Comentários

O Justiceiro não é apenas um personagem querido pelos fãs de quadrinhos. Para muitos que servem nas forças armadas e na aplicação da lei, o personagem é um ícone. Como resultado, o seu símbolo – o logotipo de um crânio – é frequentemente usado por militares e policiais em tudo, desde acessórios, veículos, armaduras e até mesmo obras de arte decorativas exibidas em escritórios e residências.

Mas, para o criador do Justiceiro, Gerry Conway, esses usos são perturbadores e, mais do que isso, ofensivos.

Conway conversou recentemente com SYFY Wire sobre sua carreira em quadrinhos e sobre a chegada da segunda temporada da série do Justiceiro, e na entrevista, Conway se abriu sobre suas ideias sobre os militares adotarem o símbolo.

Eu falei sobre isso em outras entrevistas. Para mim, é perturbador sempre que vejo figuras de autoridade abraçando a iconografia do Justiceiro porque o Justiceiro representa uma falha do sistema judiciário. Ele supostamente deveria indicar o colapso da autoridade moral social e a realidade que algumas pessoas não podem depender de instituições como a polícia ou os militares a agir de maneira justa e capaz.

Conway prosseguiu explicando que essa cooptação do símbolo, da polícia e das forças armadas é fundamentalmente mal compreendida quanto ao personagem e o que ele defende, e estão se alinhando com um criminoso.

O anti-herói vigilante é fundamentalmente uma crítica ao sistema judiciário, um exemplo de fracasso social, então quando os policiais colocam crânios do Justiceiro em seus carros ou membros do exército ostentam o símbolo, eles estão basicamente do lado de um inimigo do sistema. Eles estão adotando uma mentalidade fora da lei. Se você acha que o Justiceiro é justificado ou não, se você admira seu código de ética, ele é um fora-da-lei. Ele é um criminoso. A polícia não deveria abraçar um criminoso como símbolo.

Por fim, Conway concluiu seu raciocínio com a forma como enxerga o personagem que criou.

De certa forma, é tão ofensivo quanto colocar uma bandeira confederada em um prédio do governo. Meu ponto de vista é que o Justiceiro é um anti-herói, alguém por quem poderíamos torcer enquanto lembramos que ele também é um criminoso e fora-da-lei. Se um oficial da lei, representando o sistema judiciário colocar o símbolo de um criminoso em seu carro de polícia, ele ou ela está fazendo uma declaração muito imprudente sobre sua compreensão da lei.

O ex-fuzileiro naval e agora vigilante Frank Castle (Jon Bernthal) vive uma vida pacata na estrada até que de repente se envolve na tentativa de assassinato de uma jovem garota (Giorgia Whigham). Comforme ele é atraído para o mistério em torno dela e daqueles em busca da informação que ela guardava, Castle coloca um novo alvo em suas costas enquanto novos e antigos inimigos o forçam a um confronto interno se ele deve ou não aceitar seu destino e abraçar uma vida como O Justiceiro.

A 2ª temporada de O Justiceiro estreia no dia 18 de janeiro em todo o mundo na plataforma de streaming Netflix.



Comentários