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Após um longo período trabalhando na DC, que incluiu projetos como ‘O Homem de Aço‘, ‘Batman vs Superman: A Origem da Justiça‘ e ‘Liga da Justiça‘, esse último inclusive com uma carga enorme de polêmicas, Zack Snyder decidiu que era a hora de retornar ao gênero que lhe revelou para Hollywood, graças ao excelente ‘Madrugada dos Mortos‘ de 2004.

Nisso, ‘Army of the Dead: Invasão em Las Vegas‘ surgiu, e agora que está disponível da Netflix, será que podemos dizer o diretor consegue repetir o mesmo efeito positivo?

Army of the Dead
Foto: Divulgação/Netflix

Na trama, o destaque fica para uma infestação de zumbis que começa em Las Vegas, cidade dos Estados Unidos conhecida por seus cassinos e hotéis luxuosos, e é contida nos limites do município por muros. Seis anos depois, o dono de um desses cassinos contrata um exército particular para invadir a cidade e recuperar o dinheiro deixado em seu cofre durante a evacuação do local.

Apesar da abertura bastante criativa ao som de um ótimo cover do clássico Viva Las Vegas, o restante de ‘Army of the Dead’ acaba sofrendo com um grande desequilíbrio entre drama/seriedade, muitas vezes desnecessários especialmente por conta do frágil roteiro, contra toda a insanidade daquela situação.

Pois é, ao contrário do que muitos imaginavam, ‘Army of the Dead’ tenta se levar a sério quase a todo momento, e esse talvez tenha sido seu maior pecado. Um ponto que chama a atenção nisso é a duração de praticamente 2 horas e 30 minutos, que por muito é perdida com a história do protagonista Scott Ward e sua filha (Ella Purnell).

Apesar dos esforços de Dave Bautista, que de fato dá seu melhor aqui e prova que está pronto para protagonizar grandes franquias, não conseguimos criar tanta empatia por Ward, ou comprar a ideia do relacionamento conturbado com a filha, já que nem temos tantas informações para tal.

As interações do elenco principal também conseguem variar de interessantes para simplesmente estúpidas. Em alguns momentos, é interessante como a equipe parece saber o que vai acontecer com um determinado personagem, mas logo em seguida, isso é simplesmente esquecido, e te faz questionar, “Mas e aquilo que vocês conversaram cinco minutos atrás? Como não perceberam?”

Além disso, incomoda quando percebemos que cada personagem segue um padrão de vários outros filmes, com personalidades já conhecidas e previsíveis.

Então, sim, existe aquela pessoa que só vai tomar decisões erradas para atrapalhar a missão, ou então aquela que, de repente, criará um senso de heroísmo e se sacrifica sendo que existia opções melhores.

O grande destaque talvez fique por Dieter (Matthias Schweighöfer), que não a toa, irá estrelar um prelúdio intitulado ‘Army of Thieves’. Escolhido para arrombar o cofre que guarda o grande prêmio, suas reações são genuínas e fazem você querer saber mais do personagem, ainda que seu desfecho tenha incomodado um pouco.

Foto: Divulgação/Netflix

A lore envolvendo os Alfas, que são mais inteligentes, organizados e fortes, é muito interessante, e chama a atenção como até isso consegue ser desperdiçado dentro da história. Praticamente todas as cenas de Zeus (o líder) mostram muito potencial, mas fica por isso mesmo. As decisões criativas se provam as mais simples possíveis para que tudo seja resolvido logo.

Vamos torcer para que o anime derivado consiga mostrar isso com mais profundidade, porque de fato vale a pena.

Foto: Divulgação/Netflix

Finalmente, depois de um longo trecho de estabelecimento, o filme engrena naquilo que realmente importa, e consegue divertir bastante. O diretor já provou que é um mestre dos visuais e sequências de ação. Aliando o talento do diretor com um ótimo uso do orçamento nos efeitos visuais, temos cenas excelentes.

Se você gosta de gore e a violência tradicional de outras produções de zumbis, não vai se decepcionar. Aliás, a participação especial de Valentine (o tigre branco) é muito boa, sendo responsável pela melhor morte do filme.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas‘ consegue divertir em seu ato final, entregando aquilo que era esperado pelo público, mas peca ao tentar criar uma seriedade excessiva no roteiro, além de deixar evidente que a duração se estendeu muito mais do que deveria.

Positivo
  • Dave Bautista
  • Cenas de ação e gore
  • Fotografia
  • Efeitos Visuais
Negativo
  • Duração muito além do necessário
  • Desperdício da lore envolvendo Alfas e outros zumbis
  • Elenco mal aproveitado
  • Roteiro que não consegue equilibrar drama com a insanidade da situação
Nota 5