
Ano passado, o escritor Chuck Wendig nos apresentou um novo grupo de combatentes rebeldes no livro Star Wars: Marcas da Guerra, explorando a reviravolta sofrida na galáxia após a queda do Império e os eventos de O Retorno de Jedi.
Agora, em um trecho no novo livro, Star Wars: Life Debt (Ainda sem tradução oficial no Brasil, mas que significa algo como “Dívida de Vida”) divulgado com exclusividade para a Entertaiment Weekly, vemos como o caminho desse grupo acaba se cruzando com o de um familiar Wookie e seu parceiro contrabandista coreliano.
A narrativa central de Marcas da Guerra teve lugar no planeta Akiva, com a piloto rebelde Norra Wexley e seu filho Temmin (também conhecido como “Snap” Wexley, interpretado já adulto em O Despertar da Força pelo ator Greg Grunberg). Eles uniram forças com alguns outros simpatizantes anti-império para salvar o piloto Wedge Antilles de uma remanescente frota imperial que planeja se reagrupar após a queda da segunda Estrela da Morte.
Intercalando com essa narrativa principal, foram acrescentados alguns contos independentes, pequenos capítulos que traziam um vislumbre de personagens e locais em diversas partes da galáxia. Um desses interlúdios incluiu um barbudo Han Solo desviando-se de uma missão para ajudar o mundo natal de seu parceiro Chewbacca, o planeta Kashyyyk.
Em Life Debt, a Princesa Leia envia Norra e seu filho em uma missão junto com Jas Amari, uma caçadora de recompensas Zabrak, e Sinjir Rath Velus, um ex-oficial imperial que promete lealdade à rebelião. Isso os coloca em rota de colisão com Han Solo e Chewbacca, enquanto eles lutam pelo planeta de Chewie.
O livro começa a ser vendido nos EUA em 19 de julho de 2016. No Brasil, a editora Aleph já adiantou que irá publicá-lo ainda esse ano.
Confira agora um trecho:
A galáxia está mudando, e com a paz sendo agora uma possibilidade, alguns se atrevem a imaginar novos começos e novos destinos. Para Han Solo, isso significa resolver sua última dívida, ajudando Chewbacca a libertar o planeta natal dos Wookies, Kashyyyk.
Enquanto isso, Norra Wexley e seu grupo de rebeldes perseguem a Almirante Rae Slone a remanescente liderança Imperial através da galáxia. Sloane, cada vez mais cautelosa com o misteorioso Almirante de Frota, procura desesperadamente um meio de salvar o Império em ruínas do esquecimento. Mesmo quando as forças imperiais lutam para recuperar territórios perdidos, a Princesa Leia e a Nova República procuram obter uma paz duradoura.
Mas a caçada dos rebeldes pela Amirante Sloane é interrompida após o desaparecimento de Han Solo e Chewbacca. Desesperada para salvá-los, Leia recruta Norra, Sinjir, Jas e o resto de sua equipe para encontrar os contrabandistas desaparecidos e ajudá-los nas sua luta pela liberdade.
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A grama arranha e se agita conforme Sinjir se arrasta. “Ai!”, diz ele, flexionando a mão e levando a junta de seu polegar à boca. “Essa grama está me cortando em pedaços.”
“Ela bebe o seu sangue”, diz Jas, chegando mais perto. “A Grama Sedenta se alimenta das criaturas que andam sobre ela. Pequenos goles de pequenos cortes.”
Ele franze a testa. “Adorável. Aqui vai a minha atualização de cada hora. E a minha atualização horária é: Estou entediado. Extremamente entediado.”
“Essa é sempre a sua atualização toda hora”, diz Norra.
“Porque é verdade toda hora.”
“Essa é minha atualização também”, Temmin diz, arrastando-se ao lado deles. “Sério, isso é terrível. Eu quero queimar essa grama toda. E os arbustos cheios de espinhos. E as moscas.” Como se para demonstrar, ele golpeia a parte de trás de sua mão. “Viu? Ugh. Eu deveria ter ficado em Chandrilla.”
“Não podemos simplesmente voltar para Kai Pompos?” Sinjir pergunta. “Podemos fazer isso quando anoitecer.Tem um pequeno bar no entorno da cidade, e eles fermentam uma raiz, a raiz Korva, então nós voltamos para algum ponto abaixo das luas de Irudiru, reformulamos nossa estratégia –“
“Esta é uma missão de informação”, diz Norra, sentindo-se como uma mãe dando ordens a uma criança para que ela fique parada. “Nós ficaremos aqui até que todos os fatos sejam encontrados.”
“Os fatos são…” diz Temmin, “o cara não está saindo. Ele se enfiou em um buraco, como um Besouro-de-sangue.” Eles tinham ouvido rumores de que seu alvo, Golas Aram, era um grande caçador, e pensaram que talvez essa seria uma boa oportunidade de chegar perto dele. Mas até agora, nada. Ele não havia saído nem para buscar suprimentos. Ou mesmo para tomar um pouco de ar fresco. Ainda não haviam conseguido ver nem um fio de cabelo do homem. Apenas droides. “Olha só o que temos que fazer. Pegamos o Senhor Ossudo -” Ossudo, cujo corpo esquelético estava dobrado atrás deles, comprimido para baixo com a cabeça inclinada e os braços abraçando os joelhos. “Mandamos o Ossudo até lá, para encontrar o cara, arrastá-lo até aqui, e nós o interrogamos. Simples.”
“Tão simples quanto perseguir pássaros com um martelo”, murmura Sinjir.
“Silêncio todo mundo”, diz Jas. “Temmin, você construiu aquela coisa para mim, ou não?”
“Sim, sim.” Ele enfia a mão no bolso e revela um par de dispositivos na palma de sua mão. Um se parece com uma bala de rifle slugthrower, mas modificada – a cápsula da bala tem frisos em torno de um circuito de lâmpada, e a ponta do circuito tem quatro pequenos pinos. Como uma mandíbula de insetos. O segundo dispositivo é redondo, do tamanho de um botão, com uma pequena antena em zigue-zague.
“É um inseto”, diz Temmim, soando impressionado consigo mesmo.
“Esse planeta já tem insetos suficientes, sem precisarmos adicionar mais,” Sinjir resmunga. “E antes que alguém me corrija, sim, eu sei, é um dispositivo para escuta, e não um inseto de verdade e – olha, esqueçam. Bom trabalho, Jas. O que acontece agora?”
“Não podemos contar com nossos olhos, então precisamos de mais ouvidos. Eu carrego isso no meu rifle e disparo em direção à casa. Então -” Ela pega o segundo dispositivo. “Uso esse fone improvisado para ouvir.”
“Inteligente”, diz Sinjir. “Ainda não tenho certeza do que estou fazendo aqui.”
Jas lhe entrega o dispositivo. “Você vai ficar escutando.”
“Que alegria.” Ele faz uma careta enquanto leva o objeto a seu ouvido.
A caçadora de recompensas pega o rifle slughthrower de suas costas. Norra novamente agarra o binóculo e olha para o complexo.
Agora, um rebanho de animais surge em torno do perímetro invisível – pernas compridas, longos pescoços. Dezenas de criaturas. Alguns param para beliscar nos tufos de arbustos ki-a-ki, enquanto outros se batem com as protuberâncias ósseas em cima de seus focinhos estreitos. Norra tem quase certeza de que eles sejam moraks. Animais enormes, porém herbívoros. Embora ela odiaria ser pisoteada por aquelas pernas compridas – pernas que terminam em pés com garras pontudas.
Jas puxa o rifle slugthrower para perto, e usa seu polegar para ajustar um bipé aberto no final do cano da arma, dando-lhe estabilidade. Ela coloca o escopo contra seu olho. Norra a observa pela grama – o modo como Jas desenha uma respiração profunda, então lentamente exala o até não restar nenhuma respiração…
É surpreendentemente parecido com o que Luke ensinou a Leia, não é?
Exclua o mundo. Esteja atento, mas vazio.
Como um copo a ser preenchido.
(Claro, Jas faz isso para matar pessoas de forma mais eficiente.)
O dedo da caçadora de recompensas coloca-se em torno do gatilho.
Mas então –
Os moraks olham todos para cima, ao mesmo tempo. Um gesto de alarme.
Norra estende a mão e toca o ombro de Jas. “Espere.”
“O que é isso?” Jas pergunta.
“Algo está acontecendo.”
Sinjir arranca o fone de seu ouvido, franzindo o cenho para ele. “Esta coisa está quebrada. Está fazendo… um gemido estridente. Um barulho desgraçado.”
Lá embaixo, os moraks começam a se mover. Todos de uma vez, como um rebanho em movimento. Eles avançam a galope, suas longas pernas ossudas lançando-os para frente com uma rapidez que surpreende Norra.
Os animais correm em direção à colina onde o grupo espera.
Cada vez mais perto, mais perto.
O chão começa a vibrar debaixo deles.
É muito íngreme, com certeza. Eles não podem —
Os animais chegam ao fundo da colina e começam a se embaralhar. Seus pés com garras aumentam a velocidade, e agora Norra sabe para que servem aquelas garras. Espirais de poeira atrás deles.
Eles estão vindo direto para nós.
“Temos que sair daqui,” Nossa sibila. “Corram!”
Ela e os outros saem do esconderijo e viram de costas, correndo pela grama. A manada de moraks sobe a colina, balindo e babando muco de seus focinhos. O chão estronda com a debandada do rebanho.
A grama corta os braços de Norra, mas ela não pode perder tempo tomando cuidado. Todos se movem com velocidade – todos exceto Senhor Ossudo, que está sentado em seu abrigo, e espera-se que seja resistente o suficiente para sofrer os golpes dos moraks. Ela não está certa ainda de para onde devem ir. Correr em linha reta? Virar para o lado? Os moraks já estão logo atrás deles —
Um deles passa por Norra em um pesado galope, batendo nela com seu longo pescoço – a coisa tem o dobro de sua altura, e ela mal se joga para fora de seu caminho, outros já surgem atrás dela. À frente, embora ela não possa ver, o outro lado da colina os espera. E então? Correr para baixo, tentando não cair? Se jogar no chão e rezar que o rebanho de moraks passe direto?
A caçadora de recompensas corre a seu lado, e quando um morak surge por trás dela, Jas o golpeia com o cano de seu rifle slugthrower – e a besta vagueia bêbada em direção a Norra, que cambaleia –
Suas pernas saem do chão –
E Temmin a agarra pelo cinto evitando que ela caia. É suficiente para ajudar suas pernas a reencontrarem o solo. Norra está prestes a agradecer seu filho –
Ela não tem essa chance.
Um som os acerta. Um zumbido sonoro. De repente, os moraks estão gritando e girando bruscamente, o rebanho dividido em dois, como se separados por uma fatia invisível. Norra pensa, obrigado às estrelas por estarem fazendo isso.
Mas então algo cai na grama na frente deles, a coisa rola algumas vezes como uma pedra arremessada. Ela emite um sinal sonoro três vezes seguidas. Então:
Um implosivo som – foomp. O ar acende em torno deles, um pulso de luz brilhante. Ele sacode o ar violentamente, atingindo-a como um trovão. Norra de repente se vê cega e surda, seus ouvidos zumbem, a visão lavada de um branco lancinante. Ela se atrapalha com o blaster ao seu lado – ela o puxa, e ele de repente está caindo longe de sua mão, fazendo barulho à distância.
Uma forma surge na frente dela conforme a luz branca começa a se dissipar: a forma de uma pessoa. Norra pensa: Aram nos pegou. Pensamos que estávamos vigiando ele, mas ele é que estava nos vigiando.
Ela se inclina para a frente, começando a ficar de pé.
“Não se mova”, diz uma voz. Calmo, mas urgente.
Norra pergunta enquanto seus olhos se ajustam, “Quem é? Quem está aí?”
A figura dá um passo à frente. Ela percebe dois blasters mantidos no ar, um em cada mão, e um deles apontado diretamente para ela. “Meu nome é Han Solo. Capitão da Millennium Falcon. Quem diabos é você?”




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