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Começar A Hora do Mal (2025) com um longo trecho de “Beware of Darkness”, de George Harrison, não foi uma escolha convencional de Zach Cregger. Contudo, ao longo da trama, descobrimos que nenhuma outra poderia ter sido mais acertada para estabelecer o tom e pavimentar o caminho para aquele que é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano.
Evocando seres míticos de contos de fadas em um tom de mistério característico de Stephen King, o cineasta brinca com o fantástico para discutir sobre uma ameaça muito real e predominante no mundo moderno: as doença da mente.

Marcados pelo trauma do desaparecimento repentino de crianças no meio da noite, os personagens de Maybrook estão quebrados e descontam suas dores em pessoas que não têm nada a ver com isso. É como se a escuridão interior fosse uma arma invisível, que fere e mata tanto quanto aquelas com munição balística.
Existe uma fantasia manipulando as pessoas realistas da trama, mas estas também se manipulam umas às outras por objetivos individualistas. Zach Cregger parece interpretar que a natureza do mal vem do desejo congênito da humanidade por conforto.
Essas nuances são muito bem acentuadas pelo brilhante elenco reunido pelo cineasta, liderado pelos radiantes Julia Garner e Josh Brolin. Adoro o Pedro Pascal, mas, honestamente, não consigo enxergá-lo sendo tão forte como Archer quanto Brolin. A saída do astro de Quarteto Fantástico (2025) do elenco foi para melhor.
A regência de Cregger com o elenco nem é seu principal mérito. A começar pelo roteiro, completamente funcional e criativo, o diretor repete a capacidade ímpar de imaginar e construir imagens exibida em Noites Brutais (2022).

Cregger descaradamente bebe de fontes como Roman Polanski e Stanley Kubrick. E, sim, Magnólia (1999) é uma clara inspiração para a história contada por diferentes perspectivas. No entanto, nenhum outro filme se parece mais com A Hora do Mal (2025) que Noites Brutais (2022), o que comprova que o vindouro diretor da franquia Resident Evil já tem uma forte assinatura estabelecida.
Zach Cregger é defintivamente um dos nomes da geração atual que mais tem controle sobre seu trabalho. Um diretor que sabe o que faz.
O cineasta se sente tão seguro que consegue colocar doses de humor genuíno em seu filme de terror — não me lembro de ter rido tanto em outro lançamento deste ano. Graças a isso, A Hora do Mal (2025) não é uma experiência angustiante. O tom flerta com a fanfarronice de Sam Raimi, e isso é ótimo.
Tal qual “Beware of Darkness”, A Hora do Mal (2025) é uma aterrorizante e divertida balada sobre pessoas manipuladas por seus medos, e consumidas por pensamentos e paranoias negativas que agem como parasitas da mente. A obra é um alerta sobre a ameaça invisível das sombras e como as energias negativas emanadas ao universo inevitavelmente se voltarão contra você.
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