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Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba se tornou um dos animes e mangás mais admirados e famosos da geração atual, e Koyoharu Gotouge conquistou todo esse prestígio sem precisar revelar o seu rosto ao mundo. Os mangakás costumam se afastar dos holofotes quando ficam famosos, mas a identidade de Gotouge já era um segredo guardado a sete chaves antes mesmo do seu nome ficar conhecido.

O crescimento repentino de sua carreira foi um evento fora dos padrões no mercado dos mangás, visto que seu nome entrou para a lista dos mangakás mais bem-sucedidos da história com um mangá de apenas 205 capítulos. Até mesmo mangakás mais experientes e conceituados não conseguiram chegar a uma marca de vendas tão grande como Gotouge.

Primeiros trabalhos de Koyoharu Gotouge

Gotouge é descrita como uma pessoa séria, honesta e com forte senso de responsabilidade. Uma das suas maiores dificuldades como ilustradora no início era finalizar os desenhos rapidamente. Não seria possível progredir na carreira, tendo essa limitação, já que as revistas de mangá são muito exigentes com os prazos de entrega do próximo capítulo.

A autora fez vários storyboards sozinha até adquirir a velocidade exigida no seu ramo. Suas referências para criar suas primeiras one-shots foram programas japoneses antigos como Fujiko F. Fujio: Sukoshi Fushigi Tanpen Theater, Hissatsu Shigotonin e Parasyte.

Para criar os personagens, Gotouge se inspira em seus amigos, família e pessoas próximas. Filmes também são ótimas fontes de inspiração na sua percepção, mas pessoas da vida real são sua base principal de referência. Quando precisa de novas ideias para uma história, ela geralmente pesquisa obras de ficção atuais e populares.

Não há dúvidas de que Gotouge fez vários one-shots para concursos e revistas diferentes até ganhar uma serialização, mas os detalhes do início da sua carreira não foram revelados devido ao sigilo de privacidade. O primeiro mangá de Gotouge conhecido publicamente é Kagarigari, uma one-shot de 45 páginas feita em 2013 para o 70º Jump Treasure Newcomer Manga Awards.

Em 2014, ela produziu mais duas one-shots, Monju Shiro Kyodai e Rokkotsu-san. A segunda one-shot foi um dos selecionados da Golden Future Cup da Jump, o que garantiu uma publicação na Weekly Shonen Jump. Em 2015, a revista publicou a próxima one-shot de Gotouge, Haeniwa no Zigzag. No ano seguinte, ela conseguiu lançar o seu primeiro mangá semanal, Demon Slayer.

A criação de Demon Slayer

Reprodução/ufotable

Quando Gotouge disse que queria fazer uma série semanal, o seu editor, Tatsuhiko Katayama, sugeriu focar em uma ideia simples e fácil de entender. Eles escolheram usar Kagarigari como base de criação, porque sua história já aborda um tema familiar para os japoneses.

O primeiro storyboard da série apresentou uma série chamada Kisatsu no Nagare. Nessa versão, o protagonista era um jovem cego, com um braço e as duas pernas decepadas e que foi maltratado pela família. Entretanto, o departamento editorial não aprovou a série pela sua história sombria e a falta de alívio cômico.

Katayama, portanto, pediu para Gotouge apresentar um protagonista mais alegre e comum. Seguindo os conselhos do seu editor, ela refez todo o conceito do seu protagonista para criar Tanjiro Kamado. A princípio, Tanjiro fazia Gotouge pensar: “Ele é muito normal, não consigo decidir se ele é interessante”, mas o seu editor insistiu que o protagonista era ótimo justamente por este motivo.

Além disso, o nome da série também era sombrio demais para a Shonen Jump. “Satsu” significa “matar” em japonês, que é considerado um termo pesado para um mangá shonen, por isso eles trocaram o segundo caractere por “metsu”, que se traduz como “perecer” ou “ser destruído”. Desse modo, Kisatsu no Nagare foi alterado para Kimetsu no Yaiba.

O impulso do anime

Reprodução/ufotable

O mangá de Demon Slayer não ficou famoso ao acaso, sua história e personagens são divertidos e mais do que capazes de se destacar em uma revista grande como a Shonen Jump. Porém, não tem como negar que a maior parte desse sucesso veio da adaptação de anime feita pelo estúdio Ufotable.

Antes de Demon Slayer, Ufotable era famoso por animar as franquias de Fate/Stay Night e Garden of Sinners. Os seus animes já eram elogiados pela sua ótima qualidade de animação, mas não eram tão populares como os animes da Shonen Jump. Até hoje, Demon Slayer foi a única série da Jump que recebeu uma adaptação de anime do renomado estúdio.

Em uma entrevista para o Anime News Network, Yūma Takahashi, o produtor do anime, afirmou que Gotouge sempre esteve envolvida no processo de produção. Ela participou da escolha de cenários, design de personagens e teve liberdade para dar sugestões sobre como melhorar a adaptação.

Em 2019, a primeira temporada do anime atingiu uma audiência enorme através dos serviços de streaming, e, em 2021, o seu primeiro filme bateu o recorde de bilheterias no Japão. Todo esse impulso levou o mangá de Gotouge a uma marca de vendas surreal para um mangaká iniciante.

A marca surpreendente de vendas

Temporada do Demon Slayer
Reprodução/Ufotable

Após o lançamento do seu anime, as vendas de Demon Slayer cresceram até superar a marca de 150 milhões de cópias vendidas. As suas vendas provavelmente vão continuar crescendo nos próximos anos, considerando que o anime ainda está em andamento.

A Shueisha costuma exigir que os autores de mangás com um alcance tão grande prolonguem suas histórias o máximo possível. No entanto, Gotouge decidiu finalizar o seu mangá definitivamente em 2020. Mesmo sendo uma história mais curta do que o costume da revista, Demon Slayer deixou uma marca inesquecível na Shonen Jump.

O antigo editor-chefe da Jump, Hiroyuki Nakano, alega que o sucesso de Gotouge é incomum pois: “Normalmente, um mangá vende gradualmente mais cópias ao longo da execução do anime, mas as vendas de Demon Slayer dispararam logo após o anime terminar. A maneira como as pessoas interagem com o anime mudou, e sinto que entramos em uma nova fase”.

Identidade

Gotouge mantém o seu verdadeiro nome em segredo para viver no anonimato e esconder o seu gênero do público. Todos os seus fãs acreditavam que Gotouge era um homem, mas, alguns anos atrás, um funcionário da Shonen Jump revelou que a mangaká é uma mulher.

Embora Gotouge nunca tenha se pronunciado sobre o seu gênero, todas as peças levam a crer que essa informação é verdadeira. Nenhuma outra fonte traz a hipótese da mangaká ser um homem ou que esse funcionário mentiu.

A ideia de que shonen e seinen são categorias direcionadas apenas para o público masculino ainda é muito forte no Japão. Ou seja, a audiência de uma mangá shonen pode diminuir se o seu autor for uma mulher. Autoras costumam evitar isso, usando pseudônimos masculinos em mangás shonen. Além de manter a privacidade, Gotouge deve esconder seu rosto e nome para que seu mangá seja aceito sem julgamentos.

Leia mais sobre Demon Slayer:

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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