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Manter o espírito de um clássico que foi lançado há quase 30 anos não é uma tarefa fácil, mas ainda bem que Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (2026) executa essa missão com maestria, apesar dos percalços.

Lançado 28 anos após a adaptação de Griffin Dunne, que dispensa comentários, a sequência da diretora Susanne Bier é um sopro de frescor para aqueles que guardaram com carinho as Owens em seus corações por tanto tempo. Não há uma justificativa profunda para trazê-las de volta, apenas o sentimento de celebrar essas personagens tão amadas em um enredo divertido e muito confortável.

Em Feitiço de Amor, quando a família Owens é marcada por mais uma perda significativa e a descoberta de uma grande e arriscada paixão na vida de uma das filhas de Sally (Sandra Bullock), a bruxa principal, com a ajuda da carismática Gillian (Nicole Kidman), precisam encontrar uma forma de quebrar a maldição que persegue as mulheres da família há tanto tempo, mesmo que isso signifique um retorno completo às origens mágicas de sua linhagem, algo que Sally tenta bloquear por anos como uma forma de autodefesa. 

Confesso que distanciar a personagem central de seus dons e fazer com que suas filhas cresçam sem esse repertório – até certo ponto -, me deixou um pouco desapontado. A graça do original está em celebrar essa estranheza e adicionar brilho ao oculto. Então, essa sub narrativa de Sally poderia ter sido evitada, se não fizesse parte de um desenvolvimento maior que acaba “justificando” o peso disso para a trama como um todo. 

Sandra Bullock e Nicole Kidman encarnam as irmãs Owens como se não tivessem passado um segundo sequer longe. Elas estão lá com absolutamente toda a bagagem que às transformou em ícones do cinema, e estão muito bem acompanhadas por suas tias, novamente vividas pelas talentosas Dianne Wiest e Stockard Channing, que poderiam sustentar a trama tão bem quanto às suas sobrinhas. 

Reprodução/Warner

Apesar do foco estar realmente em revisitar esses rostos familiares, a história se estende para desenvolver as filhas, interpretadas desta vez por Joey King (A Barraca do Beijo) e Maisie Williams (Game of Thrones). E, talvez, o elefante na sala esteja nos arcos de ambas, se é que podemos chamar assim.

De fato, Kylie (King) e Antonia (Williams) não ganham um tempo de tela aprofundado e que faça nossos olhos brilharem com suas presenças, mas isso está longe de se tornar um incômodo a ponto de tornar Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor uma continuação pobre. Quer dizer, nós realmente queríamos ver as filhas em ação, ou Sally e Gillian? 

É o mesmo dilema de Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda! (2025), em que Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis precisam equilibrar o protagonismo com a nova geração, mas sem deixar de lado o que importa em uma continuação que, queiramos ou não admitir, usa da nostalgia como um artifício: a presença das duas figuras originais. 

As ações de Sally e Gillian estão o tempo inteiro conectadas ao desenvolvimento, mesmo que secundário, de Kylie e Antonia – mais Kylie do que Antonia -, evitando que isso se torne um problema para o ritmo de um enredo que está mesmo interessado é em retomar a dinâmica deliciosa de Bullock e Kidman. 

Por outro lado, entre as novidades do filme, a adição do bruxo de Lee Pace (Ian Wright) é uma surpresa atrativa. Apesar do clichê de Ian acabar se tornando o ponto de tensão romântico de Sally, a presença provocativa do personagem quase me fez desejar uma aventura só entre os dois, que são conduzidos pela química magnética de Sandra Bullock e Pace.  

Os mesmos elogios não podem ser ditos para o vilão de Solly McLeod (Thomas Lockland), que assume a forma de uma “ameaça” genérica que não adiciona em absolutamente nada para o enredo, apenas, claro, para fortalecer o vínculo das Owens. 

O longa, também conduzido por uma seleção musical charmosa que eleva a carga emocional de tudo que nos é proposto, existe descaradamente sem pretensão nenhuma de se tornar algo grandioso, e soa mais como um presente para os fãs. Uma condução carinhosa de Susanne Bier que reverencia o real significado por trás das obras de Alice Hoffman.

No fim, nas entrelinhas de revisitar uma propriedade intelectual tão amada, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é mesmo sobre as belezas da irmandade e os ônus da maturidade, provando que a magia nunca deixa quem sabe onde procurar. 

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Nota 8