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Em uma versão mítica do Japão Feudal, Demon Slayer: O Filme – Castelo Infinito leva Tanjiro Kamado e seus aliados ao covil de Muzan Kibutsuji, o líder supremo dos demônios. A narrativa retoma diretamente o gancho da quarta temporada, tornando praticamente obrigatório ter visto toda a série para compreender os acontecimentos deste longa-metragem.

O Castelo Infinito não é um lugar comum.

Com corredores, salas e escadarias que parecem se repetir infinitamente, a arquitetura desafia a física e a lógica, tornando cada combate imprevisível e carregado de tensão. É nesse cenário que se desenrolam batalhas intensas, testando habilidades, resistência e união dos caçadores de demônios.

Dublagem de Demon Slayer
Reprodução/ufotable

Se existe um elemento que consolida o filme como espetáculo cinematográfico, é a animação. Detalhista e refinada, ela combina técnicas 2D e 3D de forma harmoniosa. Os movimentos de câmera fluem com precisão durante os combates, criando sequências viscerais que realmente impressionam os olhos. Cada respiração e técnica de luta se manifesta em fluxos de água, fogo e trovão, contrastando com a arquitetura labiríntica do castelo e elevando o impacto visual de cada cena.

O roteiro, por sua vez, equilibra ação e emoção. Flashbacks e diálogos aprofundam o crescimento dos personagens e exploram temas como perseverança e perda. Embora comoventes, alguns desses momentos quebram o ritmo das batalhas, criando pausas que diminuem a tensão acumulada.

Esse é talvez o ponto mais crítico: certos flashbacks se estendem demais, impedindo que a narrativa avance com a eficiência que se esperaria em um longa de mais de duas horas.

Shinobu Kocho enfrentando Doma em vídeo promocional do primeiro filme de Demon Slayer: Castelo Infinito
Reprodução/ufotable

O terceiro ato concentra-se na grande batalha final entre Tanjiro, Tomioka e Akaza, vilão que retorna do arco do Trem Infinito. É aqui que o enredo, até então espalhado pelo castelo, se concentra inteiramente nesse confronto decisivo. Tanjiro, determinado a vingar a morte do Hashira das Chamas, Rengoku Kyojuro, enfrenta Akaza em uma sequência que combina intensidade, emoção e flashbacks que se tornam o caminho para conclusão do filme.

O filme carrega o peso de se manter o mais fiel possível ao material original sem tentar se desviar no tom ou na representação dos personagens. Não há muito espaço para adaptação e quase todo o tempo, Castelo Infinito é uma cópia fidedigna das páginas do mangá. Isso impede um gancho empolgante para o segundo filme da trilogia. O final deixa uma sensação de que o que não foi concluído foi deixado como uma ponta solta que será resolvida “mais pra frente”.

A dublagem brasileira merece destaque. Todas as vozes conhecidas da série retornam, adicionando um toque mágico às cenas. Fábio Lucindo se destaca como Douma, Guilherme Briggs reforça a ameaça de Kokushibo e Charles Emmanuel entrega uma interpretação emocionante de Akaza.

A única ressalva continua sendo a falta de tradução ou adaptação dos nomes de técnicas e golpes, o que por vezes diminui a compreensão e impacto de certas lutas. Muitas vezes somos surpreendidos por golpes ditos em japonês que não transmitem nenhum tipo de emoção ou sentido.

Tanjiro em cena de Demon Slayer: Castelo Inifnito
Reprodução/ufotable

Apesar de alguns tropeços narrativos, Castelo Infinito é um triunfo técnico e artístico. É difícil não se deixar hipnotizar pela combinação de beleza visual, coreografia precisa e ousadia estética que transforma o filme em um espetáculo visual que impressiona.

É cinema de anime em sua forma mais pura, capaz de amplificar tanto a ação quanto o peso emocional das escolhas e memórias dos personagens.

Por Renato Siqueira.

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Nota 10


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