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Com a série de The Boys se encaminhando para sua conclusão e o universo em alta expansão com derivados como Gen V, muitos fãs se perguntam como a história original encerrou a trajetória de seu principal antagonista, o Capitão Pátria.

O desfecho do Capitão Pátria nos quadrinhos entrega uma das maiores e mais chocantes reviravoltas da cultura pop. Diferente da complexidade política e familiar que vemos na adaptação, as páginas originais de Garth Ennis e Darick Robertson constroem um final focado na manipulação corporativa extrema e na quebra psicológica do maior super-herói da Terra. No vídeo de hoje, contamos como foi isso.

A Guerra Psicológica

O colapso do Capitão Pátria não acontece do dia para a noite; é resultado de uma longa e tortuosa guerra psicológica. Durante meses, ele recebe anonimamente um dossiê de fotografias que o mostram cometendo atos completamente absurdos e inomináveis, dos quais ele não tem a menor lembrança. As imagens são perturbadoras: elas o flagram quebrando todas as regras morais imagináveis, além de atos que desafiam qualquer limite do aceitável.

Inicialmente, o Capitão Pátria tentava seguir a cartilha da Vought-American, importando-se em manter sua imagem pública intacta. No entanto, o peso inegável das provas o convence de que ele é portador de um transtorno dissociativo de identidade. Acreditando que possui uma “dupla personalidade” incontrolável que comete os piores absurdos quando ele apaga, sua mente finalmente se rompe. Convencido de que já passou de todos os limites e que não há mais motivos para fingir ser um herói, ele joga a moralidade pela janela e assume a vilania total.

O Golpe de Estado

Ao cruzar a linha sem volta, o líder d’Os Sete convoca todos os super-heróis leais a ele para uma rebelião total contra o governo dos Estados Unidos. Seu objetivo não é apenas subjugar a humanidade, mas provar que aqueles com poderes são os verdadeiros donos do mundo.

O ápice dessa invasão acontece na Casa Branca. O Capitão Pátria despacha o Serviço Secreto com facilidade e invade o Salão Oval, onde encontra o Presidente dos EUA — na HQ, um político incompetente chamado Victor Neuman, que era apenas um fantoche da própria Vought. Em uma demonstração de poder, o Capitão dá um fim trágico ao governante.

É neste cenário de caos, sentado à mesa presidencial após mandar o presidente para o outro mundo, que Billy Bruto o encontra. Bruto entra no Salão Oval calmamente, armado com nada além de seu ódio e um pé de cabra, pronto para o acerto de contas final por tudo que o herói fez à sua esposa, Becca.

A Revelação de Black Noir

Antes que Bruto e o Capitão Pátria possam resolver suas diferenças de forma definitiva, uma terceira figura interrompe o confronto: Black Noir. É nesse instante que a maior reviravolta dos quadrinhos de The Boys vem à tona.

Noir retira sua máscara e revela ter um rosto idêntico ao do Capitão Pátria. Ele explica friamente que é um clone, criado em laboratório pela Vought-American como uma espécie de “apólice de seguro”. Noir foi programado para ser ainda mais forte, com um único propósito embutido em seu DNA: neutralizar o Capitão Pátria caso ele se voltasse contra a empresa.

O problema de Noir foi o tédio. Como o Capitão passou anos se comportando como um bom garoto-propaganda, Noir nunca recebeu a ordem de execução. Enlouquecido pela falta de propósito, o clone arquitetou um plano insano: ele vestiu o traje do Capitão Pátria e passou a cometer aqueles crimes absurdos — incluindo tirar as próprias fotos e enviá-las ao original. E a revelação mais dolorosa de toda a HQ acontece aqui: foi Black Noir, e não o Capitão Pátria, o responsável pelo terrível crime contra Becca no passado. Toda a vingança que consumiu a vida de Billy Bruto estava direcionada ao homem errado.

A Batalha Final

A verdade destrói o pouco que restava da sanidade do Capitão Pátria. Ele percebe que nunca perdeu o controle e que todo o golpe de estado e sua queda em desgraça foram meticulosamente forjados pelo seu próprio clone. Em uma explosão de puro ódio, ele avança contra Noir.

A luta entre os dois é curta, mas cataclísmica, a ponto de a Casa Branca ser parcialmente destruída pela força do impacto. No entanto, a Vought projetou o clone para vencer. Quando a poeira baixa, quem emerge vitorioso é Black Noir. O clone mostra toda a sua superioridade física e despacha a versão original de forma totalmente visceral, provando que o maior “Super” da Terra, no fim das contas, foi apenas uma vítima da corporação que o criou.

A Vingança Amarga de Billy Bruto

A vitória de Black Noir tem um preço altíssimo. Ele sai da batalha gravemente ferido, com o corpo bastante prejudicado pela visão de calor do Capitão Pátria. É o momento perfeito para as forças militares abrirem fogo, utilizando artilharia pesada e munições especiais, que deixam o clone ainda mais avariado.

Arrastando-se pelos escombros, o agonizante Black Noir é encurralado por Billy Bruto. Percebendo que o verdadeiro responsável pela perda de sua esposa está aos seus pés, completamente indefeso, Bruto usa seu pé de cabra de forma cirúrgica. Ele finaliza o clone de uma vez por todas. A vingança finalmente se consuma, mas deixa no ar um gosto vazio e irônico, encerrando o arco com a marca registrada do pessimismo da obra original.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.