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072693-jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxComo um dos fenômenos mais lucrativos da história, era impossível manter a franquia Harry Potter definitivamente encerrada. Em 2016, ela despertou, se emancipando da literatura e abraçando a multimídia. Primeiro, no teatro (com resultados um tanto decepcionantes) em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e, agora, em uma trama inédita feita para o cinema em Animais Fantásticos e Onde Habitam. Por sorte, diferente de sua incursão teatral, o filme é um exemplo de como fazer um spin-off.

Quando o colecionador de criaturas mágicas, Newt Scamander, chega à Nova York, ele acidentalmente deixa algumas delas escaparem de sua maleta encantada. Agora ele precisa recuperá-las enquanto descobre que algo muito mais sinistro está acontecendo com a comunidade bruxa americana.

O filme consegue manter um equilíbrio entre a magia lúdica dos primeiros livros de série e os elementos mais maduros dos últimos, entregando assim uma aventura de fantasia charmosa e elegante. Isso em grande parte se deve ao carisma do elenco principal.

Eddie Redmayne canaliza todo o seu charme britânico esquisitão antissocial para fazer de Newt Scamander um ótimo herói pouco convencional. Katherine Waterson mantém os outros com o pé no chão, como a ex-auror Tina Goldstein, enquanto usa irmã, Queenie, interpretada por Alison Sudol, mantém o otimismo.

Mas é Dan Fogler, no papel do trouxa (perdão, no-maj), Jacob Kowalski, que talvez seja o personagem mais cativante do filme. Servindo o papel de alívio cômico, ponto de vista do espectador e uma espécie de Dr. Watson de Newt, o inocente aspirante a padeiro é uma das figuras mais simpatizáveis do ano. Até os personagens de Ezra Miller e Colin Farrel (à princípio bem desinteressante) surpreendem ao longo da narrativa com mais profundidade que o esperado.

O roteiro da própria J.K. Rowling consegue expandir o seu universo sem desnecessariamente reciclar elementos do passado para se aproveitar da nostalgia do público. Vai muito além de só mostrar o mundo bruxo da Nova York dos anos 20, introduzindo novos conceitos e abordando temas complexos e pesados, em especial o preconceito e a segregação de forma ainda mais forte que nos livros, refletindo sobre os danos que podem causar às vítimas desse tipo de abuso.

No entanto, uma pequena crítica quanto a isso é que, apesar dessas mensagens, o elenco continua predominantemente caucasiano (o que é mais gritante na multiétnica Nova York, independente da segregação dos anos 20), algo que vem desde os livros e filmes originais e causa uma certa dissonância em suas ideias.

De certa forma, é o derivado ideal para os que não aguentam o fator “remake” nos reboots, sem medo de explorar o universo (porque as aventuras de Alvo Potter ou dos Marotos é pensar pequeno demais). Inclusive, um dos maiores triunfos do filme é como ele consegue contar uma história fechada. As pontas para as continuações estão lá, é claro, mas eles não tem a prepotência de nos dar um filme incompleto logo no primeiro capítulo dessa nova série, valorizando mais uma experiência completa que mostra a que vieram.

O perigo, no entanto, está na ganância do estúdio acabar sabotando a franquia. Recentemente expandida para cinco filmes, ela ainda corre o risco de se tornar um novo O Hobbit. Por enquanto, pelo menos, nada disso se percebe na tela e o futuro do universo de Rowling parece muito animador.