Comentários

Estimated reading time: 9 minutos

Existem casos em que um mangá famoso é feito através de parcerias entre duas pessoas ao invés de uma só, como Death Note. Takeshi Obata uniu as suas incríveis habilidades de desenho com a ótima técnica de roteiro de Tsugumi Ohba para criar mangás que fogem do padrão e apresentam algo nunca visto antes.

Os dois são pessoas diferentes em alguns aspectos, visto que Takeshi não se importa de mostrar o seu rosto, enquanto Tsugumi prefere manter sua identidade escondida. Mas as diferenças não impedem os dois de trabalharem juntos como uma dupla talentosa de mangakás.

Primeiros trabalhos de Tsugumi

Takeshi foi notado como um artista de mangá talentoso quando sua one-shot 500 Kōnen no Shinwa ganhou o Prêmio Tezuka de 1985. Outros autores como Masashi Kishimoto, Eiichiro Oda, Yoshihiro Togashi também ganharam o Prêmio Tezuka antes de chegarem a uma carreira profissional, por volta dos 20 anos. Mas Takeshi foi premiado aos 16 anos, o que levou ele a ser reconhecido como um desenhista prodígio.

Depois de se formar na escola, os editores da Weekly Shonen Jump deram a Takeshi a oportunidade de trabalhar como assistente de Makoto Niwano para ele aprender sob os cuidados de um mangaká experiente. Em 1989, Takeshi conseguiu publicar o seu primeiro mangá, Cyborg Jii-chan G. Apesar de chamar a atenção com sua arte detalhada e bonita, Cyborg Jii-chan G foi cancelado no capítulo 34 devido a inexperiência do autor como roteirista.

Os editores ainda queriam aproveitar o talento de Takeshi no desenho, então eles induziram o iniciante a trabalhar em dupla com autores mais experientes no roteiro. Seu primeiro projeto em dupla foi em 1991, com Susumu Sendo, eles criaram Arabian Lamp Lamp, que não foi capaz de se manter um ano na Shonen Jump.

Ele permaneceu trabalhando apenas como ilustrador ao lado de outros autores para fazer mangás de diferentes gêneros. Entre as suas tentativas, Takeshi fez um mangá de sumô com Masaru Miyazaki e um mangá de detetive com Sharakumaro. Porém, essas histórias também foram canceladas com poucos capítulos.

As coisas começaram a melhorar quando ele conheceu a autora Yumi Hotta, que lhe apresentou a ideia de um mangá sobre Go, um jogo chinês de tabuleiro e estratégia. Entre 1998 a 2003, eles trabalharam em Hikaru no Go, o primeiro mangá bem-sucedido de Takeshi.

Hikaru no Go foi um mangá que rendeu milhões de cópias vendidas, ganhou prêmios prestigiados e influenciou vários jovens japoneses a terem interesse por Go. Além disso, Yumi e Takeshi produziram o mangá ao lado da jogadora profissional de Go, Yukari Yoshihara, para representar o jogo da forma mais fiel possível dentro do universo que eles criaram.

Takeshi e Tsugumi se tornam parceiros

Quando Hikaru no Go chegou ao fim, Takeshi já estava negociando com um novo parceiro, Tsugumi Ohba, para criar o seu próximo mangá, Death Note. Tsugumi usa um codinome como autor, nunca revelou seu rosto e seus trabalhos mais antigos são desconhecidos.

Existem rumores na internet de que o verdadeiro nome de Tsugumi é Hiroshi Gamo, o criador do mangá Totemo! Luckyman, mas esse boato nunca foi comprovado por nenhuma fonte. Então não há informações sobre a sua carreira antes de Death Note disponíveis para o público.

Mesmo que eles não se conhecessem pessoalmente no início, os dois autores se tornaram parceiros através dos editores da Shueisha. Em 2003, Tsugumi enviou duas ideias conceituais do capítulo piloto de Death Note para o departamento editorial, e o editor de Takeshi comentou com ele sobre a história.

 A ideia de uma história sombria envolvendo um shinigami deixou Takeshi muito interessado em fazer a arte desse mangá. Por sua vez, Tsugumi ficou muito empolgado ao saber que Takeshi se ofereceu para ser o seu parceiro como ilustrador.

Os dois não se encontraram nenhuma vez enquanto trabalhavam no capítulo piloto, porque o editor deles disse que ficaria responsável por enviar os rascunhos do roteirista ao desenhista. Isso não foi um problema para nenhum dos dois lados, ambos aceitaram a condição de trocarem ideias sem um contato pessoal.

Eles se conheceram presencialmente em janeiro de 2004, um mês após o lançamento do mangá semanal. Takeshi e Tsugumi se encontram poucas vezes durante a produção de um mangá, toda conversa deles acontece apenas pelo editor. 

O sucesso de Death Note

Death Note foi, sem dúvidas, o maior mangá da carreira de Tsugumi e Takeshi. A obra vendeu mais de 30 milhões de cópias, virou uma marca comercial forte e também ganhou adaptações live-actions americanas e japonesas.

Os autores não planejam uma sequência para o mangá, mas já fizeram one-shots especiais para mostrar as mudanças que o mundo de Death Note passou após a morte de Light Yagami. Em 2008, eles lançaram The C-Kira Story, um epílogo onde Near, que assume o papel de L, investiga o surgimento de um novo Kira. Em 2020, a dupla publicou A-Kira Story, um período em que Ryuk volta à Terra para encontrar um novo humano disposto a receber o seu caderno.

As adaptações live-actions começaram com uma trilogia de filmes japoneses, que foram ao ar em 2006 e 2008. O próximo filme da franquia, Death Note: Iluminando um Novo Mundo, foi lançado em 2016, dando sequência aos eventos dos primeiros longas. Além disso, Death Note também ganhou uma adaptação, com 11 episódios, em forma de dorama em 2015

Em 2017, a Netflix fez uma versão live-action americana para o mangá, mas o filme não foi bem recebido pelos fãs. Uma nova produção live-action está em desenvolvimento na Netflix sob a direção de Matt e Ross Duffer, os criadores de Stranger Things. Essa adaptação será uma série episódica, que não tem data de estreia ainda.

Bakuman

O próximo mangá de Tsugumi e Takeshi foi Bakuman, publicado de 2008 a 2012 na Shonen Jump. Tsugumi decidiu criar um mangá sobre a indústria de mangás, pensando em quantas pessoas desejam ser mangakás.

Sendo uma pessoa que já conhece a indústria, o roteirista tinha conhecimento para apresentar o processo diário de alguém que tenta sobreviver nessa profissão. Bakuman mostra de uma forma divertida como funciona a reunião com um editor, a competitividade dentro de uma revista e a dureza de evitar o cancelamento de um mangá.

A maioria dos personagens principais são mangakás e editores que parecem ser inspirados em pessoas reais. O editor-chefe apresentado na história, por exemplo, é baseado em Hisashi Sasaki, que foi o editor-chefe da Jump enquanto Bakuman era serializado.

Em uma entrevista para o Anime News Network, Hiroyuki Nakano, o sucessor de Sasaki, comenta que muitas coisas vistas em Bakuman são exageros para gerar drama. Contudo, ele cita que algumas coisas do mangá são verdade também, já que os autores precisaram se inspirar em detalhes da vida real.

Outros trabalhos da dupla

Tsugumi e Takeshi se juntaram pela terceira vez para criar Platinum End, um mangá da Jump Square, que foi publicado de 2015 a 2021. Após Platinum End, eles não lançarem mais nenhum mangá juntos como uma dupla.

Takeshi continuou fazendo ilustrações para outros projetos, como a adaptação de mangá da novel All You Need Is Kill, o mangá School Judgment: Gakkyu Hotei e até fez o design de personagens para o jogo Castlevania Judgment. Atualmente, ele trabalha com Akinari Asakura em Show-ha Shoten!, um mangá sobre comediantes, que está em publicação desde 2021.

Por outro lado, Tsugumi não participou de muitos projetos, além dos mangás ilustrados por Takeshi, nos últimos anos. O seu único mangá conhecido é Skip! Yamada-kun, uma one-shot de 2014 feita em parceria com o artista Robico. Fora isso, ele não tem nenhum outro mangá ou projeto conhecido pelos fãs.

Leia mais sobre outros mangakás: