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Se você é fã de anime e mangá, você já deve ter ouvido falar sobre a Weekly Shonen Jump. Essa revista é conhecida por ter um ambiente de trabalho muito competitivo e severo, mas também foi responsável por publicar grande parte dos mangás mais importantes da história, como Dragon Ball, Hokuto no Ken, One Piece, Naruto, Yu-Gi-Oh!, Jujutsu Kaisen e muito mais.

A Shonen Jump nasceu por meio da insistência de um editor que desejava criar uma nova revista capaz de revolucionar o mercado japonês. Muitas pessoas do ocidente enxergam os clássicos dilemas do shonen como clichês e a rotina de um mangaká como um trabalho infernal, mas esses 2 fatores foram os principais pilares para o crescimento da maior revista de mangás do mundo.

Como a Shonen Jump surgiu?

A Shonen Jump nasceu em 1968, pouco antes de substituir a sua antecessora, a Shonen Book, uma revista que foi muito importante para a expansão das histórias shonen no Japão. Por muitos anos, o famoso shonen permaneceu como dominante entre as categorias japonesas, mas a editora Shueisha apostou no mercado shoujo primeiro, quando começou a investir nas revistas de mangás.

Na década de 50, o conteúdo das revistas de qualquer tipo era considerado majoritariamente direcionado para garotos. Para atrair o público feminino, os editores da Shueisha decidiram lançar a Shojo Book, que ajudou na repercussão de leitores interessados em mangás shojo. Além disso, a Shojo Book abriu portas para o lançamento de outra revista shojo famosa, a Ribon.

Em 1949, nasceu a Omoshiro Book, que era uma revista descrita como “divertida para meninos e meninas”. Entretanto, depois de fazer sucesso com a Shojo Book, os editores viram que já era hora de investir em uma revista de mangás shonen.

Em 1958, a Omoshiro Book serviu de base para publicar uma nova revista mensal, intitulada “Shonen Book”. Provavelmente, a categoria shonen não teria a mesma influência dos dias de hoje sem o impulso dessa revista, porque os leitores da época foram conquistados pelas lendas que moldaram a arte do mangá moderno, como Osamu Tezuka, Tatsuo Yoshida e Go Nagai.

Portanto, a Shonen Book foi responsável por publicar Speed Racer, Vampiros e outros mangás clássicos. Todo o reconhecimento que veio dessa época serviu de base para criar o público fiel da geração de Akira Toriyama, Eiichiro Oda, Koyoharu Gotouge e assim por diante.

No entanto, um editor chamado Tadasu Nagano achou que a Shueisha poderia ir muito mais longe com uma revista semanal. Ele entrou na Shogakukan em 1951 e ganhou notoriedade devido ao seu talento como editor. Quando ele virou editor-chefe da Shonen Book, Nagano apresentou suas ideias de mudança ao presidente da Shueisha, Tetsuo Ōga, um dos empresários mais importantes do Japão por ser filho de Takeo Ōga, o fundador da Shogakukan.

Lançar uma revista semanal não parecia uma boa ideia, considerando os resultados positivos da publicação mensal. Nagano era uma pessoa muito insistente, então ele persuadiu seus superiores até chegarem a um acordo. Nesse ínterim, a Shonen Jump finalmente nasceu.

A princípio, Tetsuo mandou que a nova revista fosse quinzenal, mas os seus resultados foram mais surpreendentes do que o esperado. Sob a tutela de Nagano, o número de vendas da Shonen Jump subiu rapidamente no primeiro ano. Em 1969, o mesmo ano que a Shonen Book lançou a sua última edição, as publicações passaram a ser semanais e o nome da revista mudou para Weekly Shonen Jump.

Devido ao sucesso da revista semanal, a Shonen Book virou um investimento de segundo plano para a editora. Os editores prosseguiram com lançamentos mensais, mudando o nome da revista para Monthly Shonen Jump (1970-2007), que mais tarde virou a Jump SQ (revista mensal atual).

A importância dos dilemas

Todos os fãs sabem que os animes shonen são rodeados por clichês, como um poder milagroso que salva o protagonista na última hora. Isso pode ser um desejo de proteger os amigos, uma determinação imbatível ou uma superação de limites que desperta quando menos se espera. Os mangás da Shonen Jump seguem essas tradições, porque são dilemas escolhidos pelos próprios leitores.

Em uma das edições da Shonen Book, Nagano lançou um questionário, perguntando quais são as três palavras mais importantes para os jovens japoneses. Eles responderam: Amizade, Esforço e Vitória, dilemas que foram enraizados no slogan da Shonen Jump desde o início.

TOC

Nagano criou a Shonen Jump com o sistema TOC (Table of Contents), um sistema de votação que classifica a ordem de leitura dos mangás em cada edição. Os mangás que ficam em primeiro lugar geralmente são os mais populares, enquanto aqueles que ficam em último lugar são os menos votados.

Esse sistema é o que motiva muitos mangakás a passarem dias e noites sem dormir e comer direito para terminar o próximo capítulo, pois a popularidade é o que vai sustentar o lugar deles na revista. Séries mais longas e famosas não são muito afetadas pela TOC, mas um mangá novato pode ser cancelado se ficar em último lugar frequentemente.

Vale ressaltar que a TOC não é um simples questionário de popularidade, ele também envolve o engajamento do mangá, o perfil de idade dos leitores, as séries mais sustentáveis a curto e longo prazo e outros fatores importantes.

Em um SBS de One Piece, Eiichiro Oda falou que a ordem de classificação semanal da Shonen Jump é para “maximizar o aproveitamento de leitura do público”.

Os primeiros mangás publicados na revista

Entre a década de 70 a 80, a Shonen Jump passou pelas suas primeiras mudanças para descobrir quais mangás tinham o potencial de seguir o slogan da revista com inovação e perseverança. Na sua primeira edição, a Shonen Jump estreou com apenas algumas one-shots e duas séries: Kujira Daigo, de Sachio Umemoto, e Chichi no Tamashii, de Hiroshi Kaizuka

As one-shots da primeira edição também tinham a função de gerar um apelo comercial, apresentando grandes nomes, como Flash Gordon, do quadrinista americano Dan Barry, e Harenchi Gakuen, de Go Nagai, o criador de Devilman.

Go Nagai foi o primeiro mangaká a abordar alguns dos temas mais populares dos mangás japoneses. Ele tornou o estilo ecchi famoso a partir de Harenchi Gakuen em 1968, e também foi o pioneiro dos mangás mecha em 1972, com Mazinger Z.

Diferente da revista atual, a Shonen Jump costumava trabalhar com poucos mangakás e não publicava séries tão longas como Naruto e One Piece. Poucos mangás ultrapassaram 100 capítulos e era ainda mais difícil encontrar uma série que duraria por tantos anos. Gag mangás (gênero de comédia) eram muito famosos na época e alguns deles chegaram a ter mais de 200 capítulos, o que era um caso muito raro na revista.

No entanto, em 1978, o terceiro editor-chefe da Shonen Jump, Shigeo Nishimura, deu espaço aos novos artistas promissores lançarem séries mais longas. Além disso, ele foi responsável por encontrar mangás, que deram uma “nova cara” aos gêneros de destaque.

Por exemplo, Capitão Tsubasa levou os mangás de esporte ao reconhecimento nacional, Dr. Slump foi o mangá de comédia que inspirou expressões exageradas de humor e mangás de ação como Kinnikuman começaram a dominar o mercado shonen.

Graças a reformulação de Nishimura, a Shonen Jump entrou na sua “Era de Ouro”, onde nasceu Dragon Ball, Slam Dunk, Yu Yu Hakusho e outros mangás que marcaram a década de 80 e 90.

A rigorosidade de Tadasu Nagano

Alguns editores da Shonen Jump são respeitados pela sua excelente liderança, mas também são descritos como pessoas monstruosas por exigir demais dos mangakás e outros funcionários que lhe servem. Tadasu Nagano também é descrito de tal forma, já que foi ele quem criou o ambiente de trabalho duro da revista.

A Shueisha tinha um orçamento limitado para revistas de mangás, então a equipe de editores de Nagano trabalhava como freelancers e recebiam salários baixos. Apesar do seu sucesso editorial, a maioria dos seus funcionários não aceitaram continuar trabalhando nessa condição e iniciaram uma série de greves em 1969.

Com a ajuda de Tetsuo, Nagano prometeu promover os freelancers em trabalhadores regulares, fazendo um concurso. Aqueles que foram sorteados ganharam vagas de editores permanentes, e o resto dos manifestantes acreditaram na esperança de que seriam os próximos. Mas Nagano apenas usou essa estratégia para acabar com as greves e continuou com o sistema de freelancer logo em seguida.

O legado que Nagano deixou foi essencial para a Shonen Jump chegar ao topo, mesmo com as problemáticas internas da revista. Quando ele assumiu o cargo de diretor administrativo da Shueisha, Nagano deixou a revista aos cuidados dos seus seguidores mais confiáveis, Yusuke Nakano, o segundo editor-chefe, e Nishimura.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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