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Hirohiko Araki é um dos mangakás mais renomados no Japão e reconhecido por sua obra-prima, JoJo’s Bizarre Adventure. Sua série se estende por várias partes e é acompanhada por um grande número de fãs há mais de 35 anos.

A carreira de Araki começou nos anos 80, uma época em que os mangás de batalha shonen só podiam sobreviver seguindo o padrão de Dragon Ball e Hokuto no Ken, mas JoJo trilhou um caminho distinto. O seu autor combinou os elementos clássicos do shonen com poses exageradas, um estilo de moda chamativo e enredos malucos para criar o mangá mais bizarro de todos.

A juventude de Hirohiko Araki

Araki começou a nutrir paixão pela literatura na infância, acompanhando mangás dos anos 70 e a coleção de livros de artes do seu pai. No ensino fundamental, ele se divertia fazendo desenhos para os seus amigos, que gostavam de ver os seus primeiros rascunhos de mangás. Os elogios deles inspiraram o pequeno Araki a se tornar um mangaká.

Durante o ensino médio, Araki criou várias histórias para enviar às editoras de mangás, mas todas elas foram rejeitadas e os editores não davam nenhum feedback. Aos 16 anos, ele testemunhou a dupla de autores conhecido como Yudetamago fazerem a sua estreia profissional com Kinnikuman (Músculo Total). Descobrir que a dupla tinha a mesma idade que ele deixou Araki surpreso.

A partir desse momento, o desejo de “Eu quero me tornar um mangaká” mudou para “Eu vou me tornar um mangaká”. Essa determinação levou Araki a refletir sobre o porquê os seus trabalhos eram rejeitos e o que faltava neles. Então ele viajou até Tóquio para pedir pessoalmente uma avaliação aos editores da Shueisha.

O editor novato Ryosuke Nakashima avaliou um mangá, que Araki passou a noite inteira desenhando, e criticou cada página lida. Contudo, Nakashima encorajou o jovem artista a refazer a história para enviar ao Prêmio Tezuka de 1980.

Primeiros projetos na Shonen Jump

Araki se inscreveu no Prêmio Tezuka com uma one-shot chamada Poker Under Arms, que ficou em segundo lugar na premiação e deu início a sua carreira profissional. Ele estudou design de moda na universidade, mas preferiu continuar desenhando mangá em vez de seguir outra profissão.

Nenhuma das suas one-shots apresentava uma história que merecesse ganhar uma serialização dos editores. Entre todas as suas rejeições, havia uma one-shot específica que Araki insistiu para ser aceita a todo custo, Cool Shock B.T.. Na sua visão, B.T. seria um sucesso porque seu protagonista trazia um conceito novo, sendo um estrategista que derrota os vilões na base da inteligência.

Os editores recusaram B.T., dizendo que o protagonista não se encaixava com o slogan da Shonen Jump: “amizade, esforço e vitória”. Ainda assim, Araki não desistiu do seu mangá até ganhar uma aprovação em 1983. Cool Shock B.T foi o seu primeiro mangá semanal na revista, mas a obra foi cancelada em apenas 10 capítulos.

Até mesmo o editor de Araki que o apoiava perdeu as esperanças nesse mangá ao ver um desempenho ruim nas votações. Apenas o último capítulo de B.T. foi bem aceito pelos leitores, com uma taxa alta de votos, o que deixou o autor completamente chocado. De acordo com Araki, os leitos gostaram do último capítulo porque o protagonista lutou para proteger seus amigos pela primeira vez.

Embora o seu mangá tenha sido cancelado, Araki aprendeu que precisa manter os princípios shonen para criar um mangá de sucesso na Jump. As suas próximas séries foram um mangá semanal de 17 capítulos, Baoh the Visitor, e um mensal de 2 capítulos, Gorgeous Irene.

Araki cita que Baoh não progrediu porque ele não havia encontrado ainda o seu estilo definitivo como artista. Gorgeous Irene era um candidato para publicação semanal também, mas um mangá shonen com protagonista feminina não era algo que dava certo nos anos 80, por isso esse título foi descartado.

Depois de tantas tentativas, Araki finalmente desenvolveu uma obra capaz de trazer as suas paixões da forma mais bizarra possível, JoJo’s Bizarre Adventure, em 1987.

Como JoJo foi criado

Reprodução/Shueisha

As mídias de entretenimento como mangás e filmes foram marcados por personagens musculosos, que simbolizavam a imagem do homem super masculino, nos anos 80 e 90. Araki adorava os filmes antigos de Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone por brincarem com esse estereótipo. Eles fizeram o autor pensar “Quem é a pessoa mais forte do mundo?”, a pergunta que serviu de base para o nascimento de JoJo.

Outras ideias como imortalidade, justiça e poder vieram à sua mente nesse momento. Assim, ele decidiu que o tema da sua obra seria sobre uma disputa de caras fortes e uma força de vontade inabalável, que é passada pelas gerações de heróis.

Dois anos antes do lançamento de JoJo, Araki viajou à Itália e ficou exaltado com as obras renascentistas. As famosas poses dos seus personagens foram influenciadas pelas esculturas romanas que ele conheceu ali. Além disso, seu interesse por moda e música também foram usados como inspiração. Por exemplo, as roupas dos personagens foram inspiradas por tendências de modas diferentes, e os seus nomes fazem referência a cantores e músicas que Araki adora.

A influência de Araki

Em 2015, Araki escreveu Manga in Theory and Practice: The Craft of Creating Manga, um livro destinado para aqueles que desejam aprender a fórmula de criar mangás. O seu livro repercutiu entre artistas do mundo inteiro, que o nomearam como “A Bíblia dos Mangakás”.

Existem muitos quadrinistas no ocidente que almejam lançar um mangá no Japão, mas não conhecem os métodos que os autores japoneses usam para criar histórias. Pensando nisso, Araki fez esse livro para revelar quais são os truques e segredos que ele e todos os outros mangakás profissionais utilizam no seu dia a dia.

A longa jornada de JoJo

Reprodução/David Production

JoJo é um dos mangás mais longos da Shonen Jump, mas a sua extensão não vem de uma história única e de longa duração, como One Piece, e sim de uma divisão de partes fechadas. Tudo começa na Parte 1: Phantom Blood, com o conflito de Jonathan Joestar, e da parte 2 em diante a história continua através dos seus descendentes.

A Shonen Jump publicou JoJo como uma série semanal até 2004, no final da Parte 6: Stone Ocean, mas Araki decidiu mudar para a revista mensal Ultra Jump neste ano. Ele fez a troca de revistas porque a sobrecarga do ritmo semanal tirava a sua satisfação de desenhar mangás.

Cada uma das suas partes apresenta um grupo de personagens e histórias únicas, que se adaptam a cada geração de leitores. No decorrer do tempo, Araki abordou em JoJo ideias que ele não conseguia trazer no passado como uma história protagonizada por uma mulher.

Na nota de Gorgeous Irene, Araki diz: “Pensei em transformá-lo em um mangá serializado, mas na época fiquei um pouco relutante em desenhar um mangá shonen completo com uma mulher que luta como personagem principal. Assim, tive que esperar mais de 12 anos antes de criar Jolyne Cujoh em Stone Ocean, a sexta parte do meu próprio trabalho, JoJo’s Bizarre Adventure.”

Em 2023, JoJo chegou em sua Parte 9: The JoJoLands, que está em publicação mensal até hoje. Em uma entrevista para o jornal Mainichi Shimbu, Araki diz: “Se JoJo’s Bizarre Adventure acabar sendo a única série notável em que eu trabalho, tudo bem. Sabia que existem oleiros que continuam no trabalho até depois dos 90? É algo que eu admiro. Eu quero continuar escrevendo essa série para sempre.” 

Isso quer dizer que ele não tem planos para terminar sua obra tão cedo, portanto JoJo pode chegar na sua parte 10 ou ir até além disso, dependendo da determinação de Araki no futuro.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.