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Todo mundo que já navegou na internet deve conhecer o meme: “Nani? Omae wa mou shindeiru, e a maioria das pessoas nem fazem ideia de que essa frase vem do progenitor dos mangás battle shonen modernos, Hokuto no Ken, também conhecido como Fist of the North Star. O mangá de Tetsuo Hara e Buronson foi uma das primeiras séries que conseguiu chegar a um nível de influência e vendas exorbitantes dentro na Weekly Shonen Jump.

Hokuto no Ken não foi o primeiro mangá de luta a ser criado na história, mas foi responsável por popularizar esse gênero até se tornar o mais famoso do Japão. Sua influência foi fundamental para mangás como Dragon Ball, One Piece e Naruto estrearem na Shonen Jump e inspirarem tantas gerações de pessoas.

O começo de Tetsuo Hara

Hara descreve que o tempo em que ficava desenhando mangá no seu quarto pequeno eram os momentos mais felizes da sua infância. As suas notas na escola eram baixas e ele não era bom em nenhum esporte, por isso toda a sua dedicação girava em torno dos desenhos, que sempre foi a sua especialidade.

Ele desenhava os personagens de Astro Boy, Jungle Emperor Leo e Tiger Mask no verso de panfletos, enquanto assistia TV, para memorizar o traço de cada anime, pois não existia gravador nessa época. Em sua adolescência, Hara aprendeu como um mangá pode ser divertido, lendo as histórias cômicas de Fujio Akatsuka. Desde então, a inspiração para criar os seus próprios personagens não saiu da sua cabeça.

Decidido a virar um mangaká profissional, ele entrou no programa de design da sua escola para melhorar o seu traço e no clube de mangá para aprender sobre a construção de painéis. No ensino médio, ele enviava inscrições para competições, mas só teve atenção quando foi visitar o departamento da Shonen Jump pessoalmente.

Ao chegar no departamento, o garoto foi atendido por Horie Nobuhiko, o seu primeiro editor. O mangá que Hara apresentou foi negado pela sua história amadora, mas Nobuhiko reconheceu o talento dele como desenhista. Para ele progredir e ganhar mais experiência, seu editor lhe providenciou um trabalho de assistente com Yoshihiro Takahashi.

Enquanto Hara trabalhava como assistente, Nobuhiko auxiliava ele na criação de suas primeiras one-shots. As maiores inspirações que Hara usava para criar os seus protagonistas eram os atores Bruce Lee e Matsuda Yusaku. Sua ideia era criar uma história de artes marciais protagonizada por alguém que combinaria o melhor dos dois lados.

No entanto, Nobuhiko decidiu que seria melhor criar um mangá sobre motocross. Mesmo que Hara não estivesse familiarizado com motos, ele confiou nas palavras do seu editor e seguiu o fluxo da ideia. Então a sua primeira série na Shonen Jump foi um mangá de motocross, Iron Don Quixote, em 1982.

Seu mangá não se saiu bem nas votações e corria risco de ser cancelado, mas o editor-chefe deu permissão para Nobuhiko prosseguir com Iron Don Quixote se ele quisesse. Ao invés de prosseguir, o editor achou melhor encerrar o mangá de motocross no capítulo 10, porque ele tinha certeza que Hara podia fazer algo muito melhor.

A vida de Buronson

Yoshiyuki Okamura, mais conhecido pelo pseudônimo Buronson, é um renomado escritor de mangás. Ele deixou o ensino médio para se alistar na Força Aérea de Autodefesa do Japão, onde conheceu Hiroshi Motomiya, um dos mangakás mais famosos de sua geração.

Em 1970, Buronson deixou a carreira militar de lado para trabalhar na indústria dos mangás. Motomiya ajudou seu amigo a ingressar na carreira, dando um trabalho de assistente em seu estúdio. Foi difícil para Buronson se adaptar a esse trabalho sem ter o talento para desenhar, mas ele se destacou por ser um ótimo contador de histórias.

O pseudônimo Buronson foi criado pelos seus colegas como uma referência ao ator Charles Bronson no filme Adeus, Amigo. Quando ele entrou na Kodansha, o autor escolheu usar um pseudônimo diferente, Sho Fumimura. Os dois nomes foram mantidos em sua carreira, a diferença é que ele usa Buronson para histórias de ação como Hokuto no Ken, enquanto Sho Fumimura para outros gêneros como comédia.

Em 1972, ele lançou a sua primeira one-shot na Shonen Jump, Goro Has Arrived, que foi ilustrada por Yo Hasebe. Sua carreira como escritor começou a decolar durante a publicação de Doberman Deka (1975-1979), um mangá semanal criado ao lado de Shinji Hiramatsu.

Nesse meio tempo, Buronson também trabalhou com mais um mangá semanal (Daiki no Mound) e outro mensal (Self-Defense Force Phantom Burai). Sendo assim, ele trabalhou para três editoras diferentes, escrevendo três mangás simultaneamente.

Depois de escrever tantos mangás, ele ganhou experiência com vários gêneros diferentes. Os editores da Shonen Jump, então, decidiram unir Tetsuo Hara com um escritor experiente como Buronson para dar luz a um mangá totalmente novo e surpreendente.

O nascimento de Hokuto no Ken

Em 1983, Horie Nobuhiko apoiou a decisão de Tetsuo Hara em criar um mangá de artes marciais quando Iron Don Quixote chegou ao fim. Entretanto, eles precisavam apresentar uma ideia inovadora para serem aceitos pelo departamento editorial. Lutas de ringue e boxe já eram temas usados em mangás que vieram antes como Kinnikuman, então Nobuhiko foi procurar ideias diferentes em livros de medicina chinesa.

Lá, o editor encontrou a resposta em um livro sobre qi, que é traduzido como “força vital” ou “fluxo de energia”, uma prática ancestral usada na medicina tradicional e nas artes marciais chinesas. Ao estudar sobre qi, Nobuhiko teve a ideia de criar um protagonista que derrota os seus oponentes, acertando os seus pontos de pressão.

Em abril de 83, Hara ilustrou a ideia do seu editor em uma one-shot que foi o capítulo piloto de Hokuto no Ken. Sua one-shot ficou em primeiro lugar nas votações, e os leitores adoraram o protagonista e a história. Para transformar Hokuto no Ken em um mangá semanal, Nobuhiko apresentou uma lista de candidatos para trabalhar com Hara, e Buronson foi o escolhido pelos editores.

Buronson adorou o conceito da one-shot, mas ele tinha condições específicas para a criação deste universo. Se a intenção do mangá era mostrar o poder das artes marciais, ele queria criar um mundo primitivo ou futurístico, sem a presença de armas de fogo. Eles optaram por um mundo pós-apocalíptico como Mad Max, que era um fenômeno nessa época.

Antes do lançamento de Hokuto no Ken, Buronson visitou Camboja e testemunhou a pilha de cadáveres das vítimas mortas pelo regime de Pol Pot. Essa experiência teve um grande impacto na forma que ele escreve sua história e frases de efeito. Os diálogos dos seus personagens ficaram muito famosos nos anos 80 por trazerem aquela imagem clássica do guerreiro valente, humilde e imponente.

Buronson é mais velho que Nobuhiko e Hara, mas seu editor não fraquejava na hora do sermão só por causa da diferença de idade. Apesar das suas discordâncias, eles conseguiram trabalhar juntos e entregar capítulos fenomenais até o fim.

Buronson continua escrevendo

Hokuto no Ken terminou em 1988 e vendeu mais de 100 milhões de cópias impressas. Os autores se separaram e seguiram os seus próprios caminhos após o fim do mangá. Buronson continuou fazendo parcerias com outros artistas e revistas para escrever mangás de todos os tipos.

Ao longo de sua carreira, ele trabalhou com artistas renomados como Kentaro Miura, o criador de Berserk, e Ryoichi Ikegami, o ilustrador de Crying Freeman. Ikegami e Buronson são parceiros de longa data, que trabalham juntos desde 1990.

Em 2018, Buronson fundou a Buronson 100-Hour Manga Academy, uma academia de mangá localizada na sua cidade natal, Saku. A escola aceita jovens e adultos como estudantes, oferecendo cursos sobre roteiro e desenhos de mangá. Os cursos são totalmente gratuitos, e os alunos devem assistir às palestras até concluírem 100 horas ao ano.

Hara e Nobuhiko criam a Coamix

Em 1998, o editor-chefe da Shueisha aconselhou Hara a se afastar de Nobuhiko, dizendo que ele não tinha mais nenhuma influência na empresa. Contudo, Hara notou que a empresa afastou seu editor porque ele não concordava com as suas políticas de escrita.

Portanto, em 2000, os dois saíram da Shueisha ao lado de outros artistas para fundar a própria editora, a Coamix. Hara precisou diminuir o seu ritmo de trabalho quando foi diagnosticado com ceratocone em seu olho direito, mas ele permaneceu firme na carreira, desenhando mangás até hoje.

Em uma entrevista para Forbes, ele diz qual é o seu objetivo atual junto com a Coamix: “Ao contrário de criar coisas por conta própria, estou mais interessado em trabalhar com mangakás mais jovens para criar novos trabalhos como uma equipe.”

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.