Comentários

Estimated reading time: 5 minutos

A segunda temporada da série Pacificador já estreou no HBO Max, dando continuidade ao DCU de James Gunn, tratando de eventos que ocorrem imediatamente após o filme do Superman.

Desde sua primeira temporada, o Pacificador já havia se tornado um grande sucesso, e é claro que Gunn não perderia o personagem na construção desse novo Universo DC. Mas você sabia, que em suas origens, o Pacificador sequer era da DC?

Originalmente, ele era um dos super-heróis publicados pela editora norte-americana Charlton Comics, que na verdade era uma rival da Marvel e da DC. O Pacificador, alter-ego de Christopher Smith, apareceu pela primeira vez na edição 40 do título de uma equipe de espionagem da Charlton Comics, o Fightin’ 5, em novembro de 1966.

Ele foi criado pelo escritor Joe Gill e o artista Pat Boyette, e após essa primeira aparição receberia sua própria tiragem de quadrinhos de curta duração, que durou apenas cinco edições antes de ser cancelada.

Acontece que em meados dos anos 80, a Charlton Comics faliu, e a DC adquiriu a empresa, obtendo assim os direitos de suas criações, incluindo, é claro, o Pacificador. Esses personagens seriam incorporados ao universo ficcional da DC Comics, primeiro por meio de um mundo alternativo, antes de finalmente serem trazidos para a continuidade principal da DC através do crossover Crise nas Infinitas Terras.

Pois bem, nessa época, o escritor britânico Alan Moore começar a escrever o roteiro de uma história que ele queria que mudasse a forma como os super-heróis eram vistos. Sim, ele estava começando a escrever o que viria a se tornar aquela que é considerada por muito a sua magnum opus: Watchmen.

O Moore então começou a escrever essa história, utilizando em seu roteiro os personagens recém-adquiridos da Charlton, já que seria a forma de mostrar para o mundo que agora eles pertenciam à DC. Só que o título da história nesse conceito inicial era “Quem Matou o Pacificador?“, o que já denotava o tom do que Moore queria fazer.

A morte do Pacificador seria o elemento que daria movimento à trama, e quando o Moore apresentou a história para a DC, a editora logo se deu conta de que os planos de Moore eram de eliminar ou desconstruir completamente esses personagens, o que praticamente os impossibilitaria de usá-los em outras histórias. Eles haviam pago caro na aquisição desses heróis e queriam na verdade inseri-los no Universo DC, não destruí-los.

Assim, a DC não deixou o Moore usar os personagens da Charlton, e ele teve que se virar. A história então passou a se chamar Watchmen, ao invés de “Quem Matou o Pacificador?“. Além disso, o Moore criou novos personagens completamente baseados nos heróis da Charlton, já que o roteiro que ele havia escrito dependia daquelas arquétipos para funcionar.

Então, Questão virou Rorschach, Besouro Azul virou Coruja, Capitão Átomo virou Dr. Manhattan, Relâmpago virou Ozymandias, Sombra da Noite virou Espectral, e o Pacificador… virou o Comediante. Pois é, o Comediante de Watchmen é basicamente uma versão do Pacificador.

Quanto ao Pacificador, ele foi realmente inserido no Universo DC após Crise nas Infinitas Terras, e chegou até a ganhar uma minissérie em quadrinhos em 1988, por Paul Kupperberg e Todd Smith, redefinindo a personalidade e a história do personagem. Infelizmente, o Pacificador nunca obteve muito reconhecimento ou sucesso na DC, até James Gunn lembrar dele em O Esquadrão Suicida, de 2021, e decidir que ele poderia estrelar uma série de TV. E o resto é história.

Leia também sobre Pacificador:

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


Comentários