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Akira é uma das animações mais admiradas das últimas décadas por expandir a marca dos animes no ocidente e introduzir um novo padrão de arte na criação de mangás. Este fenômeno inusitado nasceu da mente de Katsuhiro Otomo, um artista japonês que pensava apenas em ganhar a vida trabalhando com mangá, e se tornou um dos cineastas mais famosos do seu país.

Seu objetivo era criar uma história de ficção científica em uma época onde esse gênero não era tão popular entre os mangás, mas as dificuldades não impediram ele de criar histórias voltadas ao seu gosto pessoal.

Juventude de Katsuhiro Otomo

Katsuhiro Otomo nasceu no dia 14 de abril de 1954 em Tohoku, na província de Miyagi. Sua cidade natal fica em uma área rural, longe da cidade grande, por isso, na infância, ele só encontrava entretenimento através dos mangás. Como ele era o único menino no meio de várias irmãs, Otomo não tinha nenhum parente com gostos em comum.

Desde criança, ele é apaixonado por histórias de ficção científica como Astro Boy e Tetsujin 28-go. Na escola primária, Otomo usava esses mangás como referência para desenhar, mas ele só entendeu o processo de criar histórias após ler o livro How to Draw Manga, de Shotaro Ishinomori.

Nos anos 60, o mercado de mangás foi dominado pela onda do gekiga (mangás para adultos), e o jovem Otomo foi influenciado por três autores nesta fase: Osamu Tezuka, Shotaro Ishinomori e Mitsuteru Yokoyama. Alguns dos seus mangás até apresentam homenagens aos seus ídolos. Por exemplo, em Fireball, o computador principal se chama Atom em homenagem a Tezuka.

No início dos anos 70, ele também ficou interessado por cinema ao testemunhar o advento dos filmes internacionais de andarilhos e velho-oeste. Otomo adorava ir ao cinema para assistir filmes como Bonnie e Clyde, Sem Destino e Perdidos na Noite. Só era possível ir ao cinema uma vez por mês, já que o mais próximo ficava a duas horas da sua cidade.

No ensino médio, ele queria se mudar para a capital de Tóquio para trabalhar como ilustrador ou diretor de cinema. Uma oportunidade surgiu quando um dos seus amigos lhe apresentou um editor da Futabasha. O editor gostou dos trabalhos de Otomo e pediu para entrar em contato com ele após sua formatura.

Começo como mangaká

Em 1973, Otomo publicou seu primeiro mangá profissional, A Gun Report, uma adaptação do conto Mateo Falcone de Prosper Mérimée. Nessa época, os mangás eram mais populares no Japão pelos temas de gekiga ou esporte, mas Otomo queria trabalhar com ficção científica.

Em 1976, ele escreveu e ilustrou uma coletânea de histórias curtas chamada Short Peace, que foram publicadas por 3 anos. O retrato de experimentos humanos e movimentos sociopolíticos pós-guerra já eram notáveis em suas histórias desde o começo.

Em 1979, Otomo trabalhou em seu primeiro mangá de ficção científica, Fireball. Sua série foi encerrada às pressas e sem um final adequado devido à falta de planejamento, mas, ao menos, o enredo de Fireball serviu de base para criar outros mangás como Akira.

Em uma entrevista para Kodansha, Otomo disse: “Você poderia dizer que Akira nasceu da frustração que eu tinha sobre isso na época. A história é diferente de Fireball, mas eu queria construí-la da mesma forma, então eu entrei em mais detalhes da história em meus preparativos para Akira. Não importa o que, eu queria desenhar exatamente o final que eu queria.”

Seu próximo mangá de ficção foi Domu, publicado de 1980 a 1981, uma das primeiras obras que fez sua carreira como mangaká decolar. Domu nasceu da ideia de criar uma obra de terror como no filme O Exorcista. Para criar o cenário de terror, Otomo se inspirou no complexo Takashimadaira no norte de Tóquio, um local que era famoso pelos casos repetidos de pessoas pulando dos blocos de apartamentos

Em 1981, Otomo demonstrou seu talento como designer de mechas com Farewell to Weapons e Kibun wa mō Sensō (escrito por Toshihiko Yahagi). O design de mecha de Farewell to Weapons foi inspirado no trabalho do Studio Nue e do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço. Eventualmente, o design de Otomo foi tão impressionante que ele foi classificado como um dos melhores designers de mecha do mundo.

A criação de Akira

Akira foi criado em 1982 a pedido da Kodansha, que desejava publicar um mangá de Otomo na revista Young Magazine. O editor de Otomo disse, na primeira reunião deles, que o mangá poderia ser uma história curta, com apenas 10 capítulos. Contudo, Akira fez tanto sucesso que seu mangá se estendeu até 1990, com 120 capítulos.

Sua maior fonte de inspiração neste caso foi Tetsujin 28-go, de Mitsuteru Yokoyama. Otomo se baseou na obra de Yokoyama para criar vários elementos de Akira como seu enredo e os nomes dos personagens principais. A ideia do autor também envolvia trazer o mesmo cenário em que ele cresceu na década de 60, que seria um Japão em fase de restauração e habitado por jovens delinquentes com motocicletas.

Para criar esse cenário, Otomo consta que:

“Akira é a história da minha própria adolescência, reescrita para acontecer no futuro. Nunca pensei muito profundamente sobre os dois personagens principais enquanto os criava; apenas projetei como eu era quando era mais jovem.”

Em 1988, uma versão colorida de Akira foi publicada nos Estados Unidos pela Epic Comics, da Marvel Comics. O próprio Otomo pediu pela coloração de seu mangá e que seu sentido de leitura fosse alterado, pois ele acreditava que os leitores ocidentais estranhariam um quadrinho preto e branco com uma leitura contrária ao seu costume.

A coloração foi feita pelo quadrinista Steve Oliff, e Otomo acompanhou ele em todo o processo. Teve até uma vez que Oliff recebeu Otomo em sua casa no Point Arena, Califórnia, para eles trabalharem juntos pessoalmente. A versão colorida de Akira foi um ponto de virada no mercado de mangás e HQs por ser o primeiro quadrinho do mundo a receber cores no formato digital.

O anime de Akira

Novo mangá do criador de Akira
Reprodução/TMS Entertainment

Otomo aprendeu sobre direção e roteirização de cinema por conta própria aos 25 anos. Seu primeiro filme foi um live-action independente de 16 mm com uma hora de duração, que custou 5 milhões de ienes. Ele fez sua estreia no ramo de animação em 1982, como designer de personagens para o filme de Genma Wars. Enquanto trabalhava no estúdio, ele pensou: “Acho que eu posso fazer isso sozinho!”.

Sua carreira como diretor de animação começou em 1987, com Construction Cancellation Order, um dos filmes da coletânea de Neo Tokyo. Em 1988, Otomo fez a direção e o roteiro da adaptação animada de Akira para os cinemas. A Kodansha propôs uma animação para Akira, e o autor aceitou desde que ele fosse responsável pela supervisão do projeto.

O filme de Akira foi um tremendo sucesso nos cinemas japoneses e no exterior, mas Otomo afirmou que não pretende deixar que sua carreira seja definida por apenas um trabalho. Em uma entrevista, o autor disse: “ Quando as pessoas dizem que Akira é a única coisa fenomenal que eu fiz, eu não me sinto bem. Eu quero seguir em frente, dar um passo ainda mais longe.”

Direção de cinema

Depois de Akira, Otomo passou mais tempo trabalhando na produção de animes do que em mangás. Em 1995, ele foi o produtor executivo de Memories, um filme antológico baseado em três de suas histórias. Memories foi uma das primeiras animações que Otomo começou a explorar o CGI. A partir deste projeto, ele decidiu usar CGI em suas animações com mais frequência.

Em 1998, Otomo dirigiu Gundam: Mission to the Rise, um curta-metragem em CGI e comemorativo do 20º aniversário da franquia. O estúdio Sunrise já estava trabalhando em um design mais moderno para Gundam neste período. Mas Otomo não queria fazer alterações demais, porque ele acreditava que isso poderia tirar a estatística original de Gundam.

Em 2001, Otomo escreveu o roteiro para o longa-animado que adapta o mangá de Osamu Tezuka, Metropolis. Essa adaptação traz os cenários detalhados e complexos do diretor, sem tirar o estilo clássico dos personagens de Tezuka.

A Sunrise também produziu o filme Steamboy em 2004, sob a direção de Otomo. O diretor decidiu ambientar este filme no século XIX, durante a Revolução Industrial Britânica, para explorar a combinação de máquinas a vapor com animação CGI.

Além disso, ele também foi diretor de filmes live-actions. Um dos seus filmes mais notáveis é a adaptação live-action do mangá Mushishi, de Yuki Urushibara.

Live-action de Akira

A Warner Bros. planeja fazer um filme live-action americano de Akira desde 2002, mas o projeto foi adiado várias vezes. Cinco diretores experientes já foram escalados ao projeto, e acabaram sendo rejeitados por apresentarem ideias que não atendem aos requisitos de Otomo.

O criador de Akira já declarou abertamente que permite alterações em sua obra para um filme live-action, visto que é uma mídia diferente do mangá e anime. No entanto, o filme só irá prosseguir quando Otomo e a Warner Bros. entrarem em um acordo sobre como adaptar a obra da forma mais adequada.

Atualmente, Taika Waititi (diretor de Thor: Amor e Trovão) é o responsável pela direção de Akira. Segundo o diretor, ele pretende dar mais atenção a este projeto futuramente, e sua fonte de referência deve se basear no mangá original ao invés do anime.

Influência de Otomo para as próximas gerações

O estilo de Otomo possui uma particularidade tão detalhista que inspirou os artistas de mangás e animes a adotarem traços mais realistas em suas obras. Naoki Urasawa, o criador de Monster, já falou em uma entrevista como Otomo é uma influência imensa para o mercado de mangás: “Osamu Tezuka criou a forma que existe hoje, então as caricaturas apareceram em seguida, e os quadrinhos mudaram novamente quando Katsuhiro Otomo entrou em cena. Não acho que haja espaço para mais mudanças.”

Embora ele tenha se afastado da indústria dos mangás por um longo período, Otomo afirmou que pretende retomar sua carreira como mangaká com uma nova história. Esse mangá foi anunciado em 2012, mas ele foi adiado por motivos como a demanda de outros projetos, eventos e bloqueio criativo. A divulgação só revelou que o mangá será de longa duração e seu mundo se passa na Era Meiji (1868 –1912) do Japão.

Leia mais sobre Akira:

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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