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Em 2021, a Netflix lançou o remake de He-Man e os Mestres do Universo, atualizando a franquia de uma forma considerável com um grande número de mudanças. A série é desenvolvida por Robert David, um nome que já trabalhou na franquia Tartarugas Ninjas e orquestrada pelo roteirista Bryan Q. Miller. Ao contrário de ‘Salvando Etérnia’, que trouxe uma recepção bem mista por parte do público, a nova série conseguiu fazer a franquia se tornar relevante para uma nova audiência. 

E existem várias surpresas em He-Man e os Mestres do Universo: desde um robô que acha que é um mago até um tigre falante, a série toma várias liberdades para reinventar personagens já estabelecidos e conhecidos e trazê-los para uma nova roupagem. De forma similar, a animação abandona o visual 2D e o substitui com um belo CGI cartunesco que lembra os games que estão em alta agora.

A grande vantagem desta nova série é que nada disso parece forçado. Na verdade, tanto a narrativa quanto a arte parecem bem naturais e se casam perfeitamente com a proposta. Não é de se espantar que a série já deve ganhar uma segunda temporada e aqui falaremos um pouco das mudanças.

Poder

Na série original, tínhamos He-Man como o grande herói e único detentor dos poderes de Grayskull, porém, nesta nova versão, ele decide compartilhar seus poderes com seus amigos. Ao invés da série ser sobre um homem que tem o poder de corrigir o mundo, a generosidade do novo He-Man é o ponto que faz a série girar, pois ele transforma pessoas comuns em heróis superpoderosos. A ideia é simples, mas inteligente: ninguém pode fazer nada sozinho e a força está no trabalho em grupo.

O conceito de compartilhamento de poder faz com que todos possam se transformar sem precisar usar a Espada do poder. Sim, ela ainda é a fonte dos poderes de todos, mas eles não estão segurando o item enquanto se transformam, só precisam estar próximos da espada no momento em que ele invoca sua magia.

O outro lado

Não foi apenas He-Man que mudou, aqui também temos uma versão diferente de Esqueleto, que também compartilha sua maldade com seus seguidores, criando os Mestres Sombrios, contrapartes poderosas dos Mestres do Universo. A grande diferença é que Esqueleto usa seu poder para controlar as pessoas, ao invés de inspirá-las, o que é um belo contraste com He-Man e seus amigos, que realmente trabalham em conjunto por um bem maior em que todos são importantes.

Esqueleto usa a energia sombria que o transformou na criatura que o conhecemos. Mas, na verdade, seu nome é Keldor e ele é irmão do pai do Príncipe Adam, ou seja, seu tio. Seu grande arrependimento é que ele teve a chance de ter a espada, mas preferiu o centro que o acompanha, dizendo que uma espada é uma ferramenta para defender os outros, enquanto o cetro feito para um governante. Keldor então é amaldiçoado pela energia sombria e acaba selando o seu destino na luta quase eterna contra He-Man.

Identidades secretas?

Quem viu a série original, deve lembrar que o Príncipe Adam tinha que se transformar em segredo em He-Man. Porém, aqui, todos sabem que o rapaz se transforma no herói musculoso. A grande mudança mesmo é que Adam não sabe sua própria identidade, ele foi encontrado ainda criança e criado por uma tribo. Mais tarde, é revelado que ele sofria de amnésia por causa de uma batalha entre a Feiticeira e o Príncipe Keldor. 

A partir daí, Adam se torna um alvo constante para Esqueleto, já que o rapaz está fraco enquanto não usa os poderes de grayskull. Enquanto Keldor foi transformado permanentemente no vilão que conhecemos. Entretanto, o grande mistério mesmo é saber as verdadeiras motivações do tio, que parece provocar o caos pelo caos.

Não é só isso

Mas não foi só isso que mudou: Eternia está bem diferente do que conhecíamos. Agora, temos uma verdadeira convergência de magia e tecnologia, algo que parece ter sido bastante influenciado pela cultura pop. 

Os movimentos de He-Man também estão bem diferentes e conseguem traduzir bastante os golpes usados em games MOBA, em que vemos grandes ataques em área para acertar diferentes inimigos de uma vez. Aliás, cada Mestre do Universo possui um golpe próprio, com nome e grito de guerra e como uma boa equipe de série infantil, eles conseguem combinar seus poderes.

Além disso, personagens que já conhecíamos foram totalmente remodelados. O próprio Mentor, da série original, deixa de ser alguém mais velho e se torna um personagem da idade de Adam, com um grande talento para tecnologias avançadas. 

Outra grande mudança está em Orko, o amigo feiticeiro de outra dimensão que, nesta versão, é um droid que teve a memória implantada por Duncan (o Mentor) para acreditar que é um grande mago. Orko é a verdadeira personificação do que esta série representa: um amálgama entre tecnologia e magia. Com tudo isso que já falamos, He-Man e os Mestres do Universo prova que a franquia ainda pode funcionar muito bem, basta ter um foco no que os fãs procuram ver.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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