A série Dragon Ball começou de forma simples como uma aventura na busca pelas Esferas do Dragão, itens místicos que chamariam um grande dragão que realizaria desejos daquele que conseguisse reunir todas. Demorou um pouco até que conseguíssemos entender sua verdadeira origem. Primeiramente, sabemos que elas foram criadas por Kamisama, o deus da Terra, mas, em Dragon Ball Z, é revelado que elas eram parte da cultura de Namekusei (e Dragon Ball Super mostra que vai até além disso).
De todo modo, vamos nos concentrar apenas na diferença entre terráqueos e namekuseijins aqui para falar sobre comportamento. E antes de mais nada, vale lembrar que isso foi algo discutido em Dragon Ball GT, que acredito ter sido a melhor saga daquela produção: Na época, a saga dos Dragões mostrava que as criaturas nasciam toda vez que um desejo era feito por um motivo egoísta. Com o tempo, a energia negativa foi se acumulando e isso deu origem ao grupo de vilões que Goku acabou enfrentando. Mas vamos lá:
Em Namekusei

Como sabemos, as Esferas do Dragão foram criadas pelos Namekuseijins e, para eles, existia toda uma diferente função: apesar de poderem reunir as Esferas e chamarem o Dragão, elas eram distribuídas em diferentes vilas e todas eram guardadas pelos seus anciãos. Basicamente, eles viam cada esfera como um verdadeiro tesouro.
Obviamente que tal fato também facilitou que eles fossem conquistados por Freeza e seu exército, que sabiam exatamente onde encontrar as esferas e praticamente dizimaram o planeta.
Porém, o fato é que os namekuseijins reverenciavam as Esferas e não achavam que existia qualquer necessidade de usá-las. Eles sabiam que elas tinham poder, mas viam como uma bênção e um objeto especial.
Na Terra
Aqui as coisas são mais complicadas: apesar de terem sido usadas para benefício geral da população como a ressurreição de todos que foram vítimas de alguns dos desastres mostrados nas histórias, geralmente as Esferas do Dragão eram tratadas como um recursos: ou seja, elas estão ali para serem exploradas.
Ao longo dos anos, sabemos que a própria Bulma fez desejos para ficar mais jovem, Oonlong pediu uma peça feminina, tudo isso representando que as Esferas do Dragão estavam servindo apenas à vaidade, ganância e luxúria dos terráqueos. E vamos ser sinceros? Se as Esferas do Dragão realmente existissem, elas seriam usadas exatamente desta maneira. A grande diferença é que elas gerariam guerras para dominá-las.
Claro, um detalhe que vale dizer é que diferente do Death Note, as Esferas do Dragão não são acompanhadas por um manual de regras. Além disso, após o desejo ser realizado, elas se espalham e viram pedra por um ano. E isso também diminui o uso delas, mas os personagens do anime acabaram aproveitando cada ano, graças ao uso do Radar do Dragão e aos recursos que eles possuem.
Goku
E, antes de terminar, vale lembrar que nem tudo isso se aplica a Goku. Desde o começo da aventura, Goku via a Esfera de 4 Estrelas como uma lembrança de seu avô. Posteriormente, ele acabou buscando a esfera para manter em sua casa, servindo até como enfeite do chapéu de seu filho, Gohan, que possui este nome em homenagem à figura que criou o protagonista.
Além disso, Goku também tem muito respeito por Shenlong e, levando tudo em consideração, eu realmente gosto do final de Dragon Ball GT, sendo uma excelente forma de fechar o arco do herói. Embora praticamente todo o resto da jornada naquele anime não seja tão bacana.
De todo modo, fica sempre o pensamento: será que não estamos tratando tudo que possuímos em nosso planeta como os terráqueos tratam as Esferas do Dragão? Não dá pra saber se Toriyama pensou nisso, mas é bom ter uma certa consciência de que tudo pode acabar ou se virar contra nós.