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A batalha de estilo vs substância é uma constante na franquia Avatar, mas ela nunca foi tão desequilibrada quanto em Fogo e Cinzas (2025). James Cameron entrega o espetáculo prometido, contudo, o filme soa repetitivo em seu esforço de propagar uma inclusão que já ressoou com muito mais força no passado.

Reprodução/20th Century Studios

Talvez por ter sido produzido paralelamente a O Caminho da Água (2022), o terceiro filme de Avatar soa como a raspa do tacho do segundo. Em outras palavras: parece uma obra feita com as ideias que sobraram, sustentada no mesmo vai e vem de ameaça e combate.

Quaritch vai atrás de Sully, Sully é encurralado, mas consegue escapar; então Quaritch sequestra alguém da família de Sully, e Sully é encurralado novamente. O ciclo se repete quase que eternamente.

Reprodução/20th Century Studios

A promessa de um fator novo — a inclusão de Varang como uma vilã Na’vi — é frustrada pela escolha criativa de usá-lo apenas como apoio nessa já cansada guerra entre humanos ambiciosos e nativos explorados. É uma pena, pois Pandora é vasta o suficiente para sustentar sua própria política; as diferenças culturais já apresentadas na franquia são um sinal claro disso. Cameron e sua equipe, no entanto, parecem limitados a repetir, sucessivamente, as ideias do primeiro filme.

Reprodução/20th Century Studios

Não tenho certeza se compensa, mas se a substância é defasada, o estilo está mais uma vez transbordando em Avatar: Fogo e Cinzas (2025). Este ainda é um filme de James Cameron, um diretor fissurado em técnica que sabe soar muito interessante na construção de cenas de ação.

Reprodução/20th Century Studios

O militarismo brega, os diálogos conscientemente expositivos e as explosões que dão vida à composição das cenas são um espetáculo à parte. Avatar ainda é de encher os olhos, mas até quando isso vai bastar? É como o prato elaborado de um restaurante fino: é bonito, mas não enche o bucho. Quando voltar daqui a quatro anos, a franquia precisará entregar mais do que o básico para se manter relevante.

Reprodução/20th Century Studios

Para todos os efeitos, Avatar: Fogo e Cinzas (2025) soa como um culto. Mais do que nunca, é preciso ter fé — ou uma vontade genuína de acreditar — para aproveitar totalmente a jornada. Sem essa entrega, o espetáculo de James Cameron corre o risco de ressoar apenas uma imagem vazia.

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Nota 6