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Mangás e animes de super-heróis tradicionais costumam se basear na imagem do Kamen Rider, a maior figura de herói na mídia japonesa. Mas Kōhei Horikoshi sempre preferiu os super-heróis da Marvel e DC, o que se reflete em seu mangá, apresentando um universo de heróis mais similar às HQs americanas do que às histórias de Kamen Rider.

My Hero Academia surgiu em um momento em que os filmes de super-heróis se tornaram uma grande tendência, por isso os leitores japoneses estavam mais receptivos a um mangá shonen que explorasse um gênero fora da sua alçada. Horikoshi conseguiu se destacar com seu mangá e ainda se manteve como um dos maiores pilares da Shonen Jump por 10 anos.

A influência dos super-heróis em Kōhei Horikoshi

Horikoshi cresceu, lendo os três mangás que marcaram sua geração, One Piece, Naruto e Bleach. Os autores que fizeram parte do big 3 (Eiichiro Oda, Masashi Kishimoto e Tite Kubo) são considerados os heróis da sua infância por criarem histórias tão inspirados e cativantes.

Ele também era um grande fã de Dragon Ball, e começou a desenhar para tentar replicar os personagens do anime. Enquanto estudava na escola, um amigo de Horikoshi o convenceu a fazer uma fan-art de One Piece para enviar ao Oda. Os dois enviaram seus desenhos pelo correio em 2002, mas apenas Horikoshi teve sua arte publicada no Usopp’s Pirate Gallery, um volume dedicado às fan-arts de One Piece.

Contudo, animes e mangás japoneses não eram a sua única fonte de inspiração. Quando as histórias de super-heróis surgiram em seu caminho, Horikoshi virou um fã de carteirinha da Marvel e DC.

Em uma entrevista com o autor, vemos que ele possui uma coleção enorme de action-figures dos X-men, Vingadores e muitos outros heróis. Na San Diego Comic-Com de 2018, ele até comprou uma figura de tamanho real do Homem-Aranha para sua coleção. O editor da Shonen Jump, Urian Brown, perguntou se a compra valeu a pena, visto que era uma peça extremamente cara, e Horikoshi respondeu com um sim cheio de empolgação.

Primeiros trabalhos na Shonen Jump

Após se formar na escola, Horikoshi foi para um curso profissional de design. Embora os ensinamentos do curso não fossem aplicáveis para a profissão de mangaká, ele frequentou todas as aulas para pegar trabalhos na sua área. Os serviços incluíam trabalhos freelancer como ilustrador.

Antes de enviar o seu primeiro mangá, ele analisou várias one-shots diferentes da revista Akamaru Jump como um método de estudo. Dessa forma, ficou claro em sua mente como usar a divisão de páginas, criar um clímax e todos os outros conhecimentos básicos de um mangá.

Aos 22 anos, Horikoshi enviou sua primeira one-shot à Akamaru Jump em 2007, chamada Tenko. Em 2008, a revista publicou mais duas one-shots dele, My Hero e Shinka Rhapsody. My Hero apresentava uma história de super-heróis, que foi refeita futuramente para criar a obra principal de Horikoshi.

Nessa versão, o protagonista Midoriya Jack é um adulto assalariado que deseja ser um herói, mas ele pensa em desistir quando descobre que não possui força nem talento para enfrentar batalhas perigosas.

Os editores viram potencial nas histórias de Horikoshi, e decidiram dar uma chance para ele na Shonen Jump. O seu primeiro mangá semanal foi Oumagadoki Zoo, publicado em 2010, e o segundo foi Barrage, publicado em 2012. Mas Oumagadoki Zoo foi cancelado em 5 volumes, e Barrage em apenas 2.

Durante 2 anos, Horikoshi ficou desesperado por não conseguir criar uma nova série que fosse aceita. A dificuldade foi tanta que ele até pensou em desistir da carreira de mangaká nesse período. Mas as suas esperanças retornaram em 2014, quando My Hero Academia estreou na Shonen Jump.

A criação de My Hero Academia

Horikoshi reciclou alguns elementos dos seus trabalhos anteriores para criar o sistema de poder e os personagens principais de My Hero Academia. Izuku Midoriya foi inspirado na versão jovem do autor, que era um garoto tímido, reservado e viciado por super-heróis.

Inicialmente, Horikoshi pensava em criar um protagonista adulto e que usa aparelhos tecnológicos para lutar, mas o seu editor descartou essa versão, dizendo que um jovem estudante com superpoder seria uma opção melhor. Um dos personagens de Oumagadoki Zoo, Shishido, serviu de base para a criação do rival, Katsuki Bakugo.

Para personagens femininas, Horikoshi tem preferência em desenhar garotas com cabelo curto. As suas heroínas principais costumam seguir esse padrão de penteado, incluindo Ochako Uraraka. O mentor do protagonista precisava ser alguém que representasse a “existência suprema”, como Superman. Então Horikoshi se inspirou na imagem dos heróis americanos e na personalidade de Goku para criar o pilar do seu mundo, All Might.

O traço de Horikoshi ficou bem conhecido pela sua arte detalhada nos designs de personagem e nos cenários. Entretanto, ele admitiu que esse hábito de botar tantos detalhes deixou o trabalho muito mais puxado para ele e os assistentes.

Em uma entrevista com Tite Kubo, Horikoshi diz que os seus assistentes sofreram durante o arco do Treinamento em Conjunto devido aos seus cenários complexos. Ele diz: “Toda semana daquele arco, meus assistentes me perguntavam: ‘Quanto tempo isso vai durar?’ Eu precisava de um espaço em que cada personagem pudesse exibir suas habilidades, e essa foi minha solução.”

Problemas de saúde

Eventualmente, o peso de ser um mangaká de sucesso também chegou em Horikoshi, o que significa que ele sofreu problemas de saúde graves no seu processo de trabalho. Em 2023, a sua saúde piorou tanto que deixou os seus fãs e colegas preocupados.

Em uma nota pessoal, Horikoshi disse: “Um fluido continuava saindo dos meus ouvidos, mas agora finalmente parou. Meus ouvidos estavam à beira da morte, chegou bem perto”.

Essa situação preocupante fez até Yusuke Murata, o ilustrador de One Punch-Man, soltar uma mensagem de apoio para seu colega descansar. Todavia, Horikoshi preferiu continuar desenhando até My Hero Academia acabar em vez de tirar uma pausa longa. É claro que ele não suportou trabalhar nessas condições, então, de vez em quando, precisava tirar um hiato de uma ou duas semanas para se recuperar.

O fim de My Hero Academia

A maioria dos fãs acreditava que My Hero Academia iria acabar em 2021 ou 2022, mas Horikoshi precisou de uma luta extensa para concluir a saga final do jeito que ele queria. Segundo o autor, a conclusão de sua história não pode ser uma típica luta rápida, por isso ele fez questão de dar um arco de fechamento adequado para cada personagem, que seria importante na guerra final.

Depois de uma longa jornada, Horikoshi confirmou que o seu mangá deve acabar em agosto de 2024. Apesar das dificuldades que surgiram no meio do caminho, ele deixou seu nome marcado nesta geração, mostrando que mangás de super-heróis também podem atingir um público enorme.

Leia mais sobre My Hero Academia:

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.