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Quando eu era uma criança, eu criei esse personagem chamado Capitão Salsicha. Ele era uma salsicha. Que lutava contra o crime. É tão ridículo quanto parece. Mas é uma boa anedota para notar como As Aventuras do Capitão Cueca pode ser uma ótima forma de reconectar com a infância.

Baseado na série de livros de Dave Pilkey, seguimos Jorge e Haroldo, dois melhores amigos travessos, que são o alvo do diretor da escola, o ranzinza Sr. Krupp. Quando ele ameaça separar os dois, os meninos usam um anel hipnotizador para fazê-lo acreditar que ele é o personagem de quadrinhos que eles criaram, o Capitão Cueca. Agora Jorge e Haroldo precisam conter o dano colateral, enquanto enfrentam seu professor cientista louco, o Professor Fraldinhasuja e seu plano de sugar toda a risada do mundo com um robô-privada gigante (faz sentido dentro desse mundo).

O filme dá total poder à sua audiência-chave, criando um mundo filtrado pela perspectiva de dez anos. É uma ode à imaturidade juvenil e uma abominação ao conformismo de ser uma boa criança comportada, uma mensagem que pode parecer desastrosa para alguns pais, mas, pessoalmente, eu sempre fui a favor da rebeldia das crianças.

Apesar de ser predominantemente em CGI, a animação simula o traço simplista dos desenhos de Pilkey, com uma movimentação dinâmica e expressiva, o que serve como um alívio em uma época onde já se sente que a maioria das animações se parecem demais umas com as outras. E também significa que é uma das animações mais visualmente bacanas da Dreamworks, apesar de possuir um orçamento bem mais baixo que a maioria (apenas por volta de 30 milhões de dólares). E não satisfeito, ainda brinca com outras formas de animação, como a tradicional, com miniaturas e até com bonecos de meia.  

Ele invoca o exagero físico e irreverência dos desenhos de Chuck Jones e Tex Avery transportados para o ambiente do ensino fundamental. No entanto, a hiperatividade incessante do filme pode se tornar cansativa (tem uma razão que Jones e Avery faziam curtas de sete minutos). Crianças vão amar, mas o roteiro poderia arriscar infiltrar algumas ideias mais maduras em meio a loucura (o método Pixar, por assim dizer, em uma versão mais cartunesca).

Quanto aos adultos, é perfeitamente plausível que você ache o filme excessivamente bobo, hiperativo e imaturo. Mas isso também quer dizer que as piadas do filme são todas às suas custas. Uma constatação que parte da sua alma morreu quando não se vê mais nenhum valor em uma piada de peido.



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