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Um Miami Vice com anabolizantes, um Bad Boys havaiano ou um A Hora do Rush entre irmãos. Essas são as expectativas naturais para o tipo de buddy cop que Dupla Perigosa (2026) se propõe a ser. E embora o filme de Jason Momoa e Dave Bautista beba de todas essas fontes, a grande surpresa é notar como ele consegue encontrar uma voz própria dentro de um gênero tão batido.
Grande parte do que torna o filme único é como ele molda os personagens em volta das personalidades dos atores. Jonny é um brutamontes espalhafatoso que, quando não está bebendo cerveja, está pilotando sua moto — basicamente, o próprio Jason Momoa. James, por sua vez, é o grandão bobão que, depois de velho, tenta se levar a sério demais, tal qual o Dave Bautista da vida real.

São personalidades tão antagônicas quanto complementares; assim, o carisma seco de um é equilibrado pelo carisma tóxico do outro.
O toque de mestre, entretanto, é dado por Angel Manuel Soto — que diretor! O porto-riquenho demonstra um domínio de espaço impressionante, aliado a um molejo visual que faz a câmera dançar com os atores em cena, em vez de ser apenas uma mera testemunha.
Dirigir comédia e ação não é para qualquer um. Tem diretor vencedor do Oscar e líder de sindicato — que já passou até pela franquia Batman — que passa ano após ano tentando entender como causar impacto com esses gêneros, mas segue dependendo de roteiro e trilha sonora alta para entregar algo digno da bajulação que recebe. No fundo, esse é um tipo de trabalho que não aceita diretor de “cintura dura“.
Soto simplifica o complexo. O segredo da sua direção está na curadoria do olhar: o que mostrar e quando mostrar. Ele joga esse jogo de forma magistral, fazendo muito com pouco.

E olha que ele não dribla apenas a escassez de recursos — sabendo exatamente onde focar para mascarar o digital nas sequências de ação —, mas encara também a limitação do próprio texto de Jonathan Tropper.
Para se ter uma ideia, Tropper despeja uma dezena de piadas sobre genitais no roteiro. Soto consegue fazer metade delas funcionar — incluindo uma divertidíssima em que Momoa agride um gangster da Yakuza com sua “espada orgânica“.
Enfim, não há muito o que falar sobre a narrativa desenvolvida por Tropper. É o básico: dois irmãos brigados, forçados a colaborar após a morte do pai, resolvendo diferenças enquanto batem de frente com a Yakuza e a corrupção política no Havaí. Até existe uma mensagem sobre deixar o passado para trás, mas quem se importa? O mel está em ver Momoa e Bautista destruindo metade do Havaí durante uma investigação — e isso é tudo o que um buddy cop precisa para ser considerado um bom filme.

Existe uma tendência natural de classificar filmes com textos mais simples como obras genéricas, e você certamente vai ler por aí que Dupla Perigosa é um desses casos. No entanto, há tanta personalidade envolvida aqui que esse rótulo simplesmente não cola.
Dupla Perigosa tem o molho! É uma comédia de ação divertida e fogosa que jamais funcionaria se não tivesse os temperos de Momoa, Bautista e Soto. É a prova real de que o elenco certo, nas mãos de um bom diretor, é capaz de entregar muito mais do que recebe.
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