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3–5 minutos

Apostando em uma margem de erro perigosa, ao evitar a armadilha do aprofundamento forçado para entregar um espetáculo de sobrevivência puro, Casamento Sangrento: A Viúva prova que não é preciso reinventar a roda quando se tem domínio absoluto do gênero, validando completamente o retorno a este universo.

Grace e Faith escondidas de caçador em Casamento Sangrento 2
Reprodução/20th Century Studios

Torna-se difícil apontar falhas quando Guy Busick e R. Christopher Murphy encontram soluções astutas para tornar a jornada de Grace (Samara Weaving) ainda mais envolvente em um roteiro nem sempre genial, mas que entretém de uma forma coesa e vibrante. 

Embora o filme original de 2019 deixe bem claro que os riscos são reais e que os Le Domas não mediriam esforços para exterminar o “poder do protagonismo” que poderiam tornar Grace a nova final girl do gênero, A Viúva (2026) intensifica esse sentimento desde o início. Não apenas pelo fato de já sabermos o que está por vir, mas por engrandecer o jogo a partir de novas sub narrativas e personagens marcantes, tornando tudo mais real e intenso. 

Após o extermínio dos Le Domas, Grace “ativa” um novo nível do jogo de sobrevivência da seita doentia que opera glorificando o falecido Mr. Le Bail, sendo obrigada a continuar seu desafio, desta vez, acompanhada de sua irmã distante, Faith (Kathryn Newton), que é jogada para este universo inocentemente, quando sua parente se vê em um beco sem saída com as autoridades, que não estão convencidas a ouvir as versões dos fatos que dizem respeito às bizarrices que a influente família de seu falecido marido, Alex (Mark O’Brien), cometiam. 

Reprodução/20th Century Studios

De qualquer forma, Casamento Sangrento 2 não desacelera seu ritmo com questões burocráticas, dando imediatamente o destaque para os demais seguidores de Victor Le Domas, que estão sedentos pela destruição da viúva, capturando-a a mando dos irmãos Titus (Shawn Hatosy) e Ursula (Sarah Michelle Gellar), que são responsáveis por organizar o novo jogo em uma tentativa de assumir o trono da seita, conseguindo um lugar privilegiado no Conselho que outrora foi ocupado por Victor.

Portanto, não temos apenas mais um joguinho de família, os novos caçadores ganharão uma recompensa significativa que os fariam se virar uns contra os outros, se isso não fosse uma regra proibida que, se quebrada, pode comprometer toda sua geração de familiares, elevando a competição para um patamar satisfatoriamente complexo, destacando todos os riscos de uma verdadeira competição, não importam as partes. 

Com antagonistas ainda mais obstinados e recompensas maiores, a princípio, é comum deduzirmos que Faith, de Kathryn Newton, poderia se tornar um “peso” para Grace e para o próprio ritmo da trama, caso ela não driblasse tão bem as armadilhas mais comuns para sua posição. E, veja, ela não está aqui para roubar o brilho de sua irmã, tampouco para assumir o legado de “survival girl” no futuro, mas para adicionar um toque de humor e uma carga dramática milimetricamente pensados, tornando-se indispensável.

Reprodução/20th Century

Samara Weaving também prova mais uma vez ser uma escolha certeira, e continua tão feroz quanto em sua aparição no filme de 2019, sem precisar se esforçar tanto para executar uma personagem que continua quebrando paradigmas comuns de figuras do gênero, notando-se uma evolução sólida. 

Superando as representações individuais, a dinâmica de Grace e Faith se torna o coração da sequência. Embora por vezes desacelere para evidenciar conflitos familiares ou diálogos nem sempre necessários, o espectador é recompensado com um trabalho em dupla hipnótico. 

Hatosy e Gellar também não abrem margens para sentirmos faltas dos Le Domas, com um vilanismo magnético que nos conquista desde o princípio. Apesar de previsível, Titus, claro, acaba se sobressaindo sobre a figura de Ursula, que poderia ter tido um desenvolvimento superior enquanto vilã, embora o foco no irmão mais doentio acabe sendo justificado em escolhas narrativas adiantes. 

Reprodução/20th Century

Além destes dois, não há muito o que dizer sobre as demais participações, além do fato de Elijah Wood dar o toque de sarcasmo e frieza necessários ao personagem responsável pelas regras da competição. Os outros, em sua maioria, apenas compõem a “cota” de humor da trama, embora isso não represente algo necessariamente ruim. 

O desconforto, as reviravoltas e a tensão constante pelas lentes dos diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin constroem uma estrutura sólida que desperta o interesse do início ao fim, que vão desde as tarefas cada vez mais difíceis para Grace e Faith no campo mortal, às transições fluídas de uma montagem que potencializa a narrativa, costurando o horror visceral a um humor ácido.

Casamento Sangrento: A Viúva proporciona a experiência catártica que muitos sequer esperavam, fazendo-se uma expansão necessária e digna de reconhecimento, com um desfecho poderoso para uma duologia de potencial avassalador, solidificando-se como um pilar indispensável do terror.

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Nota 8


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