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Besouro Azul (2023) estreia nos cinemas nesta quinta-feira (17), dando a sensação de fim de festa. Com o DC Studios em completa reformulação após James Gunn e Peter Safran assumirem a liderança, o filme encabeçado por Xolo Maridueña (Cobra Kai) e pela brasileira Bruna Marquezine (Maldivas) tinha a árdua missão de atrair um público que parece já ter desistido do antigo Universo DC após tantas frustrações.
A onda de incertezas que circulam pelos corredores da DC, como a dúvida quanto as permanências de antigos astros (Gal Gadot, Jason Momoa e Ezra Miller) e a reescalação de personagens como Batman e Superman, tornaram a chegada de Besouro Azul (2023) ainda mais incerta. Afinal, como convencer o espectador e ir assistir a um filme sem saber se herói e elenco continuarão para dar sequência à história?

A grande (e positiva) notícia é que Besouro Azul (2023) funciona mesmo sem ter a certeza de seu lugar no mundo. Dirigido por Angel Manuel Soto, o longa esbanja carisma e humor na medida certa, e faz uma justa celebração da cultura latina para injetar um ar fresco que os filmes de super-heróis tanto precisavam.
Em termos de estrutura, Besouro Azul (2023) é construído sob diversos elementos clichês usados continuadamente em filmes deste porte. A história de origem de Jaime Reyes, jovem de uma família pobre que vive em uma comunidade latina mal vista pelas classes A e B, nada mais é do que uma reciclagem de outras apresentações de heróis como Homem de Ferro, Homem-Formiga e tantos mais.
O que mais atrai na história idealizada por Soto é a forma como usou a origem latina de seu personagem para tornar a jornada de Jaime cativante. A importância da família para um herói não é uma novidade na cultura pop, mas a forma com o roteiro explora a dinâmica de uma família de mexicanos ilegais nos EUA e suas nuances torna tudo mais saboroso.

Na trama, Jaime é um jovem universitário que volta para casa com o intuito de ajudar financeiramente. Seu pai, Alberto (Damián Alcázar), perdeu seu negócio e está prestes a ver sua casa tomada pelo banco. A única saída para o jovem e sua irmã Milagro (Belissa Escobedo) é trabalhar como assistentes da milionária família Kord, liderada pela ambiciosa e cruel matriarca Victoria (Susan Sarandon).
É este trabalho que coloca a bela Jenny Kord (Marquezine), sobrinha de Victoria, no caminho do protagonista. Após uma breve interação na mansão, a jovem promete encontrar um trabalho melhor para Jaime, mas o que deveria ser um encontro para uma reunião profissional acaba mudando completamente a vida do rapaz.
Em rota de colisão com a tia, que deseja usar um escaravelho alienígena para a produção em massa de armas para uso militar, Jenny rouba o artefato e o entrega nas mãos de Jaime. O problema é que o jovem leva o item para casa e o mostra para a família, que o convence a abrir para analisá-lo melhor.
No primeiro contato com o jovem, o escaravelho é ativado e dá início à simbiose que resulta na criação do Besouro Azul. Ao unir o seu corpo ao artefato, Jaime ganha poderes inimagináveis e a habilidade de criar qualquer tipo de arma com a inteligência e habilidade do extraterreste.

Apesar de ser a história de origem de um novo herói em um mundo no qual Superman e Batman já existem, os pilares da Liga da Justiça não passam de meras referências dentro da história idealizada por Soto. Besouro Azul (2023) funciona perfeitamente como uma aventura solo, e não poderia ser diferente já que Gunn e Safran planejam um reboot quase completo dos heróis da DC a partir de 2025.
Em síntese, Besouro Azul (2023) pode ter a mesma importância para os latinos que Pantera Negra (2018) teve para a comunidade negra. A forma como o filme celebra a cultura da família Reyes, com referências que vão de Chaplin Colorado à novela Maria do Bairro, é feita de forma orgânica e sem parecer forçada. Dar este destaque para personagens diversos é a forma que o cinema encontrou de se retratar de erros do passado e se aproximar cada vez mais do mundo atual.
Para a alegria dos brasileiros, Bruna Marquezine convence e não desperdiça a sua grande oportunidade em Hollywood. A atriz faz de Jenny um dos principais acertos do filme, e sua química com Xolo Maridueña é inegável.
Mesmo que apresente alguns problemas de ritmo, Besouro Azul (2023) pode ser descrito como o acerto que tanto faltou para a DC nos últimos anos. Se os fracassos de Liga da Justiça (2017), The Flash (2023), Adão Negro (2023) e Shazam! Fúria dos Deuses (2023) não tivessem sacramentado o fim do antigo Universo DC, o personagem poderia representar um futuro promissor em um mundo já exausto de filmes de super-heróis.
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