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Magia, humanos, Orcs, Elfos, e um vilão das trevas que quer dominar o mundo… com certeza você já viu isso em algum lugar – em muitos, provavelmente. Mas e se toda essa história de fantasia se passasse no meio de Los Angeles nos dias de hoje? Uma ideia de misturas malucas que poderia ter dado muito errado… mas até que deu certo.

Bright é o mais novo filme do diretor David Ayer, protagonizado por Will Smith e Joel Edgerton que interpretam, respectivamente, o falido policial Scott Ward e o Orc desertor, também policial, Nick Jakoby. Parceiros no trabalho, ambos embarcam no que seria apenas mais uma patrulha de rotina, mas acabam encontrando um artefato poderoso que pode mudar o destino do mundo: uma varinha mágica, objeto de extremo poder que só pode ser manuseado por raras pessoas, os Brights.

Apesar de, aparentemente, ser apenas mais um filme entre tantos com elementos fantasiosos, Bright aborda claramente, desde seu princípio, utilizando destes elementos citados, o preconceito pelas diferenças étnicas e sociais presentes em nosso dia a dia. No entanto isso fica, obviamente, em segundo plano, já que o foco da história se dá na luta dos personagens principais para assegurar que a varinha não caia nas mãos de vilões que querem trazer a vida uma grande entidade das trevas para dominar o mundo – uma história um tanto quanto clichê, diga-se de passagem.

Mesmo com a abordagem de temas importantes já citados anteriormente, o desenrolar da trama não foge dos padrões convencionais de histórias de fantasia, e o desenvolvimento – um pouco confuso, inclusive, pois temos várias histórias do universo da trama contadas de maneira rasa – traz muitos elementos vistos anteriormente em filmes do diretor; Os heróis vão passando de cenário em cenário, lutando contra ameaças em cada um deles, até chegar na “fase final” onde lutam contra a grande – e genérica – vilã (será que já vimos isso em Esquadrão Suicida?) Além disso, a conclusão da trama também se mostra extremamente previsível, com várias pistas explícitas em momentos do filme do que aconteceria no final.

No entanto, apesar dos problemas de roteiro, a produção tem seus acertos, e o maior deles é a incrível química entre Smith e Edgerton que, quando juntos – e isso acontece em 90% do filme – trazem ótimos diálogos, cenas divertidas e uma interação que nos faz comprar a ideia e abraçar os personagens.

A mistura de variados temas dentro de um único universo (além de elementos fantasiosos, também vemos grandes influências de Dia de Treinamento, filme escrito por Ayer) – algo que, como citado no início do texto, parecia uma ideia um tanto quanto maluca – também acaba se tornando um grande acerto da produção por trazer uma visão bem diferente e atual de histórias de contos de fadas. As caracterizações dos personagens são outro excelente ponto.

Entre erros e acertos, no fim das contas, Bright é um filme bom e divertido, que supera os problemas de roteiro com excelentes cenas de ação, um universo interessante que nos faz querer saber mais sobre o plano de fundo, e com um grande trabalho de Will Smith e Joel Edgerton. Vale a pena conferir.