Nos últimos anos, Hollywood não vem se notabilizando por fazer escolhas muito precisas para seus projetos, porém, nenhuma poderia ser mais acertada do que deixar uma adaptação cinematográfica de Barbie (2023) nas mãos de Greta Gerwig e Margot Robbie.
Junto à super carismática atriz, a diretora acertou em cheio ao desenvolver um filme que não tem vergonha de abraçar a fantasia, entregando discussões políticas e filosóficas, interessantes e pertinentes à época de seu lançamento.
Barbie (2023) tem um design de produção impecável e digno de premiações, que é muito eficiente na tentativa de imergir o público profundamente dentro da Barbielândia.
Perfeitamente apresentado, o local dos sonhos da boneca deixa seus conceitos muito claros para o público, que é capaz de associar muita coisa exposta ali com o que imaginava nas brincadeiras da infância.
Visualmente espetacular, o filme também trabalha muito bem a divisão de humor e drama, sob a visão ácida única de Greta Gerwig sobre capitalismo e patriarcado.

É bem verdade que, no fim das contas, a visão da diretora faz com que Barbie (2023) faça uma crítica sobre a venda de bonecas por parte da Mattel, que serve, veja só, para vender mais bonecas. No fundo, há uma maneira de encarar isso como uma mensagem clara de que o capitalismo sempre vence.
Mas esta não é uma história só sobre como o capitalismo sempre lucra, mas principalmente sobre amadurecimento e reconhecimento de si.
Greta trabalha muito bem esse enfoque narrativo com Margot Robbie, Ryan Gosling e America Ferrera, que juntos protagonizam uma espécie de cover de Elton John, que poderia ser intitulado como “Goodbye Pink Brick Road“. Isso só deixa clara a grande influência que O Mágico de Oz (1939) tem sobre o trabalho da diretora.
Aliás, do trio, fica aqui um grande destaque para Ryan Gosling, que fez talvez o trabalho mais completo de sua carreira. Ele canta, dança, chora, é pateta, e faz isso tudo da maneira mais incrível possível.

Infelizmente, Greta não tem a mesma felicidade ao desenvolver outros personagens, como teve com os protagonistas. Salvo algumas participações especiais legais como as de Michael Cera (Allan) e Kate McKinnon (Barbie estranha), a diretora não sabe muito o que fazer com os vários personagens que introduz na trama.
O CEO da Mattel, interpretado por Will Ferrell, por exemplo, tem uma presença relevante no mundo real, mas acaba ficando completamente jogado no terceiro ato. A participação do ator é estendida além do necessário, o que acaba gerando um momento anticlimático no final emocionante do filme.
Além do CEO da Mattel, Greta tem dificuldade para dar espaço para Sasha, de Ariana Greenblatt, que até é importante para alguns momentos da trama, mas acaba sendo literalmente deixada de canto na maioria de suas cenas.
Apesar desses erros, que são comuns em filmes de grande orçamento, a diretora acerta muito mais do que erra, e se lança ao mercado com um excelente nome para blockbusters.

Barbie (2023) é um projeto formidável, que encontra uma identidade única através da intimidade e da sagacidade de Greta Gerwig, do carisma de Margot Robbie e do brilhantismo de Ryan Gosling. Trata-se de um filme capaz de cumprir com maestria a proposta básica do cinema desde sua origem, que é divertir o público.
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