Os crossovers entre Marvel e DC são publicações que reúnem propriedades de ambas as editoras em uma mesma narrativa. Dentro dessa linha editorial, os encontros entre Superman e Homem-Aranha possuem um histórico estabelecido que se iniciou com edições conjuntas publicadas nos anos de 1976 e 1981.
Dando sequência a essa iniciativa comercial, que recentemente contou com uma união entre Batman e Deadpool, as empresas lançaram a primeira edição de um novo título focado no Homem de Aço e no Cabeça de Teia. A trama central apresenta uma aliança inédita entre os vilões Doutor Octopus e Brainiac, e no vídeo de hoje contamos como foi essa história.
A edição começa na cidade de Nova York, onde encontramos onde o Doutor Octopus em seu laboratório enquanto conversa com um novo modelo de inteligência artificial em seu telefone chamado C-Dern. Otto pede que a inteligência sacie sua curiosidade inútil e informe quem o público atualmente considera o maior especialista mundial em cibernética robótica.
Quando a IA responde que fontes online apontam o Dr. William Magnus, Otto a interrompe aos gritos, dizendo que a máquina está errada. Ele então pergunta quem é a maior autoridade em radiação, e ao ouvir que geralmente é o Dr. Robert Bruce Banner, Octopus esmaga o telefone na parede com um de seus tentáculos antes que a IA termine de falar. Resmungando contra a inteligência artificial, ele declara para si mesmo que o público pode temê-lo e considerá-lo um criminoso, contanto que nunca, jamais, esqueçam de suas realizações.
Otto suspira, questionando o que será necessário para finalmente educar sete bilhões de idiotas sobre sua genialidade. Neste momento, uma voz completamente diferente responde, afirmando que ele pode começar hoje mesmo, assim que se afastar do abismo que os humanos chamam de autopiedade. Enquanto o vilão reage em choque, algo toma o controle de seus tentáculos mecânicos e começa a montar a cabeça robótica à sua frente com ainda mais velocidade.

A voz misteriosa oferece a ele um lugar na história galáctica em troca de sua cooperação, caso o reconhecimento científico seja seu verdadeiro desejo. Confuso e percebendo que não se trata de uma simples IA, Otto questiona o que está acontecendo e quem assumiu o controle de seus braços. A cabeça robótica, agora ativa, revela-se como Brainiac.
Na página seguinte, a história vai para Metrópolis, onde Clark Kent e Peter Parker estão entrando na Star Labs. Ao entrarem, Peter agradece a Clark pela carona, explicando que está mais uma vez muito quebrado. Clark diz para ele não se preocupar, pois Nova York não é tão longe e, se o palpite de Peter estiver certo, eles estarão quites. Peter comenta que, se estiver errado, pelo menos terá algumas fotos para vender.
Lá dentro, eles constatam que alguém abriu um buraco na lateral do prédio para invadir a Star Labs. A Dra. Klyburn, uma das cientistas-chefe, avisa a Clark que ele e seu fotógrafo chegaram atrasados, pois as agências de notícias já sabiam do roubo de material radioativo por uma figura misteriosa com força inumana. Clark responde que isso parece apenas mais um dia em Metrópolis, mas nota que a doutora está especialmente perturbada, e então pede para Peter checar o ponto de entrada.
Enquanto Peter tira fotos, Clark questiona a cientista sobre a declaração vaga que ela deu à imprensa. Ela acaba revelando que não levaram apenas o material, mas também muita tecnologia associada aos experimentos com nêutrons rápidos. Peter se intromete na conversa, demonstrando seu conhecimento científico ao explicar que essa é uma forma de transmitir dados de maneira muito mais eficiente que o Wi-Fi, sem chance de bloqueio. Ele questiona por que a doutora está sendo tão reservada sobre isso, já que outros laboratórios também usam nêutrons rápidos. Ela então choca Clark ao revelar que, diferentemente dos outros laboratórios que usam Califórnio, a Star Labs estava usando kryptonita.
De volta às ruas de Metrópolis, Clark pergunta a opinião de Peter, que confirma seus temores: as marcas de garras no local eram definitivamente dos tentáculos do Doutor Octopus, que agora está em posse de kryptonita. Eles correm para um beco e mudam para Superman e Homem-Aranha, com Peter pedindo para Clark esperar um pouco por ser mais lento na troca de roupa. A cena se desdobra numa página dupla icônica, com os dois heróis lado a lado pelo céu, acompanhada do título “Verdade, Justiça e Grandes Responsabilidades”, um mashup perfeito. O Aranha ainda brinca, apostando que Superman não é tão impaciente quando está com o Batman.

A trama então corta para a órbita da Terra, na nave-crânio de Brainiac. O alienígena explica ao Dr. Octopus que foi envenenado por um vírus mental debilitante antes de exterminar os seres sencientes da Estrela A-252. Ele pretende usar os cérebros humanos como repositório perfeito para descarregar esses dados corrompidos, e Otto concorda, preparando-se para iniciar a transferência. Em seu laboratório na Terra, encarando a kryptonita roubada, Octopus avisa que seu dispositivo já está pronto há horas e se mostra encantado com o potencial do mineral. Ele explica que, usando a nave de Brainiac como satélite, pode criar a rede neural definitiva e transmitir o que quiserem diretamente para milhões de mentes humanas. Em troca, Brainiac promete que o alcance de Otto se igualará à sua ambição e que vários mundos se curvarão à genialidade dele. Satisfeito, o Doutor Octopus se prepara para deixar a Terra para trás.
De volta a Metrópolis, Superman e Homem-Aranha estão no topo do Planeta Diário procurando por Octopus. O Aranha pergunta se ele encontrou algo, e Superman sugere que o vilão pode ter voltado para Nova York. De repente, o Homem de Aço começa a sentir dor e cai do céu. O Aranha mergulha para salvá-lo, lançando-o de volta ao telhado. Superman explica que a kryptonita está no ar, misturada com o sinal, e os dois percebem que Otto está transmitindo numa banda de radiação K focada em nêutrons rápidos. O Homem-Aranha se pergunta, sem ofensa, por que o vilão iria atrás do Superman em vez dele. Clark logo percebe que o ataque não é direcionado a ele ao ouvir sons de batidas na rua.
Eles veem um caminhão desgovernado atropelando o trânsito, com o motorista e os pedestres sofrendo de dor intensa e recitando códigos binários. Após pararem o caminhão e ajudarem os feridos, eles notam que o mesmo está acontecendo com inúmeras pessoas ao redor, todas no alcance da transmissão. O Homem-Aranha também começa a ser afetado pelo sinal e recita números, mas Superman o sacode pelo ombro e o ajuda a recobrar o foco. Peter deduz que Otto está usando a radiação para despejar uma sobreposição de dados no cérebro de todos.

Usando sua visão de raios-X, Superman vê que o caos se espalha por toda Metrópolis. Enquanto voam salvando pessoas, Peter questiona o motivo de usar dados de computador, mas logo nota que Superman está ficando cada vez mais fraco pela exposição prolongada. Superman localiza um incêndio num prédio e, mesmo debilitado, decide entrar para salvar três pessoas presas, já que não há bombeiros. O Aranha avisa que o prédio pode desabar e que o parceiro corre risco de queimar, cobrindo-o de teias para protegê-lo das chamas. Parecendo uma “Super Múmia”, o Homem de Aço resgata uma criança enquanto Peter tira os outros moradores. Quando o teto ameaça cair sobre Peter, Superman usa seu super-sopro para afastar a viga.
Do lado de fora, Superman constata tragicamente que algumas pessoas já morreram devido ao fluxo fatal de dados. Percebendo que essa matança não é o modus operandi do Doutor Octopus, o Aranha sugere que ele tem um parceiro que também mexe com dados brutos. Furioso ao entender exatamente com quem está lidando, Superman localiza o dispositivo de transmissão num laboratório próximo, encarrega o Homem-Aranha de desligar a máquina e decide lidar pessoalmente com o aliado de Otto, voando diretamente para o espaço para escapar do alcance da kryptonita.
Ao romper o casco da nave-crânio de Brainiac na órbita, gritando o nome do vilão, Superman dá de cara com o Doutor Octopus, que agora ostenta tentáculos infundidos com kryptonita, dando boas-vindas ao herói. Na Terra, os papéis se invertem: Brainiac está no laboratório de Metrópolis. Enquanto tenta contatar Octavius pelo rádio sobre a violação no casco, ele é interrompido pela chegada do Homem-Aranha, que quer saber onde Otto está. Brainiac responde que Otto está em sua nave e que isso é tudo que ele precisa saber. O Aranha o acusa de assassinato, mas o alienígena friamente alega estar apenas se limpando de um vírus e que a culpa é da incapacidade do cérebro humano de conter dados corrompidos com segurança. Ignorando as desculpas e dizendo que humanos não são latas de lixo, o Aranha salta em direção à máquina para desligá-la, mas é violentamente arremessado por Brainiac.

No espaço, Superman sofre nas mãos do Doutor Octopus e seus tentáculos envenenados. O herói tenta em vão apelar para a humanidade do cientista, avisando que ele está massacrando milhares e que ele não é como Brainiac, mas Otto retruca dizendo que o Superman não o conhece. De volta ao laboratório, Brainiac afirma poder calcular todos os próximos movimentos do herói, mas o Aranha usa seu Sentido Aranha para se esquivar e contra-atacar, chutando o rosto do vilão e soltando suas clássicas piadas sobre grandes poderes e responsabilidades. Percebendo a agilidade impressionante do adversário e não demonstrando intenção de se render, Brainiac decide mudar de tática: ele calcula os pontos de estresse do prédio e destrói as colunas de sustentação, fazendo o teto desabar sobre o Homem-Aranha. Com o trabalho feito, o vilão faz o upload de sua consciência para o Posto Avançado Betelgeuse, abandonando seu corpo robótico no chão.
Em órbita, Superman reúne forças, relembra Otto de um artigo antigo que Clark Kent escreveu elogiando sua genialidade antes do acidente, e consegue nocautear o vilão. Mas na Terra, ocorre uma grande homenagem à icônica cena de The Amazing Spider-Man #33 de Stan Lee e Steve Ditko. Preso sob os escombros do prédio desabado, Peter ouve Superman pelo rádio pedindo que ele desative a máquina imediatamente. O Homem de Aço avisa que Brainiac cortou a energia da nave, colocando-a em rota de colisão com Metrópolis, e que ele não terá força para pará-la por causa da kryptonita.
Peter tenta lançar uma teia para desligar o aparelho, mas descobre ironicamente que seu fluido acabou. Encorajado por Superman, que grita que acredita nele, o Homem-Aranha recusa-se a aceitar um evento de nível de extinção. Usando cada grama de sua força, ele empurra as toneladas de entulho de cima de si e desliga a energia da máquina. Sem o sinal da kryptonita, Superman recupera suas forças e impede a nave de atingir o solo. Os dois parceiros comemoram o alívio de não ter havido nenhuma explosão, enquanto o Aranha desaba no chão de cansaço.

Mais tarde, Clark e Peter estão de volta ao Planeta Diário. Perry White elogia o trabalho de Peter, dizendo que ele e sua câmera são sempre bem-vindos, brincando que ele poderia dar umas dicas para Jimmy Olsen. Ao saírem, Peter fica impressionado com a quantidade de zeros no cheque, mas nota a pausa dramática de Clark. Clark então o questiona por que ele passou anos vendendo fotos para J. Jonah Jameson, sabendo que elas alimentavam manchetes mentirosas e odiosas contra ele mesmo.
Observando a linha do horizonte da cidade, Pete explica que o único prejudicado era ele próprio, mas que a verdadeira piada da situação era que Jameson passou todo aquele tempo financiando a faculdade do Homem-Aranha sem fazer a menor ideia. Clark pisca e reconhece o bom ponto do garoto. Peter comenta como deve ser bom operar numa cidade que o ama, e Clark concorda, assumindo sua identidade de Superman e oferecendo uma carona para casa. Peter veste a máscara do Aranha, brincando com a educação do herói e dizendo que não é à toa que sua tia tem uma queda por ele, ao que Clark pede para não contar isso para a Lois. Antes de acelerarem, Peter prende uma teia no pé do Superman e pede que ele banque o guia turístico primeiro, com o Homem de Aço aceitando e sugerindo começarem pelo Museu do Superman, para desespero cômico do Aranha.






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