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É inegável que o tão esperado Avatar: O Caminho da Água é deslumbrante no que se refere ao espetáculo do cinema, mas é um fato também que é um filme que repete os pecados da grande maioria dos blockbusters atuais, pois usa sua narrativa para servir seus recursos e não o contrário.

Nesse sentido, a sequência do filme de 2009 é mais parecida com um jogo AAA que usa gráficos realistas e molda sua história de acordo com sua mecânica, do que propriamente com um filme.

Crítica de Avatar 2
Reprodução/20th Century Studios

E os sinais sobre isso estão evidentes na redundância do roteiro, que repete situações inúmeras vezes só para poder exibir o quanto a sua direção de arte é, quase que literalmente, de outro planeta.

O filme até faz piada com isso, usando um recurso cada vez mais comum nos filmes pop atuais, que é fazer um de seus personagens externar verbalmente o que o público está vendo.

Esse grande pecado de Avatar: O Caminho da Água consegue ser ignorado por quem assiste ao filme nos cinemas, não só pelo espetáculo visual e pelo 3D que passa a sensação de que a exibição acontece em um portal e não em uma simples tela, mas também por sua mensagem, que por mais que não seja tecnicamente bem transmitida, é entregue com louvor, de forma emocionante e impactante.

Reprodução/20th Century Studios

Mensagem essa que James Cameron busca do passado, dos filmes que ele já viu e já fez, e também de tudo que ele já viveu e que acredita, como um senhor de quase 70 anos de idade que ele é.

Usando essas referências, o diretor busca emular, com a tecnologia que teve acesso, momentos marcantes de outros grandes filmes do passado, como Tubarão, Pinóquio, Moby Dick, True Lies e até mesmo Titanic.

Visualmente falando, isso é o que de mais prazeroso se tem no filme, é o que justifica cada centavo pago pelo ingresso.

Aliás, True Lies e Titanic são duas referências claras para a sequência final de ação, onde Cameron lembra ao público que ninguém em Hollywood dirige cenas do gênero melhor do que ele.

Reprodução/20th Century Studios

O único problema é quando essas referências interferem na fluidez do filme, que simplesmente não acontece e faz o público sentir suas longas três horas de duração.

A várias vezes repetida frase: “O Caminho da Água não tem começo e não tem fim”, quase se aplica por completo na maneira arrastada e contemplativa com que o filme é narrado.

É verdade que o fato de os personagens funcionarem muito bem, tanto os novos quanto os antigos, ajuda a tornar essa falta de fluidez, tolerável. Mas, é de se admitir que tanto a motivação, quanto o destino do vilão, Quaritch, na trama, é algo que se tem dificuldade para se justificar.

Reprodução/20th Century Studios

Acaba caindo em mais algumas daquelas conveniências de roteiro que servem para justificar os recursos acima da narrativa.

Mas essas são as inspirações de Cameron, que é um diretor que parece não ter chegado na década atual ainda. Isso tem seu lado positivo e negativo, pois elas são diretamente responsáveis pelo que o filme tem de melhor, de pior e de mais emocionante.

É por meio delas que o lendário diretor expõe seu maior temor como pai, no encerramento do filme, e entrega uma das cenas mais lindas e difíceis de se assistir já exibidas nos cinemas.

Reprodução/20th Century Studios

Avatar: O Caminho da Água é revolucionário no que se refere ao espetáculo do cinema, ao visualmente ser um filme de um geração que ainda não chegou. Afinal, os negócios em Hollywood não permitem que qualquer produção demore cinco anos para ficar pronta.

Porém, o filme também é retrógado ao narrar a sua simples e belíssima história da mesma forma que eram narrados os filmes brucutus das décadas de 80/90.

Por fim, estamos falando de um filme situado em duas gerações, sendo que nenhuma delas é a nossa. É um fato que, no fim das contas, a experiência supera qualquer problema narrativo, mas isso tem que melhorar no terceiro, caso James Cameron ainda queira entregar todos os cinco filmes da franquia.

Leia mais sobre Avatar: O Caminho da Água

Passaram-se pouco mais de dez anos após os momentos de tensão vividos em Pandora por conta da desenfreada e desumana exploração. Agora, a alma de Jake Sully (Sam Worthington) vive em seu novo corpo Na’vi. Com a nova família formada com Neytiri (Zoe Saldaña), eles vivem no espetacular universo do planeta, onde fazem alianças para manter a paz. Tudo muda radicalmente quando a corporação RDA retorna para terminar o que havia começado. Chegou a hora de formar um exército para proteger o seu futuro da nova ameaça humana.

Com direção de James Cameron, a sequência do filme de 2009, Avatar: O Caminho da Água, está em cartaz no Brasil.

O elenco principal traz Sam Worthington (À Beira do Abismo), Zoe Saldaña (Guardiões da Galáxia), Sigourney Weaver (Aliens: O Resgate), Cliff Curtis (Heróis), Kate Winslet (Mare of Easttown), Stephen Lang (O Homem nas Trevas), e David Thewlis (Mulher-Maravilha).

Nota 8