O quarto episódio de X-Men 97 nos relembrou que relação entre Capitão América e Wolverine se entrelaça em um passado na Segunda Guerra Mundial. A mitologia da Marvel estabeleceu de forma canônica que os dois heróis lutaram lado a lado, muito antes da era atual dos super-heróis.
Esse histórico militar em comum dita a dinâmica de respeito mútuo e cautela que marca as interações entre Steve Rogers e Logan ao longo das décadas. Mas afinal, em que momento isso surgiu nos quadrinhos e como exatamente isso foi sendo desenvolvido ao longo dos anos? Como eles se conheceram? É sobre isso que vamos falar no vídeo de hoje:
Uncanny X-Men #268 (1990)
O primeiro encontro oficial entre os dois personagens foi estabelecido em Uncanny X-Men #268, escrita por Chris Claremont e desenhada por Jim Lee em 1990. A narrativa utiliza flashbacks ambientados em agosto de 1941, focando no Capitão América durante uma missão secreta na ilha de Madripoor.
O Sentinela da Liberdade se vê encurralado por uma facção de ninjas assassinos do clã Tentáculo e é salvo pela intervenção repentina de um mutante canadense conhecido apenas como Logan.

A partir desse combate inicial, os dois formam uma aliança tática de emergência nas ruas perigosas de Madripoor. Eles se unem ao operativo russo Ivan Petrovich com um objetivo central traçado para a missão: resgatar uma garotinha chamada Natasha Romanova, que no futuro se tornaria a Viúva Negra. A criança havia sido sequestrada pelo Barão Strucker, que operava em conjunto com o Tentáculo em um esquema internacional.
O resgate é bem-sucedido e a história constrói o forte contraste entre o soldado polido e o combatente selvagem. Essa HQ serviu para consolidar o fato de que Logan já atuava no cenário global muito antes do programa Arma X ou da formação dos X-Men. O impacto dessa narrativa foi tão grande que definiu o padrão para todas as histórias de flashback envolvendo a Segunda Guerra Mundial na Marvel.
X-Men: A Série Animada (1997)
O episódio “Old Soldiers” transportou essa aliança militar para a televisão durante a quinta temporada da série clássica dos X-Men, em 1997. A trama começa no tempo presente com Logan visitando a cidade de Paris e relembrando uma missão específica e perigosa do ano de 1944. Naquela época, o mutante trabalhava como um agente da inteligência aliada canadense na Europa.
Logan recebe a ordem direta de se unir ao Capitão América para se infiltrar em uma fortaleza fortemente armada. A missão da dupla consistia no resgate de um cientista aliado essencial para o esforço de guerra, o que rapidamente os coloca em rota de colisão direta com o Caveira Vermelha. A invasão exige que ambos utilizem o máximo de suas habilidades de combate para superar a tecnologia avançada do Eixo.
O episódio destaca o trabalho em equipe estratégico contra robôs militares da Hidra e tropas terrestres regulares. Um detalhe interessante é que Logan utiliza garras falsas no episódio. Claro, esse é um período pré-adamantium, mas ainda assim, já havia sido estipulado nos quadrinhos na ocasião que ele possuía garras de osso como parte de sua mutação. Foi uma escolha curiosa da equipe da série animada.
X-Men: Evolution (2001)
A animação de 2001, X-Men Evolution, que reimaginava os mutantes para uma nova geração, também deu sua própria versão para o encontro entre Logan e Steve Rogers no passado, através do episódio “Operação: Renascimento”.
A história é engatilhada no presente da série quando Nick Fury informa a Logan que Magneto conseguiu roubar a câmara original do Projeto Renascimento. Através de flashbacks, a série mostra Logan e o Capitão América conduzindo ataques conjuntos na Europa.
A principal missão de resgate exibida ocorre em um campo de concentração, onde a dupla liberta diversos prisioneiros de guerra e civis. A grande revelação narrativa é que o garoto judeu que eles libertam pessoalmente de trás das cercas de arame farpado é Erik Lehnsherr, amarrando a origem de Magneto diretamente aos atos heroicos do Capitão.
A série também cria uma conclusão dramática e trágica para a parceria. O Soro do Super-Soldado nesta continuidade possui uma falha celular severa que começa a destruir o corpo de Steve Rogers. Para evitar que outras nações repliquem o processo, Logan e o Capitão destroem os dados da fórmula, e Rogers é congelado na câmara para evitar sua morte, forçando Logan a viver com o peso desse sacrifício.
Wolverine: Origins (2007)
O arco “Nossa Guerra”, publicado nas edições 16 a 20 de Wolverine: Origins, de 2007, com roteiro de Daniel Way, trouxe uma atualização importante para aquele encontro original de Madripoor. A HQ explora as zonas cinzentas da operação militar conjunta, revelando que a presença de Logan perto do Capitão América não foi um acaso do destino. O mutante atuava como um mercenário de operações obscuras com uma agenda própria.
Ele foi encarregado por seus superiores de se infiltrar na vida de Steve Rogers e monitorar de perto a eficácia do Projeto Renascimento em campo. O verdadeiro peso da história, no entanto, está nas ordens secundárias e confidenciais de Logan: caso o Soro do Super-Soldado se mostrasse impossível de ser replicado para outras cobaias, sua missão principal passava a ser assassinar o Capitão América a sangue frio.
A narrativa acompanha o Wolverine lutando lado a lado com Steve Rogers e o jovem Bucky Barnes contra os soldados inimigos e a Hidra. Ao longo dos combates, Logan tenta equilibrar suas diretrizes militares sombrias com sua bússola moral, que se recusa a eliminar um herói com ideais tão genuínos. Esse arco adicionou tensão, conflito de interesses e o perigo iminente de traição ao passado que ambos compartilhavam nas HQs anteriores.