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Poucos personagens da Marvel têm uma relação tão complicada quanto o Homem-Aranha e o Justiceiro. Eles até compartilham o mesmo objetivo de combater o crime, mas seus métodos opostos já os colocaram em confronto inúmeras vezes. Por isso, imaginar Frank Castle descobrindo quem está por trás da máscara do Cabeça de Teia parece… perigoso. Mas já aconteceu.
E o mais surpreendente não é só como o Justiceiro descobriu a identidade de Peter Parker, mas também o que ele decidiu fazer com essa informação. No vídeo de hoje, falamos sobre essa história.
Uma crise no Clarim Diário
Em Punisher: War Journal #15, o Justiceiro e o Homem-Aranha se uniram para enfrentar um grupo de neonazistas liderados por um homem chamado Eric Hartmann. Hartmann acreditava ser uma criança que havia sido levada por seguidores de Adolf Hitler após a queda do regime nazista e criada em segredo, sendo doutrinado a acreditar nas mesmas ideias repugnantes dele.
Hartmann também afirmava que agia em nome de anjos, que lhe diziam ter um grande destino ao espalhar sua mensagem de ódio. Levando isso ao pé da letra, ele começou a falar publicamente sobre suas crenças, conquistando alguns poucos seguidores fanáticos, mas também o desprezo da maioria, que via claramente o perigo e a ignorância em seu discurso. Um dos maiores opositores de Hartmann era J. Jonah Jameson, que usava seu jornal, o Clarim Diário, para desacreditá-lo e expô-lo como o indivíduo instável que realmente era.

Em resposta, Hartmann e seus homens tomaram o prédio do jornal, obrigando Jameson a ajudá-lo a escrever uma longa declaração com suas ideias para publicação. Caso contrário, ele mataria os diversos reféns que havia feito na frente do editor. Enquanto isso acontecia, o Homem-Aranha e o Justiceiro caíam em uma emboscada armada pelos homens de Hartmann.
Embora conseguissem escapar, o Justiceiro criticou o Aranha por perder tempo, dizendo que ele deveria ter matado os criminosos — ou ao menos permitido que ele mesmo fizesse isso. Em seguida, os dois correram para o Clarim Diário, onde se dividiram para atacar de cima e de baixo, desorientando os inimigos. O Justiceiro, sem qualquer restrição quando se tratava de nazis, acabou matando a maioria dos seguidores de Hartmann. O Homem-Aranha, como sempre, fez o oposto em todos os sentidos.

Peter conseguiu encontrar Hartmann, que havia feito Mary Jane de refém. Em uma tentativa de criar uma distração para fugir, Hartmann atirou Mary Jane pela janela, forçando o Homem-Aranha a salvá-la enquanto ele tentava escapar. Felizmente, Jameson decidiu agir e derrubou Hartmann no chão, garantindo que ele fosse levado à justiça. Por fim, foi revelado que os “anjos” que Hartmann dizia ver não passavam de alucinações provocadas pela luz intensa, resultado de sua necessidade desesperada de sentir que tinha algum propósito. No fim das contas, sua busca era tão vazia quanto suas crenças.
O Justiceiro descobre o segredo do Homem-Aranha
Após o fim do incidente, o Justiceiro estava finalizando os últimos “detalhes” quando se deparou com uma cena chocante: o Homem-Aranha tirando sua máscara e beijando Mary Jane Watson.
Embora o ambiente estivesse escuro, Frank ainda reconheceu Peter Parker, que ele sabia que era o namorado de Mary Jane. Mesmo assim, o Justiceiro optou por deixar o momento passar, saindo em silêncio sem sequer deixar o casal perceber que ele estava ali.

Foi um raro momento em que o Justiceiro decidiu não aproveitar uma vantagem. Ali estava um homem que, se não odiava o Aranha, certamente não gostava dele, expondo talvez o seu maior segredo. Durante toda a edição, os dois haviam discutido sobre métodos — com o Aranha se recusando a matar e o Justiceiro eliminando qualquer um que cruzasse seu caminho. Castle passou a história inteira chamando o herói de tolo por permitir que os problemas continuassem existindo no mundo.
Ainda assim, quando teve em mãos a maior arma que poderia praticamente garantir que o Homem-Aranha abandonasse a vida de combate ao crime, o Justiceiro não fez nada. Ele apenas deixou o casal ter seu momento. Pode parecer estranho, mas existe uma lógica por trás dessa decisão.
Por que ele nunca fez nada com essa informação
Como muitos fãs do Justiceiro sabem, Frank Castle foi um soldado condecorado nas forças armadas dos Estados Unidos. Ao voltar para casa, ele viu sua família ser brutalmente assassinada diante de seus olhos. Essa perda o motivou a declarar guerra ao crime, transformando-o no implacável vigilante que conhecemos hoje.
Para Frank, eliminar criminosos é a única maneira de garantir que o crime seja realmente reduzido. Claro que isso ignora o fato de que sempre haverá alguém para ocupar o vácuo deixado, mas esse pensamento o ajuda a dormir à noite, de certa forma. E é justamente essa lógica que torna relevante a descoberta da identidade do Homem-Aranha: no fundo, toda a motivação do Justiceiro vem do amor — ou, mais precisamente, do luto por um amor que ele jamais poderá recuperar.

Mais cedo na edição, ao investigar o passado de Hartmann, o contato de Frank comentou que as crenças malignas do neonazista provavelmente eram motivadas por um desejo desesperado de dar sentido à própria vida.
Embora nunca compartilhasse nem por um instante das crenças de Hartmann, uma parte do Justiceiro compreendia o mecanismo psicológico por trás delas. O discurso do vilão não nascia de convicção genuína, mas de um medo profundo de ficar à deriva sem um propósito. Para Frank, esse propósito sempre foi sua família — e, depois da tragédia, só restou a vingança. Uma busca que, no fundo, nunca é tão satisfatória quanto ele gosta de acreditar.
Essa perspectiva explica por que ele não revelou a identidade do Homem-Aranha: Frank não queria colocar Peter na mesma posição vulnerável em que esteve anos atrás. Ele perdeu tudo porque não conseguiu proteger as pessoas que amava. Embora não pudesse impedir que o mundo fosse violento, podia, ao menos, minimizar os riscos onde fosse possível.
Por mais críticas que faça ao Homem-Aranha, o Justiceiro entende que a máscara serve para proteger as pessoas que Peter ama, e não ele próprio. Revelar sua identidade colocaria um número incalculável de inocentes em perigo, e isso iria contra o próprio código moral de Frank. Ele pode ser um assassino brutal, mas, em algum lugar dentro de si, ainda existe um coração.






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