre a produção.
Bem, não vou reproduzir nada disso aqui. Além de não ter assistido aos episódios, estou na expectativa de que O Vício participe da cobertura antecipada. Por cortesia a nossa boa parceira Warner, vamos respeitar o embargo, mesmo que ainda não tenhamos assinado um formalmente.
Vale ressaltar que não conheço ninguém que tenha tido acesso aos episódios, portanto, não tenho como confirmar a veracidade do que tem circulado por aí. No entanto, tenho minhas próprias informações sobre o período de produção da série. Não serei específico por ora, mas deixo um dever de casa para os meus estimados leitores. Leiam as seguintes HQs:
- Green Lantern Secret Files and Origins 2005
- Lanterna Verde #1 a #3 do run clássico do Geoff Johns
- Lanterna Verde: Origem Secreta (das edições 29 a 35 do run clássico de Goeff Johns)
- Lanterna Verde #87 de 1971
- Lanterna Verde #25 de 1992
- Lanterna Verde: Tigres/Green Lantern Corps Annual #2 (1986)
- Odisseia Cósmica
Há outras HQs além destas, mas as abordarei futuramente. Esta lista serve para você se preparar para o que está por vir. Não estou dizendo que os personagens ou eventos específicos delas serão obrigatoriamente adaptados. Mas, as selecionei porque contêm elementos — ainda que estruturais — que estão compondo o terreno de Lanternas.
A propósito, antes que você tire as calças pela cabeça, saiba que o contrato de Kyle Chandler prevê participação em todos os oito episódios de Lanternas. Não se preocupe com o tempo de tela. O intérprete de Hal Jordan terá praticamente o mesmo tempo de tela de Aaron Pierre.
A busca que nunca tem fim

Se vai ser indicado ou não, é difícil prever agora, mas Behemoth! com toda certeza será um dos filmes debatidos na corrida do Oscar. Aliás, um trailer está na cara do gol para ser lançado.
O que esse filme de Tony Gilroy (o criador de Andor) estrelado por Pedro Pascal tem de tão especial para concorrer ao Oscar? Bem, tenho detalhes exclusivos sobre a trama. Vou tentar não estragar as principais viradas.
A trama de Behemoth! acompanha Alex Serian, um violoncelista genial de quase 50 anos que retorna a Los Angeles após um longo período fora. A narrativa se alterna entre diferentes linhas temporais, reveladas por meio das memórias do protagonista enquanto ele participa de intensas sessões de gravação para a trilha sonora de um blockbuster de Hollywood.
Alex carrega traumas profundos, sendo o mais avassalador o encerramento forçado de sua carreira como músico de elite em Minneapolis. No presente, ele enfrenta dificuldades para se conectar à comunidade frenética e superficial dos músicos de estúdio em Los Angeles. Ali, ele lida com o cinismo dos colegas, a pressão pela perfeição técnica e o relacionamento conflituoso com o irmão, Andy — um músico fracassado que busca relevância através de um podcast sobre o legado de seu falecido pai, um renomado compositor hollywoodiano.
Esta é uma história sobre herança e a solidão de um artista, contada a partir do ponto de vista de quem busca sem parar por verdade e conexão na vida.
Alex é assombrado pelo fantasma de seus relacionamentos passados e pela figura autoritária e autodestrutiva do pai, lutando para processar uma vida marcada por excessos, talento desperdiçado e pendências emocionais. Embora o drama seja o alicerce, a estrutura narrativa é próxima de um suspense. Alex é como um detetive de si mesmo, investigando as sombras de sua própria trajetória.
Para este projeto, Gilroy foi atrás de sete compositores de Hollywood, incluindo nomes de peso como James Newton Howard e Alan Silvestri. O filme, que é editado a partir das acentuações da trilha sonora, já passou por algumas exibições-teste e se saiu muito bem em todas elas.
Além de Pascal, o elenco conta com Olivia Wilde, Eva Victor, Alexa Swinton, Will Arnett e Matthew Lillard. Uma data de estreia deve ser divulgada em breve.
Aliás, Behemoth! é nome do filme para o qual Alex está compondo a trilha sonora. Espere muita metalinguagem.
Já comprou a sua antena?

Recentemente, Gabriel Vaquer publicou uma matéria na Folha sobre como a Globo tem questionado internamente o motivo de o delay não ter prejudicado a ascensão da CazéTV na Copa do Mundo.
Para além das razões óbvias — como o fato de o público não se importar com o atraso em jogos sem o Brasil, a facilidade de acessar o YouTube em comparação à instalação de uma antena, e a limitação do sinal digital, que apresenta resolução HD e acaba ficando embaçada em TVs 4K —, o motivo de a Globo ter visto seu principal produto esportivo, o SporTV, ser massacrado é mais simples do que parece.
A veterana e tradicional Rede Globo talvez seja a maior desincentivadora do jornalismo esportivo da nossa era. Com um quadro inchado de ex-jogadores e influencers como comentaristas, a “mamãe” tem transitado entre o meme do “tiozão” e as opiniões de figuras que nem foram grandes referências como atletas.
Há jogadores realmente vencedores ali, como D’Alessandro. Mas não sei se era o ex-craque argentino que o público brasileiro queria ouvir opinar imediatamente após a eliminação do Brasil na Copa.
Você pode não gostar da linguagem da CazéTV, mas não há como negar que eles falam com propriedade sobre futebol, pois possuem o melhor quadro de jornalistas esportivos deste país. Claro, há influencers e ex-jogadores lá também — e é natural que haja —, mas trata-se de uma composição muito mais equilibrada.
Os donos da CazéTV são os caras da LiveMode, que foram os idealizadores do falecido Esporte Interativo. Se você acompanhou o futebol europeu no início dos anos 2010, sabe o quão à frente do tempo o EI estava. Desde incentivar jornalistas a aparecer nas redes sociais quando tudo era mato, até lançar o EI Plus, um aplicativo de streaming, quando ninguém tratava isso como prioridade.
A CazéTV dá certo porque é tocada por pessoas que sabem o que querem e sabem fazer direito. A Globo não parece saber o que quer e, aparentemente, não reage bem à concorrência, pois vive de criar conteúdo por fórmulas. E isso é curioso, porque a “mamãe” foi dominante por anos justamente por saber o que queria. Em que ponto ela se perdeu?
Se a pergunta que eles estão fazendo nos bastidores é “por que perdemos?”, a resposta é mais simples do que parece.
Somos escravos do sistema

Termina a impressionante sequência inicial de assalto, James Caan vai até um pescador de Chicago, de manhã cedinho. A junção do céu com o mar transforma os dois personagens em meras silhuetas, e esse é o momento em que a fotografia claramente nos diz: aquelas pessoas estão sendo tragadas pelo ambiente.
A Chicago de Michael Mann em Profissão: Ladrão (1981) é feita de contrastes. Existe a ótica sombria e úmida das noites de asfalto molhado, mas há também um olhar sob uma perspectiva solar, quase clínica. Assim se constrói o palco para uma história onde não existem mocinhos. O que mais se aproxima de um herói é o protagonista, Frank, que busca apenas uma normalidade imposta como a ideal, que lhe foi negada desde a infância.
A crença de que o trabalho duro sempre traz resultados o faz acreditar que poderá desfrutar de uma aposentadoria tranquila. Pobre ladrão… mal sabe ele que caminha sobre areia movediça. Tudo nesse filme funciona como uma desilusão sobre a lógica do trabalho no capitalismo. Você trabalha para poder contrair dívidas, e suas dívidas o forçam a continuar trabalhando. A rotina é algo tão cruel que Frank se pega querendo apenas terminar de arrombar um cofre com sua solda gigante, acender um cigarro ao fim do expediente e voltar para a esposa e o filho, alimentando a esperança de que um dia poderá parar. Parar, no entanto, não está no cardápio.
Há de se elogiar quem traduziu o título original, Thief, para Profissão: Ladrão. Nenhum outro seria tão adequado para descrever essa natureza burocrática.
Profissão: Ladrão é uma das primeiras obras de Mann a explorar como os homens se trancam em prisões invisíveis, seja por convenções sociais ou simplesmente por serem bons demais no que fazem. Frank é o melhor em assaltar bancos, e isso o mantém refém de criminosos engravatados. Ele quer se livrar dessa prisão, mas apenas para entrar em outra: a de sustentar um lar.
Veja, não se trata de certo ou errado. Nosso cérebro é treinado para processar sentimentos de forma simplista, dividindo tudo entre “bom” ou “ruim”, mas a vida é uma sucessão de sensações mistas sobre o contexto em que estamos inseridos. Este filme é exatamente isso. Está tudo bem sentir as coisas de forma complexa e não tirar conclusões precipitadas.
Além do mais, esta obra foi um protótipo potente para o que viria a ser Fogo Contra Fogo (1995). Corra para assistir se você gosta desse tipo de abordagem. Fica aí a dica cultural da semana.
A Mim, Meus X-Men

A Marvel promete uma San Diego Comic-Con grandiosa. Engana-se quem pensa que os anúncios se limitarão aos próximos filmes dos Vingadores. Receberemos novidades significativas sobre os X-Men. É possível que recebamos uma data de estreia para o vindouro reboot, mas, pelo que tenho visto, há algo mais específico a caminho.
Sendo honesto, este não é um rumor compartilhado originalmente por mim. Jeff Sneider vem falando sobre isso há anos. Basicamente, os bastidores indicam que um dos momentos-chave do evento será o anúncio de Denzel Washington como Magneto.
O que me causa estranheza é que o que tem se falado é que Magneto não estaria no primeiro filme dos X-Men — ao menos, não como um antagonista principal. Na verdade, o mutante está sendo cotado para ser o vilão de Pantera Negra 3.
Acredito que a subida de Denzel Washington ao palco para assumir o papel de Magneto seria um momento quase tão impactante quanto o retorno de Robert Downey Jr. como Doutor Destino, gerando repercussão por semanas. Contudo, não sei se me empolgo com a ideia de ele ser justamente o vilão de Pantera Negra 3. Ainda assim, seria, no mínimo, interessante ver esse personagem icônico sob a visão afiada de Ryan Coogler.
Obviamente, tudo isso deve ser tratado como rumor. Leve com cautela. O que posso dar como informação é que todos os filmes da Marvel pós-Guerras Secretas terão alguma conexão com os X-Men — na verdade, Homem-Aranha: Um Novo Dia já começa a pavimentar esse caminho. Estamos, oficialmente, entrando na Saga Mutante.
Destaques rápidos da semana

- Crítica de O Convite – A comédia mais divertida do ano até agora!
- Série de V de Vingança tem roteiro descartado pela DC Studios – A HBO, cuja opinião foi determinante para a decisão da DC Studios, só tem interesse em exibir uma série de V de Vingança se for uma releitura moderna da obra de Alan Moore, adaptada ao contexto político atual. A proposta de Pete, por outro lado, focava em uma história de época.
- Naruto: Filme entra em pré-produção e inicia escalação do elenco – Destin Daniel Cretton vai mesmo fazer isso.
- Paramount e Warner têm fusão aprovada sem restrições no Brasil – Conclusão da fusão está cada vez mais próxima.
- Após vários fracassos, qual o futuro de Jared Leto em Hollywood? – Já era para ele?
- Godzilla Minus Zero ganha data de estreia no Brasil – Dia 5 de novembro!
- Confira os indicados ao Emmy 2026 – 25 indicações para The Pitt.
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