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Na tentativa de conquistar fãs, Adão Negro se preocupa mais em repetir fórmulas que já deram certo em outros filmes, do que em de fato ser um filme que mude a hierarquia do poder da DC.

Se isso vai dar certo ou não, apenas a bilheteria vai poder responder nas próximas semanas, porém, o filme tem potencial sim para agradar.

Reprodução/Warner Bros. Discovery

Afinal, estamos falando de uma produção que não deixa o espectador pensar, ao sufocá-lo com uma grande sequência ininterrupta de ação, mesclada com as tiradas de bom humor, que lembram muito o começo do MCU.

É bem verdade que essa mistura deixa o tom um pouco confuso, pois ao mesmo tempo em que flerta com o nível de violência de Zack Snyder, Adão Negro tenta abraçar a leveza.

Isso não chega a ser necessariamente um problema, afinal, é de certa forma bem dosado ao longo da trama.

Trama essa que tem como principal ponto de qualidade a sua dinâmica, e a forma com que expõe seus personagens.

Sociedade da Justiça de Adão Negro
Reprodução/Warner Bros. Discovery

O que não foi simples para os atores, pois o filme não tem quase nenhuma construção, e parece tentar apenas arranjar uma desculpa para colocar pessoas fantasiadas para lutar entre si.

Isso naturalmente tornaria muito difícil a missão de fazer o público gostar dos personagens, mas daí o elenco se fez forte, principalmente se tratando de Pierce Brosnan e Aldis Hodge, que juntos são a alma do filme.

As atuações no geral estão muito boas, tirando algumas exceções, incluindo Dwayne Johnson, que mais uma vez interpreta uma versão inexpressiva de si mesmo, que desta vez tem super-poderes.

Esse também não é um problema que incomoda, aliás, de incomodar mesmo são a direção e o roteiro, que em muitos momentos parecem brigar entre si.

Reprodução/Warner Bros. Discovery

A estrutura básica de um roteiro de filme é apresentar um problema, mostrar um conflito e trazer uma conclusão. Adão Negro repete esse ciclo inúmeras vezes no intervalo de duas horas, sem necessariamente trazer uma conclusão para os conflitos apresentados.

Boa parte da confusão seria resolvida se o diretor Jaume Collet-Serra tivesse um pouco mais de tato na montagem, que não é legal. Isso por diversos motivos, que envolvem principalmente as transições e as escolhas equivocadas de trilha sonora.

Aliás, Adão Negro tem muitos paralelos com o primeiro Transformers de Michael Bay, tanto de forma narrativa, quanto visual.

O fato de ele ter tantas sequências de ação, é notoriamente proposital, pois afasta o público do ato de pensar no que está assistindo, pois basta 5 minutos de reflexão para que se perceba que o roteiro não faz o menor sentido.

Reprodução/Warner Bros. Discovery

Inclusive, o momento em que se tem mais tempo para pensar no que está sendo exibido em tela, acontece no terceiro ato, que sem dúvidas é a parte mais fraca do filme. Nela é também onde ele peca em CGI, ao mostrar o vilão Sabbac muito mal renderizado.

Bem, a estratégia de maquiar seus problemas com ação desenfreada funciona muito bem, até por isso o público parece realmente estar amando o que viu.

Veja, a intenção desta crítica não é lhe convencer que o filme é ruim. Mas esta, em específico, foi pensada como uma forma de aviso, de que caso você não abrace completamente o descompromisso, vai ser difícil ter uma experiência positiva no cinema.

Reprodução/Warner Bros. Discovery

Assistir Adão Negro é como comer um sanduiche de uma franquia de fast food famosa. A carne não tem gosto de nada e o pão é ruim, porém, o molho agridoce tem um sabor forte, que engana seu paladar para char que comeu algo gostoso. .

Leia mais sobre Adão Negro:

Na antiga Kahndaq, Teth Adam recebeu os incríveis poderes dos deuses, mas depois de usá-los para vingança e se tornar o Adão Negro, ele foi aprisionado. Quase cinco mil anos se passaram, e o Adão Negro passou de homem, a mito, e lenda. Agora libertado, sua forma única de justiça, nascida do ódio, é desafiada por heróis modernos que formam a Sociedade da Justiça: Gavião Negro, Senhor Destino, Esmaga-Átomo e Ciclone.

O elenco principal traz Dwayne Johnson (Rápida Vingança) como Teth-Adam, Aldis Hodge (O Homem-Invisível) como Gavião Negro, Pierce Brosnan (007: Contra GoldenEye) como Senhor Destino, Sarah Shahi (Person of Interest) como Adrianna, Noah Centineo (Um Date Perfeito) como Esmaga-Átomo, e Quintessa Swindell (Gatunas) como Ciclone.

Trata-se do filme solo do anti-herói, baseado nos quadrinhos da DC Comics, grande antagonista de Shazam! A ideia é explorar sua história de origem, com destaque para seu passado como escravo na nação de Kahndaq.

Nota 4
Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.


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