A 1ª temporada de Andor surpreende muito positivamente, ao resgatar uma parte da essência de Star Wars, que estava esquecida há algum tempo.
Vale ressaltar que, quando criou a franquia, George Lucas se inspirou em outras coisas além de filmes de faroeste e do modo como Akira Kurosawa contava suas histórias.

Star Wars sempre foi também sobre um povo oprimido se voltando contra seus opressores do sistema, afinal, a franquia não se chama “Guerra nas Estrelas” atoa.
E é falando sobre essa tal guerra, que é verbalizada por Luthen e Saw Gerrera durante a trama, que Andor traz de volta esse aspecto, que havia sido deixado de canto desde a trilogia prelúdio.
É bem verdade que a série demora para fazer disso uma coisa perceptível, pois de forma intencional, ela tira o público de Star Wars nos primeiros episódios, para lembrar que pretende narrar as histórias desse universo sob uma visão inédita.
E à medida que os elementos mais comuns da franquia, como a forte relação entre humanos e droides, o papel brutal do império, e os cenários práticos, com o mínimo de telas verdes possível, vão aparecendo, você percebe que está lá. Porém, pela primeira vez, é possível ver como tudo acontece “de baixo”, sem pessoas “escolhidas”, ou Jedis habilidosos.

Dessa fora, é possível sentir o quanto o fascismo é brutal ao sufocar as pessoas devagarinho, sem que elas percebam, pois assim como os personagens da série, o público também é sufocado pela trama, e quando percebe, sabe que não existe mais um caminho de volta.
E é nesse ponto Cassian Andor se estabelece com um protagonista espetacular. Afinal, ele é escrito para ser o reflexo do público, que assim como ele, começa essa jornada de forma não tão pretenciosa.
Cassian, assim como o público – que estranha o fato de a Disney fazer uma série derivada de um filme derivado, cujo destino do protagonista já é conhecido – não está dando a mínima para aquela rebelião, ou para o domínio do Império. Ele quer resolver as coisas que giram em torno dele e, apenas isso.
Acontece que, a partir do momento em que o fascismo começa a lhe triar o fôlego, não se tem mais escolha, não dá para ficar em cima do muro ou ser isento. Ou você sufoca, ou você luta contra.

E aqui, quando é referida a palavra “fôlego“, você pode entender também como liberdade, que é um conceito que os representantes do fascismo amam pautar e fazer valer apenas para eles.
Andor faz questão de reforçar esse debate de muitas formas, tanto metaforicamente, quanto literalmente, porém, sempre de forma sutil.
A sutileza com que esse roteiro trabalha com temas tão complexos e duros de se assimilar, é digna de reverências ao produtor Tony Gilroy e sua equipe.
De forma sutil, a série mostra a verdadeira face de uma rebelião, onde os heróis não são perfeitos e nem tem poderes. Aqui, eles são pessoas dispostas a realmente abrir mão de muito mais do que a própria vida, só para poder ter a esperança de um nascer do sol, que eles têm certeza nunca verão.

Não bastasse o texto do roteiro ser tão elaborado nesse sentido, Andor ainda entrega algumas das melhores performances, quando quer mostrar o quanto dói o corte na carne daqueles que estão vivendo esse embate, em diferentes níveis.
Em Ferrix, a mãe de Cassian se sacrifica para virar a fagulha da rebelião na cidade. No campo de batalha, Luthen e Saw Gerrera decidem deixar trinta e um homens morrerem, para que os rebeldes possam ter vantagens contra o Império. E no senado, a atriz Genevieve O’Reilly entrega uma atuação angustiante, de Mon Mothma cogitando sacrificar o futuro da própria filha, pela rebelião.
Tudo isso é tocado em um ritmo perfeito, que em um primeiro momento pode até parecer um pouco lento, mas na verdade, dura o suficiente para que se possa absorver as mensagens que a série quer passar.
Isso acaba sendo mais interessante por se tratar de um raro caso de um prelúdio, que devido a sua grande qualidade, melhora e muito o material original. Faça esse exercício, assista a Rogue One: Uma História Star Wars depois de concluir a 1ª temporada da série, e perceba o quão mais profundo o filme fica.

Pode-se dizer que Andor é algo mais do que uma simples série de TV, pois da forma como é narrada, soa quase como um manifesto sobre o preço da liberdade.
Qual é esse preço? Tudo! Muito mais do que a sua própria vida, até mesmo a vida daqueles você ama.
No passado, pessoas reais lutaram pela liberdade que temos, e deram tudo de si, inclusive suas próprias vidas, pelo nascer do sol que podemos ver hoje.
Esta série reforça o quanto deve-se valorizar o preço que essas pessoas pagaram, ao invés de se manifestar pelo que um pequeno e barulhento grupo entende por liberdade.
Por fim, só no futuro talvez possa se referir à 1ª temporada de Andor como a melhor coisa que a Disney já fez com a propriedade de Star Wars. Porém, para hoje, é indiscutível afirmar que se trata de uma das melhores séries de TV lançadas em 2022, que certamente será postulante a prêmios importantes no próximo ano.
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Andor explora uma nova perspectiva da galáxia Star Wars, focando na jornada de Cassian Andor para descobrir a diferença que ele pode fazer. A série traz a história da crescente rebelião contra o Império e como pessoas e planetas se envolveram. É uma era cheia de perigos, enganos e intrigas, onde Cassian embarcará no caminho que está destinado a transformá-lo em um herói rebelde.
Criada por Tony Gilroy (Rogue One: Uma História Star Wars), a série é um thriller de espionagem que explora os contos de missões desafiadores para restaurar a esperança na galáxia contra o Império.
O elenco principal traz Diego Luna (Narcos: México), Adria Arjona (Operação Fronteira), Fiona Shaw (Harry Potter), Stellan Skarsgård (Duna), Denise Gough (Segunda-Feira), e Genevieve O’Reilly (Segredos do Passado).






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