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Se a fórmula Marvel um dia já prometeu ser o segredo para o sucesso, Agatha Desde Sempre reverte esses “ideais” em sua simplicidade e estilo próprio, revitalizando o interesse por uma franquia cinematográfica quase adormecida.
Ambientada três anos após os eventos finais de WandaVision, a nova jornada de Agatha Harkness está longe de ser uma espécie de cópia do seu show de origem, tampouco servir apenas como ponte para algo relacionado à Feiticeira Escarlate.
Muito pelo contrário. A série tem muito há dizer, assim como seu time de personagens, e se há alguma semelhança entre as duas produções, é o fato de ambas terem evidenciado uma enorme relevância para a cultura pop e, principalmente, para os fãs.

Jac Schaeffer, enquanto showrunner do programa, executou com sucesso um novo lado obscuramente divertido do universo Marvel, construindo uma narrativa que evolui gradativamente, como um quebra-cabeça que ganha vez mais cor, episódio após episódio.
À primeira vista, a trama pode parecer despretensiosa, até que a série use dos elementos de seu próprio núcleo para avançar em um desenvolvimento fluído e atrativo, se beneficiando especialmente, da dinâmica e carisma de seu coven, que transformam a experiência do telespectador em algo memorável.
Com um orçamento abaixo de US$ 40 milhões – o menor para uma série live-action do MCU, vale dizer -, Agatha Desde Sempre abraça seus recursos limitados e os transforma em uma experiência visualmente rica, de uma forma que só funcionaria sob a capa de uma vilã tão cheia de personalidade como Agatha Harkness, onde o foco está longe de ser o escopo da produção.
Apesar de seu carisma e sarcasmo singulares, Agatha, no entanto, cede muitas vezes de seu espaço enquanto protagonista, para que o restante de seus companheiros também ganhem brilho próprio, como Billy Maximoff, que vira os holofotes para si mesmo, graças ao ótimo trabalho de Joe Locke, que encarna perfeitamente bem o papel do “aprendiz feiticeiro”.
Como WandaVision, o programa não tem vergonha de abraçar o clichê, utilizando de suas múltiplas referências para tornar a trama ainda mais atraente, em uma mistura do simples e do complexo, despertando curiosidade em uma atmosfera mágica repleta de camadas.
Agatha Desde Sempre, diferente de séries como Loki e Cavaleiro da Lua, não está preocupada em entregar efeitos especiais mirabolantes e conexões ao restante do universo Marvel, elementos superficiais que poderiam torná-la minimamente épica pelos motivos errados. Na verdade, o show se torna emblemático por cumprir alguns desses objetivos de forma natural, mostrando que uma história bem executada pode alcançar patamares tão relevantes quanto.
Oferecendo ganchos para um potencial futuro, felizmente, a série é capaz de transmitir quase de forma completa, sua mensagem ao longo de seus nove episódios, deixando a desejar nas subtramas envolvendo a relação entre Agatha e Rio Vidal, ou mesmo no péssimo aproveitamento das Sete de Salem, algo que vale dizer, não diminuem a jornada como um todo.
Ainda assim, Schaeffer e sua equipe demonstram excelência, dando o espaço necessário aos tópicos verdadeiramente importantes, entregando uma experiência coesa, capaz de impactar para além de um público alvo, mesmo dentro do contexto de uma franquia tão ampla como o MCU.
Agatha Desde Sempre, desta forma, subverte o convencional Marvel, oferecendo uma jornada divertidamente sombria, que vai de contramão ao que o gênero de super-heróis costuma fazer, trazendo singularidade à sua proposta nada revolucionária, mas que certamente, será lembrada.
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Na trama, a infame Agatha Harkness (Kathryn Hahn) se encontra desanimada e sem poder depois que um adolescente gótico suspeito (Joe Locke) a ajuda a se libertar de um feitiço distorcido.
Todos os episódios estão disponíveis no Disney+.