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Todo mangá publicado na Weekly Shonen Jump precisa seguir o slogan da revista: “amizade, esforço e vitória”, o que limita muitos autores a abordar algo que foge do padrão shonen. Mas, nos últimos anos, a revista se tornou mais flexível para aceitar mangás fora da sua bolha, como Chainsaw Man, criado por Tatsuki Fujimoto.
O mangá de Fujimoto foi um dos principais pilares que deu início a uma nova era da Shonen Jump, conhecida como “Trio Sombrio” (Dark Trio). Chainsaw Man e outros mangás que fazem parte desse ciclo ficaram famosos por apresentar um protagonista, que não tem tanta sorte em sua jornada e vive em um mundo sem esperanças.
O começo de Tatsuki Fujimoto

Fujimoto começou a desenhar, pegando referências de vários filmes e animes que ele assistiu ao longo de sua vida. Não havia escolas preparatórias de desenhos perto da sua casa, por isso ele foi com os seus avós a uma aula de artes para adultos, onde aprendeu a fazer pintura a óleo.
Aos 17 anos, Fujimoto fez a sua primeira one-shot, Niwa ni wa Niwa Niwatori ga ita, que recebeu uma menção honrosa na premiação mensal de dezembro da Jump SQ em 2011. Desde então, ele se dedicou completamente à carreira de mangaká até ganhar uma série semanal.
Em 2021, as primeiras one-shots do autor foram relançadas como uma coletânea de dois volumes chamada Histórias Curtas De Tatsuki Fujimoto. Essa coleção apresenta 8 histórias de Fujimoto criadas entre 2011 a 2018, antes do lançamento de Chainsaw Man.
Durante 4 anos seguidos, Fujimoto continuou produzindo one-shots, que lhe renderam menções honrosas e prêmios dentro da Shueisha. Contudo, ele ainda estava procurando um estilo que o diferenciaria dos outros mangás.
Paixão por filmes
O editor de Fujimoto, Shihei Lin, sabia que o mangaká é um grande fã de cinema, principalmente de filmes de terror, então Lin o aconselhou a encontrar um estilo que siga esses princípios. A paixão cinematográfica de Fujimoto inclui todos os gêneros que se possa imaginar, como o filme sul-coreano The Chaser, o filme japonês Sadako vs. Kayako e o filme indonésio The Raid.
Em uma entrevista com Hiroaki Samura (de Blade – A Lâmina do Imortal), Fujimoto diz como os filmes coreanos influenciaram o seu estilo de mangá:
“Eu sempre quis escrever um mangá que fosse como um filme coreano. Tem um filme chamado The Chaser, onde o personagem principal persegue o vilão. Porém, trinta minutos depois do filme, ele o pega. Isso deveria acontecer no final do filme, então você fica imaginando o que vai acontecer depois. Muitas pessoas dizem que em filmes coreanos não conseguem dizer o que o diretor está pensando, mas, na verdade, se você assistir até o final, vai entender. Eu queria fazer algo assim.”
Alguns diretores até já entraram em contato com Fujimoto, pedindo para ele assistir um filme e comentar sobre. Ele já declarou que adora receber ofertas deste tipo, porque os diretores disponibilizam os filmes de graça. Teve um filme que Fujimoto gostou tanto que resolveu fazer uma ilustração em vez de um simples comentário. A arte em questão foi feita para o filme canadense Psycho Goreman.
Fire Punch
Em 2016, Fujimoto lançou o seu primeiro mangá semanal, Fire Punch, na revista digital Shonen Jump+. Os primeiros rascunhos de Fire Punch foram recusados pelo editor-chefe da Shonen Jump, que considerava a sua história muito sombria.
Mangakás que almejam publicar na Shonen Jump geralmente tentam deixar as suas histórias menos sombrias em casos assim, mas Fujimoto não queria mudar nada em seu mangá. Portanto, o seu editor indicou ele para uma revista mais aberta a histórias sombrias.
Fire Punch foi o ponto de partida para a fama de Fujimoto crescer no mercado e tornar o seu nome conhecido por outros mangakás famosos. Sui Ishida (de Tokyo Ghoul), Yusuke Murata e ONE (de One-Punch Man) também adoraram Fire Punch e elogiaram seu criador pelo excelente trabalho. Em 2018, Fire Punch chegou ao fim com oito volumes, e Fujimoto já estava preparando o seu próximo sucesso, Chainsaw Man.
Chainsaw Man
Fujimoto sempre teve interesse em publicar na Weekly Shonen Jump, então ele pediu para trocar de revista no lançamento de Chainsaw Man. Dessa vez, o seu mangá atingiu um público maior, ficando popular no mundo inteiro devido a sua violência brutal e humor negro.
Para criarem o universo de Chainsaw Man, Fujimoto e seu editor se perguntaram “O que significa MEDO?”. Ao assistirem filmes de terror, eles descobriram que o medo poderia ser um tópico interessante de se trabalhar. Em suas reuniões, os dois discutiam sobre os gatilhos do medo e o que torna alguma coisa assustadora. Foi assim que eles pensaram em criar demônios que nascem dos medos da humanidade.
Chainsaw Man foi criado como um mangá de longa duração, mas Fujimoto não queria trabalhar na série em uma publicação contínua até o fim. Ele considera o primeiro arco do mangá completamente diferente do segundo, por isso foi preferível dividir a sua estrutura de lançamentos em partes separadas. A parte 1 foi publicada na Shonen Jump em 2018 a 2020, enquanto a parte 2 está sendo publicada na Shonen Jump+ desde 2022.
Outros trabalhos
Quando a parte 1 de Chainsaw Man acabou, Fujimoto não queria trabalhar em sua sequência de imediato. O seu interesse, entre 2021 e 2022, era voltar a trabalhar com histórias curtas, que abordam temas do seu interesse
Nesse período, ele aproveitou o seu tempo livre para fazer duas one-shots longas, Look Back e Goodbye, Eri. Além disso, Fujimoto também fez uma one-shot curta chamada Just Listen to the Song, que foi ilustrada por Oto Tōda.
Voltando para Jump+
Fujimoto precisava conter o seu estilo pessoal até certo ponto na parte 1 de Chainsaw Man, já que as suas preferências não se encaixam no estilo Jump. Embora seu mangá fosse violento, a revista ainda colocava algumas censuras que não podiam ser quebradas.
No entanto, a Shonen Jump+ não é tão presa ao padrão tradicional das revistas impressas e não exige aquela rigidez de seguir o cronograma semanal. Os mangakás da revista digital têm liberdade para publicarem suas séries no ritmo que preferirem. Então Fujimoto achou melhor voltar para a Jump+ na parte de 2 Chainsaw Man. Desse modo, ele pode abordar temas que seriam rejeitados ou censurados na Shonen Jump.