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Estreando em 23 de Outubro no Reino Unido e 5 de Novembro no Brasil, 007: Contra Spectre vem batendo muitos recordes de bilheteria, mas diferentemente de seu antecessor (007: Operação Skyfall) que foi aclamado pela crítica, o 24º filme do agente secreto (que também é o mais longo, com 2h 30min de duração) vem acumulando reações mistas até mesmo do público. Novamente dirigido por Sam Mendes, o novo longa resgata a famosa organização Spectre, velha conhecida dos fãs da franquia e que esteve envolvida em uma disputa judicial por direitos dos personagens por muitos anos.

Retornando ao papel pela quarta (e possivelmente última) vez, Daniel Craig tem aqui sua atuação mais ”Bond” desde que assumiu o smoking em Cassino Royale (2006), trazendo inclusive uma forte influência de Roger Moore, o que que fica bem evidente em cenas com um humor mais ”canastrão”. E é justamente um dos motivos pelo qual muitos estão ”torcendo o nariz”, pois com uma trama focada mais uma vez na origem do personagem, temos poucos traços do James Bond visto anteriormente, muito pelo contrário, a intenção é claramente trazer uma personalidade mais tradicional e condizente ao cânone do 007.

E se por um lado temos um protagonista mais ”clássico”, não podemos dizer o mesmo de Madeleine Swann, a Bond Girl vivida por Léa Seydoux. Não há duvidas de que a atriz possui uma beleza invejável, mas sua atuação sem brilho ou inspiração faz qualquer espectador imaginar como seria se Monica Belucci (que é completamente desperdiçada com 5 minutos em cena) estivesse em seu lugar.

O grande vilão da vez é Franz Oberhauser, interpretado por Christoph Waltz, mas caso não esteja familiarizado com este nome, pode o chamar de Ernst Stavro Blofeld, o número 1 e chefe da Spectre, e essa ”revelação” (como se ninguém já não soubesse) vem no mesmo momento em que seu gato branco aparece pela primeira vez, um toque sutil, mas o bastante para qualquer fã identificar instantaneamente. Sua ligação pessoal com Bond é o fator mais interessante em sua personalidade, fato que amarra diversas pontas apresentadas em Cassino Royale e Operação Skyfall, porém, algumas acabam se mostrando um pouco forçadas, se criando uma tensão extra desnecessária.

Todo o elenco retorna em boa forma, ainda que o roteiro os torne muito superficiais. A participação de Naomie Harris como Moneypenny foi consideravelmente reduzida, temos seu famoso flerte com 007, ponto dos filmes clássicos que também retorna. Ralph Fiennes nos entrega um M mais operativo, provando que foi o substituto ideal de Judi Dench e Ben Whishaw como Q serve de certa forma como alívio cômico, mas nada grandioso.

Contando com uma ambientação sempre magnífica, Mendes consegue captar todas as nuances dos países envolvidos na trama. Destaque para a cena de abertura no México, com um plano sequência executado com maestria, e para a perseguição de carro em Roma envolvendo Bond e o Sr.Hinx (Dave Bautista), capanga da organização inspirado em Oddjob e Jaws.

O lado negativo fica por conta de Andrew Scott (o Moriarty, de Sherlock) como C, chefe do MI-5, e sua tentativa de abolir o programa 00. Subtrama que se mostra desinteressante e acaba tendo mais atenção do que o necessário.

Talvez o desfecho não tenha sido o ideal, mas não atrapalha o que foi construído e passa de longe ser um ”encerramento”. Por fim, e não menos importante, o tema de abertura de Sam Smith não tem inspiração, se juntando a Madonna, Jack White e Alicia Keys como um dos piores da franquia. É apenas mais um single qualquer do cantor inglês.

007: Contra Spectre aposta no retorno do tradicional e do clássico para o fim da jornada de Mendes e Craig, e apesar das reações não tão positivas como se imaginava, enfim temos o retorno de James Bond em sua melhor forma, e é claro, sempre ao lado de seu martini com vodka, batido e não mexido.